23 novembro 2014

ABIMAQ e a Desindustrialização no Brasil

Carlos Buch Pastoriza, que assumiu a presidência da ABIMAQ (Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos), para o período de 2014 a 2018, participou do Jornal da Manhã Rádio Jovem Pan, em 21 de novembro de 2014.

Nessa entrevista, ele enfatiza o seu diagnóstico sobre a economia brasileira, publicado no site da ABIMAQ, em setembro de 2014: "Em função do endividamento das famílias, o consumo já não cumpre mais o papel de “motor do crescimento”. Os juros elevados, tanto a taxa SELIC como os praticados na ponta, inibem os investimentos. O Custo Brasil, os gargalos de infraestrutura e, principalmente, a defasagem cambial, impõem ao setor produtivo uma perda de competitividade sem precedentes."

Diz que o faturamento do setor de máquinas e equipamentos caiu 20,3% em Julho de 2014 em comparação com o mesmo mês em 2013. No acumulado do primeiro semestre de 2014, o faturamento dos bens de capital ficou em R$ 40, 68 bilhões, 14,5% menor que o mesmo período no ano anterior, que já tinha sido baixo.

Os juros altos afetam nossas planilhas de custos, que geram a desindustrialização. As empresas estão maquiadas, muitas funcionam como meras montadoras, pois o PIB não cresce. O que está gerando emprego é o setor de serviços de baixo valor agregado: os call centers empregam 3 milhões de pessoas, mas com salário próximo ao salário mínimo. Exportamos matéria prima e importamos produtos manufaturados desta matéria prima.

Para Pastoriza, a principal reforma é a reforma política, pois deveríamos passar dos 34 partidos para somente 5. O Estados Unidos, por exemplo, têm apenas dois partidos e sem fundo partidário.

O Brasil está passando por uma crise de expectativas. Há pouco desemprego, mas o Brasil não cresce. Com a contabilidade criativa, o Brasil pode vir a perder o status de "grau de investimento".

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