28 outubro 2009

Combatendo os Sofismas Políticos

O sofisma, que é um raciocínio falso com aparência de verdadeiro, está invariavelmente presente no meio político. Ele pode ser proferido tanto pelo presidente da República quanto pelo menor dos seus servidores. Para combatê-lo, basta simplesmente aplicarmos o raciocínio lógico, verificando se a conclusão coincide com os argumentos apresentados. Lembremo-nos de que os números não mentem, mas podemos mentir com eles.

O sofisma pode ser comparado à moeda falsa. Na moeda falsa, há o fabricante, o distribuidor e o aceitante. No argumento falso, há a má-fé, a temeridade e o erro sem culpa. Em se tratando da moeda falsa, ao fabricante é imputado o maior grau de culpa. No sofisma, a má-fé é própria de quem forja o sofisma, mais do que aqueles que o admitem e o propagam.

A moral elevada não tem o poder de anular um raciocínio falso. Acreditar que um sofisma pode ser mais ou menos sopesado, porque quem o disse foi um homem de moral ilibada, em nada tira o viés do pensamento. Em todos os casos, a lógica deve prevalecer, pois pode analisar qualquer questão. Do mesmo modo que o orador preparado fala sobre qualquer tema, o indivíduo que usa a lógica pode discutir sobre qualquer assunto.

O combate ao sofisma deve se basear na demonstração da verdade. Diante dela todos somos iguais. Observe, na política, as campanhas veladas dos governantes. Todos estão em campanha, mas não podem dizer que estão por que a lei não permite que o digam. Palanques são montados para inaugurar obras que ainda não saíram do papel. Depois de feito, dizem que o ato não representa uma campanha política, mas inauguração do que o governo está fazendo.

Reflitamos sobre os sofismas políticos, a fim de não sermos enganados pelos que os professam. Há muita dubiedade e metáfora na fala política. Diz-se uma coisa para se entender outra. Diante da argumentação, apliquemos o raciocínio lógico. O mundo está aí. Quanto a nós, procuremos a verdade que, muitas vezes, está no fundo. Por isso, diz-se que para encontrá-la é preciso cavar muita terra.


Estude Online: Lista dos Cursos 24 horas
ver mais

23 outubro 2009

Sofismas Políticos

Sofisma é um argumento falso, revestido de uma forma mais ou menos capciosa, aparentemente dentro dos princípios lógicos, com o intuito de induzir outrem ao erro. Alguns políticos gostam de sofismar, provando com argumentos falsos, o contrário daquilo que é necessário e verdadeiro ao povo. Com isso, acabam tendo votação expressiva aos cargos públicos, em detrimento das pessoais mais dignas.

Jeremias Bentham, preocupado com a proliferação desse tipo de procedimento dos políticos, escreveu o livro “Tratado dos Sofismas Políticos”, em que enumera e discute diversos argumentos, aparentemente verdadeiros, mas passíveis de se tornarem sofismas. Basta apenas uma análise mais acurada, mais aprofundada, para descobrir o erro. Vejamos alguns deles.

Utopia. A utopia, discutida por Platão e Thomas Morus, em que retratam um Estado ideal, levando o povo à felicidade geral, nada tem de errado. Suponha agora um novelista da felicidade pública. Este novelista forma os homens como bem entende, remove obstáculos a seu bel-prazer e nem se preocupa se há conformidade entre os meios e os fins. Ele pinta o mundo onde é possível colher trigo onde se plantou joio.

Termos ambíguos. Muitos termos, neutros em sua origem, tornaram-se ambíguos conforme a civilização foi se tornando complexa. Exemplo: tirano, pirata, virtus e vitium. Se nos é indiferente um indivíduo, utilizamos o termo neutro. Se precisarmos opinar favorável ou desfavoravelmente, fazemos uso do termo ambíguo. Dizer que uma pessoa é piedosa pode significar elogio ou vitupério, dependendo de como a vemos. Nessa mesma linha de raciocínio, o que é religião para uns pode ser superstição para outros.

Bom na teoria, mau na pratica. É um sofisma muito utilizado pelos homens ditos práticos. Esquecem-se de que toda a ação prática tem por trás um pensamento, um raciocínio, uma teoria, que significa visão. A prática é consequência da teoria; se a prática não é confiável, é porque a teoria também não o é. Urge refazer a teoria para que a prática se torne aceitável.

Inovação. Toda ideia nova traz dificuldades; por isso, o medo da inovação. Preferimos “deixar tudo como está para ver como é que fica”. Esquecemo-nos de que para as coisas se acomodarem a esta situação houve necessidade de uma inovação anterior. Em outras palavras, o estabelecido de hoje foi a novidade de ontem. Precisamos, pois, aceitar a inovação como um progresso para a sociedade e para a organização da qual fazemos parte.

Estes pequenos exemplos servem para alertar os cidadãos conscientes, no sentido de terem argumentos para combater os politiqueiros e pessoas que tomam conta da coisa pública de modo indevido.

BENTHAM, Jeremias. Tratado dos Sofismas Políticos e Tratado da Tirania. Tradução de Antonio José Falcão da Trota. São Paulo: Logos, s.d.p.
ver mais

22 outubro 2009

Origem do Termo "Maquiavélico"

De acordo com Roberto Grassi, tradutor da obra "O Príncipe", de Maquiavel, o termo "maquiavélico", foi cunhado a partir do capítulo XVIII - De que modo os príncipes devem manter a fé da palavra dada -, do referido livro.

Maquiavel começa este capítulo afirmando que todos, em princípio, devem manter a fé na palavra dada. As suas observações, contudo, mostraram que aqueles que não mantiveram as suas palavras (os "astuciosos") tiveram mais êxito.

Ele diz que há dois modos de combater: um com as leis; o outro, com a força. As leis são próprias do ser humano; a força, dos animais. Acha que é sempre preferível usar a lei, mas quando esta não é suficiente, deve fazer uso da força; por isso, deve o príncipe nortear suas ações entre o homem e o animal. Para corroborar tal afirmação, cita Aquiles e Quiron, que eram personagens da mitologia grega. Quiron, por exemplo, era meio homem e meio cavalo.

Para tornar prática a sua ideia, faz comparações entre o leão e a raposa. O leão não se defende dos laços e a raposa não tem defesa contra os lobos. É preciso, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. Ou seja, em certas ocasiões, deve-se usar a força e ,em outras, o jeito.

Critica o papa Alexandre VI, aludindo que fala muito mas não cumpre o que fala. Diz, também, que todo o ser humano devia ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso. Se não puderem sê-lo, que se mostrassem sê-lo, pois as pessoas julgam mais pelos olhos do que pelo sentimento. Parecer "bom" dará mais votos numa eleição do que sê-lo verdadeiramente.

Este capítulo, até hoje, é o mais lembrado de toda a obra de Maquiavel e precisamente aquele que tanto tem causado escândalo através dos tempos.

Veja a cópia integral do capítulo XVIII de "O Príncipe"
ver mais

21 outubro 2009

Evolução do Conceito de Estado: de Maquiavel a Marx

Nicolau Maquiavel (1469-1527) é apontado como o protagonista do Estado moderno. Ele, porém, não elaborou uma teoria sobre o Estado, mas uma teoria de como se formam os Estados modernos. Ele não prescreve o Estado à semelhança de Aristóteles, que falava da obtenção da felicidade, da virtude, nem como na Idade Média em que se buscava o reino de Deus, nem tampouco como Platão na sua utopia de um Estado ideal. Maquiavel procura, assim, estudar as coisas como elas são e não como deveriam ser. Confia mais em suas observações práticas, aquilo que está vivenciando ou foi vivenciado por outros.

Maquiavel afirma: “há uma dúvida se é melhor sermos amados do que temidos, ou vice-versa. Deve-se responder que gostaríamos de ter ambas as coisas, sermos amados e temidos; mas, como é difícil juntar as duas coisas, se tivermos que renunciar a uma delas, é muito mais seguro sermos temidos do que amados... pois dos homens, em geral, podermos dizer o seguinte: eles são ingratos, volúveis, simuladores e dissimuladores; eles furtam-se aos perigos e são ávidos de lucrar. Enquanto você fizer o bem para eles, são todos teus, oferecem-te seu próprio sangue, suas posses, suas vidas, seus filhos. Isso tudo até o momento que você não tem necessidade. Mas, quando você precisar, eles viram as costas”.

Thomas Hobbes (1588-1679) afirma que os homens no estado natural (isto é, sem Estado) vivem de forma egoísta, em que uns se jogam contra os outros pelo desejo de poder, da riqueza, de propriedades. Daí a frase: “homo homini lupus”, cada homem é lobo para o seu próximo. Como desta forma eles se destroem uns aos outros, eles necessariamente precisam de um contrato, um contrato para constituir um Estado, um Estado que refreie os lobos, que impeça o desencadear-se dos egoísmos e a destruição mútua.

John Locke (1632-1704) observa que no estado natural o homem está plenamente livre, mas sente necessidade de colocar limites à sua própria liberdade, a fim de garantir a sua propriedade. Acha que a falta de um Estado não garante a propriedade. Insistia em dizer que o Estado é soberano, mas sua autoridade vem somente do contrato que o faz nascer. O seu conceito de Estado é distinto do de Hobbes. Para Hobbes, o contrato gera um Estado absoluto; para Locke, este pode ser desfeito a qualquer momento.

Emmanuel Kant (1724-1804) levando em conta a revolução francesa e as teorizações de Jean-Jacques Rousseau, afirma que a soberania pertence ao povo, o que é um princípio democrático. Acrescenta que há cidadãos independentes e cidadãos não-independentes (proprietários e não proprietários). Somente os proprietários têm direito a escolher e participar do Estado. Após ter afirmado que a soberania pertence ao povo, ele, em seguida nega-a, pois restringe somente aos proprietários.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) parte do princípio de que “os homens nascem livres e iguais, mas em todo lugar estão acorrentados”. A condição natural de felicidade, virtude e liberdade é destruída ou apagada pela civilização. Para Rousseau, a sociedade também nasce de um contrato, ou seja, o indivíduo é preexistente e funda a sociedade através de um acordo, de um contrato.

Para Locke, o contrato produz a sociedade e o governo, consequentemente o Estado. Para Rousseau, o contrato só constitui a sociedade. Ele acha também que a sociedade e o Estado devem ser uma única coisa; não podem estar separados. Por isso, diz que o único órgão soberano é a assembléia, na qual se expressa a soberania. Nesse caso, a assembléia, representando o povo, pode delegar poderes a algumas pessoas e delas retirar quando as circunstâncias assim o exigirem.

Benjamim Constant de Rebecque (1767-1830) leva ao máximo a separação entre o Estado e a sociedade civil. Ele observa que a liberdade do homem moderno é grande na esfera do privado; ao passo que, na esfera do público, sua liberdade é limitada, porque tem poucas chances de influenciar a condução do governo. Compara com os antigos, que acontecia o contrário, ou seja, eles exerciam muitas funções de soberania de forma coletiva, mas diretamente, sem delegá-las ao governo.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) estabelece a distinção entre Estado e sociedade civil formulada pelos pensadores do século XVIII, mas põe o Estado como fundamento da sociedade civil e da família, e não vice-versa. Para Hegel, não há sociedade se não existir o Estado, pois é este que fundamenta tanto a sociedade civil quanto a família.

Karl Heinrich Marx (1818-1883) faz uma crítica do Estado, isto é, uma crítica da concepção burguesa do Estado, principalmente aquela proveniente da Revolução Francesa, que se alicerçava na igualdade e liberdade. Segundo ele, a liberdade e igualdade da Revolução Francesa não eram conceitos universais; era liberdade e igualdade só para uma parcela da sociedade, o setor economicamente dominante, a burguesia.

Marx, contrariando a tese de Hegel, diz que não é o Estado que funda a sociedade civil; pelo contrário, é a sociedade civil, entendida como um conjunto das relações econômicas, que explica o surgimento do Estado, seu caráter e a natureza de suas leis.

Fonte de Consulta: GRUPPI, Luciano. Tudo Começou com Maquiavel: As Concepções de Estado em Marx, Engels, Lênin e Gramsci. Tradução de Dario Canali. Rio Grande do Sul: L&PM, 1986.


Aprenda Online: Lista dos Cursos 24 Horas
ver mais

04 setembro 2009

Reforma Tributária

Tese: criação de um imposto sobre o valor agregado (IVA) para substituir o ICMS.

Por que não avança?

Em São Paulo, há resistências políticas e dúvidas sobre o período de transição para compensações fiscais que viriam com o fim do ICMS. Os demais estados não querem renunciar aos incentivos fiscais que praticam.

Com isso, temos a acirrada guerra fiscal. Não percebem que os incentivos fiscais, dados pelos Estados, reduzem a carga tributária de forma desordenada. Isso pode gerar dificuldades do intercâmbio entre os Estados da Federação, porque um Estado pode barrar a entrada de artigos que tenham um incentivo fiscal muito grande, o que distorceu os preços relativos da economia.

Com esta reforma todo o país ganha, pois há simplificação dos impostos e o fim da guerra fiscal. Ao adiá-la, diminuímos entre 0,5 e 1% o crescimento econômico do país.

Paradoxo: os Estados, com os incentivos fiscais, aumentam os investimentos, mas seu efeito agregado reduz o volume total de investimentos do país.
Revista Exame, 950, ano 43, n.º 16, de 26/08/2009
ver mais

02 setembro 2009

Gestão Moderna de Estado

São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo deram a partida. Em seguida, vieram os Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe. O objetivo é manter as contas em dia, controlar despesas, estabelecer metas de trabalho, planejar investimentos tendo em vista resultados mais eficazes. Com isso, pode-se distribuir bônus aos servidores públicos, melhorar a saúde, a educação e a segurança pública.



Despesas com
pessoal sobre receita líquida não financeira (%)


Investimentos sobre receita líquida não financeira (%)


Investimentos em milhões de reais


2003

2008

2003

2008

2003

2008

São Paulo

61%

56,5%

6,7%

12,7%

3.778

11.816

Minas Gerais

65%

57%

6,7%

16,5%

1.344

5.618

Espírito Santo

56%

46%

2,8%

9,0%

143

788

Fonte: Raul Velloso

Revista Exame, 950, ano 43, n.º 16, 26/08/2009, p. 102 a 109.
ver mais

01 setembro 2009

Os Partidos Políticos no Brasil

Nos Estados Unidos, país mundialmente reconhecido por sua liberdade econômica e política, há apenas dois partidos, o democrata e o republicano. Para que um cidadão americano chegue à presidência da república, ele deve percorrer um longo caminho de campanha, que dura nove meses. Depois desse período, o candidato derrotado pode ainda fazer parte do governo eleito. Hillary Clinton, por exemplo, candidata à presidência, e derrotada por Barack Obama, foi nomeada sua secretária de Estado.

No Brasil, há 27 partidos em atividade, além de outros tantos que estão requerendo a sua legalização. Se por um lado, há mais canais para desenvolver ideias e pensamentos, há também mais dificuldade de se governar, pois o presidente eleito tem que fazer muitas alianças, perdendo, inclusive, a sua bandeira de campanha. Isto sem contar a necessidade de comprar votos dos partidos nanicos. O PMDB, partido com o maior número de filiados, e a maior aliança do governo Lula, há muito tempo nem candidato à presidência da república tem.

Nos últimos anos, ficamos reféns de dois partidos, o PSDB e o PT. Presentemente, vem surgindo a candidatura de Marina Silva, que se desfiliou do PT, em razão das suas divergências com relação à sustentabilidade planetária. Ela está indo para Partido Verde (PV). O que representa a sua ida ao PV? Do mesmo modo que Lula é maior que o PT, Marina Silva será maior que o PV. Qual a consequência? A estrutura partidária fica em segundo plano, quando deveria estar em primeiro.

Pelo fato de haver muitos partidos políticos, a política brasileira acaba sendo mais um jogo de interesses partidários do que a alocação dos esforços destinados à obtenção do bem comum, do interesse geral, como bem acentuou Rousseau em seu Contrato Social. Para viabilizar a candidatura de Dilma Rousseff, o presidente Lula está entrando em atrito com os integrantes do seu próprio partido, já bastante desconfigurado.

Paralelamente, as despesas com gastos correntes aumentam sobremaneira, enquanto as despesas com investimentos permanecem estagnadas. No final, quem é que paga a conta? Nós, a população deste país.
ver mais

27 agosto 2009

Coréia do Norte

A imagem de Kim II-sung, o “eterno presidente” da Coréia do Norte, pai do atual ditador Kim Jung-II, está em toda a parte, ou seja, em prédios, vagões de trem, nas estações do metrô etc. A sua morte, em 1994, em nada alterou a crença dos 23 milhões de habitantes, pois agem como se ele estive ainda vivo. “Ter um presidente morto é só uma das extravagâncias que fazem da Coréia do Norte uma aberração planetária”.

Item
Coréia do Norte
Coréia do Sul
PIB(em dólares ppp)*
40 bilhoes
1,27 trilhoes
PIB per Capita(em dólares ppp)*
1.700
26.000
Expectativa de Vida
67 anos
78 anos
Mortalidade até os 5 anos de idade
55 a cada 1000
5 a cada 1000
Forças Armadas
1,2 milhao de soldados
655.000 soldados

Fontes: Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento, Unicef e The World Factbook (CIA)

*em paridade de poder de compra
Revista Veja, 2127, ano 42, nº 34, 26/08/2009, p. 104 a 118.
ver mais

19 agosto 2009

Aristocracia

Aristocracia é a forma de governo em que o poder supremo está exclusivamente confiado a um pequeno número de cidadãos. Vem do grego aristos, que designava a um tempo o alto nascimento, a posse de riquezas e a excelência pessoal. Teoricamente, o governo de poucos devia ser dirigido para a realização do bem de todos. Se, porém, os interesses da maioria são sacrificados em favor da minoria, temos a degeneração deste regime político.

A aristocracia cabia bem ao espírito grego, porque a consideravam como liberta dos perigos do despotismo e da demagogia. Platão, em A República, dizia que o poder aristocrático devia ser exercido pelos filósofos, pois eram as pessoas mais bem preparadas para as funções de governo. Historicamente, a aristocracia de fato apareceu quase que exclusivamente na Grécia, porque os senados eram formados pelas famílias mais nobres e mais ricas do Estado.

Na Idade Média, se bem que o poder estava nas mãos de poucos, os senhores feudais, em seus feudos eram o único senhor a decidir. A aristocracia ressurge no Estado moderno, mas com outra roupagem, totalmente diferente daquela vista na Grécia e Roma antigas. Nos tempos modernos, a aristocracia significou mais um monopólio de títulos do que o exercício do poder político. A própria Inglaterra, durante o século XVIII, foi aristocrata, mas parlamentar, pois tanto o rei quanto o parlamento estavam submetidos a um pequeno número de grandes famílias do partido.

Lembremo-nos de que "todo poder corrompe e todo poder absoluto corrompe absolutamente". Segundo Platão, o poder aristocrático pode degenerar em poder timocrático, que é o governo baseado na apropriação de terras e de casas. Pode também degenerar em poder oligárquico, em que somente os ricos mandam. Chefes de Estado não faltaram para essa degeneração.

O poder, a riqueza e a autoridade são bens que nos chegam às mãos, não para o nosso benefício próprio, mas para a promoção do bem-estar da comunidade em que vivemos.
ver mais

15 junho 2009

Taxa de Juro Real


A taxa média dos juros reais entre 1995 e 2008 ficou em 13%. Este valor, alto para os padrões internacionais, é devido às diversas crises pelos quais passaram algumas economias mundiais. Em épocas passadas, essas crises obrigavam o Banco Central a elevar a taxa básica Selic para controlar a inflação.

A queda da taxa de juros reais só foi possível por causa de diversos programas de governo: a) Lei de Responsabilidade Fiscal; b) meta de inflação; c) câmbio flutuante; d) Brasil ter liquidado a sua dívida externa.

Para 2009, espera-se uma taxa média real de 5,4%; para 2010, 4,7%
Fala-se que a meta ideal é uma taxa real de 3% a.a., taxa esta dos países desenvolvidos. Com a taxa de juro mais baixa, haverá um aumento do PIB. Haverá também um aumento na oferta total do crédito e queda do custo da dívida pública federal.

Os pagamentos de juros em 2008 somaram 162 bilhões de reais. A previsão para 2009 é de 134 bilhões. O ganho do governo ficaria em 28 bilhões de reais.
ver mais

Nota Fiscal Paulista


Nota Fiscal Paulista é o programa de combate à sonegação, lançada há um ano e meio, pelo governo do Estado de São Paulo. Devido a este programa, houve uma arrecadação extra de 800 milhões de reais, em 2008. É o dinheiro que ficava na "informalidade", mais precisamente na competição ilegal. Os consumidores tornaram-se fiscais do governo paulista.

A contrapartida é obtida de duas formas: restituição de parte do imposto pago no consumo de bens e serviços e em sorteios mensais de prêmios em dinheiro. O êxito deste programa está no "alinhamento de interesses", em que o interesse individual é usado para ajudar a sociedade como um todo. A cada 100 reais acumulados em notas fiscais, o consumidor terá direito a um cupom para sorteio dos prêmios em dinheiro.

De acordo com o economista Guilherme Dietze, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, "A Nota Fiscal Paulista ajuda a aumentar a igualdade na concorrência, melhorando o ambiente de negócios".

ver mais

07 abril 2009

Brasil Versus Coreia do Sul


Em "Um país que nunca levou a sério o futuro", artigo publicado no Jornal "O Estado de São Paulo", de 05 de abril de 2009, Ethevaldo Siqueira faz a seguinte comparação:

ITENS
1969
2008
Brasil
Coreia do Sul
Brasil
Coreia do Sul
População
90 milhões de habitantes
32 milhões de habitantes
191 milhões de habitantes
50 milhões de habitantes
Produto Interno Bruto (PIB)
US$ 32 bilhões
US$ 5,7 bilhões
US$ 960 bilhões
US$ 1,1 trilhões
Renda per capita
US$ 350
US$ 200
US$ 5.000
US$ 21.000
Mortalidade infantil
112 óbitos por mil nascimentos
50 óbitos por mil nascimentos
23 óbitos por mil nascimentos
4 óbitos por mil nascimentos
Expectativa de vida
55 anos
43 anos
72 anos
78 anos
Índice de analfabetismo
39%
13%
13%
3%

Qual o grande diferencial? A Coreia do Sul investiu maciçamente em educação. O Brasil, para ser uma país do futuro, dever fazer o mesmo. Enquanto ficarmos presos à corrupção e aos gastos excessivos com a burocracia, menos dinheiro sobrará para os projetos que nos darão maior autonomia no futuro.
ver mais

31 março 2009

A Bolha Financeira


A origem da crise financeira encontra-se na decisão unilateral de Richard Nixon, tomada em 1971, quando mudou as regras do padrão-ouro, estabelecidas na conferência de Bretton Woods (1944). Surgia a moeda fiduciária, sem valor intrínseco, baseada apenas na confiança depositada nela. De lá para cá, houve um viés entre economia real e economia financeira.

Façamos uma comparação entre os ativos financeiros e o PIB mundial. Em 1980, havia 10 trilhões de dólares em ativos financeiros para 12 trilhões de dólares de PIB; em 2006, 170 trilhões para 48 trilhões; em 2008, 120 trilhões para 62 trilhões. Em 2006, os ativos financeiros (depósitos bancários, ações, títulos públicos e privados) chegaram a ser 4 vezes o montante do PIB. Quer dizer, havia muito papel para as mercadorias existentes. Este é o resultado de três décadas de excesso de ativos financeiros.

Como recuperar ¼ da riqueza que se evaporou? Os governos dos diversos países estão introduzindo muito dinheiro na economia. A intenção é atenuar a crise; a sua resolução vem com o tempo. Os Estados Unidos irrigarão a economia com a cifra nada modesta de 1 trilhão de dólares.

A crise é sempre positiva, pois indica uma ruptura com o antigo. Há que se encontrar novos mecanismos internacionais de regulação financeira. Mais cedo ou mais tarde, o mundo das finanças recobra a sua racionalidade.

Em se tratando do Brasil, há aumento do desemprego, diminuição do crédito, queda de produção, queda das exportações e diminuição dos investimentos. O PIB já foi previsto para baixo mais de uma vez. Esperava-se crescer 4%, em 2009, mas já está em 3%. Há analistas financeiros que indicam um crescimento próximo de zero.

As autoridades governamentais deveriam dar uma explicação mais racional sobre o impacto desta crise na economia brasileira. Em virtude da popularidade do presidente da República, e tendo em vista as eleições de 2010, é mais fácil culpar Bush e os brancos de olhos azuis. Fala-se muito mais para não perder votos do que para expressar a verdade sobre a economia brasileira.
ver mais

18 março 2009

Crescimento do PIB em 2009


Segundo o IBGE, o quarto trimestre do PIB de 2008 teve uma queda de 3,6%. Estes dados estatísticos mostram que o crescimento esperado de 6,8%, em 2008, passou para 5,1%. Até aí, tudo bem. O problema é que houve uma queda muito acentuada no último trimestre. E se esta queda se mantiver durante o ano de 2009, o PIB crescerá ou diminuirá? Qual a razão de o governo, mesmo sabendo da queda, apontar para um crescimento de 4% em 2009?

Em recente entrevista coletiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse: "Com este resultado (do último trimestre de 2008), ficou difícil atingir aquela meta de 4% que eu vinha falando". Depois disso, o tom de otimismo passou a vigorar para outros números: "os mais pessimistas preveem um crescimento de 1,5%, 2%", "o Brasil vai ser um dos poucos países do mundo com PIB positivo", "ficaremos distantes de um déficit técnico".

Começar o ano de 2009 com uma grande queda no último trimestre de 2008 não é nada promissor. Além do mais, os PIBs das grandes potências, como Estados Unidos e Japão estão também em queda acentuada. Para mitigar os danos causados na economia, o governo tomou algumas medidas, tais como, redução dos depósitos compulsórios dos bancos, redução do IPI dos automóveis, redução do IOF no crédito ao consumidor, financiamento às exportações e corte nos juros. Contudo, não foram suficientes para reativar a economia.

Segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros, sócio da Quest Investimentos e ex-ministro das Comunicações do governo FHC, "A maior vítima da desaceleração da economia é a imagem da marolinha levantada pelo presidente Lula. A queda do PIB é algo muito sério para ser tratado de forma jocosa". Já, José Stiglitz, professor da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e prêmio Nobel de Economia em 2001, comenta: "Fui há poucos meses ao Brasil e me disseram que a crise não afetaria o país. Parece que agora esse não é mais o caso".

Há o Brasil real e o Brasil político. O Brasil político é o Brasil visto pelos olhos de Lula: "Mesmo que o crescimento seja próximo de zero, o Brasil será um dos poucos países que não terá uma recessão como terão os países ricos"... "O Brasil foi o último país a ser atingido pela crise e será o primeiro a sair". Os agentes governamentais deveriam ser mais responsáveis com o uso do dinheiro público. Se tivessem alocado os recursos para investimento, em vez de custeio, teríamos mais facilidade para sair da crise.

Quem fizer um estudo histórico da economia brasileira, verá que ela sempre dependeu da economia internacional. De repente, somos auto-suficientes. Em economia, "tudo depende de tudo". Palavras e carisma podem estimular o crescimento econômico, mas sem investimentos não há produção, não há emprego e não há consumo. Havendo queda de exportações, haverá menos entrada de recursos. Com menos recursos, o exportador não poderá aumentar a sua produção. E assim por diante.

A economia real tem que ser tratada com mais realidade.
ver mais