27 novembro 2014

Luta pelos Bons Costumes

Registro do artigo "Um Governo de Maus Costumes", de Ives Granda da Silva Martins, publicado no "Espaço Aberto" do jornal O Estado de São Paulo, em 28 de novembro de 2014.

Começa discutindo a etimologia dos termos "ética" e "moral", reportando-se à especulação grega (ética) e à prática romana (moral), entendendo que essas duas vertentes complementam-se na concepção dos bons costumes.

Acha que o mensalão e o petrolão seriam mais bem enquadrados na figura penal da "concussão" (pagar à autoridade por falta de alternativa possível de atuar sem pagamento) do que na de "corrupção ativa" (corromper a autoridade para obter vantagem).

Critica o marqueteiro da presidente, que se especializou em enganar o eleitor, pela "desconstrução de imagens" e "ocultação da verdade". Nesse caso, a economia ia muito bem: mesmo crescendo zero por cento, os brasileiros estavam felizes e satisfeitos porque o emprego não tinha caído. Conseguiu desconstruir "imagens" de cidadãos de bons costumes (Marina Silva e Aécio Neves) e iludir o povo que, por escassa margem de votos, outorgou à presidente mais um mandato.

Sugere que a presidente Dilma Rouseff deveria nomear o seu marqueteiro para o Ministério da Fazenda,  pois se iludiu o eleitorado sobre o PIB, emprego, desmatamento, moralidade, etc., deve saber iludir também os investidores, mostrando-lhes que a economia brasileira vai muito bem.

A tristeza que sentem todos os brasileiros que lutam por bons costumes na política, na profissão, em sua vida social e familiar, por verem o País assim desfigurado perante o mundo, não deve, todavia, inibir o povo de lutar contra a corrupção, o que se principia por diagnosticar o mal e combatê-lo, mesmo que isso implique o profundo desconforto de dizer que a presidente Dilma Rousseff governou atolada na pequenez pouco saudável de um governo ora incompetente, ora corrupto.

Espera que a presidente faça a "mea culpa", no sentido de escolher pessoas de bons costumes para governar o país nos próximos quatro anos. Que repila os "progressistas da Venezuela e de Cuba, que pretendem tornar todos ricos, pobres. Que siga o exemplo dos "liberais" dos Estados Unidos e da Alemanha, que querem tornar todos os pobres, ricos.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito da Universidade Mackenzie, das escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e Superior de Guerra (ESG) e membro da Academia Brasileira de Filosofia 




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25 novembro 2014

Ideologia e Economia

A ideologia é um sistema de ideias e ideais. É um processo de racionalização, um mecanismo de defesa dos interesses de uma classe ou grupo dominante. Seu objetivo é justificar o domínio exercido e manter coesa a sociedade, evitando os conflitos para exercer a dominação. Esse sistema de valores deve ser passado aos demais; se pensarem diferente, serão hostilizados. Em termos práticos, olhemos para Cuba, Venezuela e Bolívia.

A economia, como ciência, tem as suas leis. Ao querer burlá-las, podemos provocar um desastre na distribuição da riqueza. Adam Smith, considerado o pai da economia, falava-nos da "mão invisível", uma espécie de poder do mercado alocando corretamente os recursos segundo a lei de oferta e procura. Keynes, por sua vez, propôs, para casos excepcionais, uma atuação do governo no sentido de aumentar os gastos públicos, principalmente quanto a economia estivesse no chamado equilíbrio recessivo provocado por insuficiência de demanda. Nunca aconselhou transformar essa medida em um método de política econômica. 

A ideologia é uma espécie de dogma. No Brasil, criou-se o dogma do dinheiro que brota em árvores ou cai do céu. Nesse sentido, não há problema algum em aumentar os gastos, pois o recurso acaba vindo de algum lugar, mesmo não sabendo de onde vem. Na contabilidade real, ativo tem que bater com o passivo. Um gasto, sem a devida compensação pela receita, aumenta a dívida pública, que deverá ser paga por alguém. 

O partido que está no poder há 12 anos não se importa muito com o livre mercado, nem com o papel dos preços relativos, nem com a alocação eficiente dos recursos produtivos. Quer um Estado grande que intervém e monopoliza as decisões. Além disso, fala mal das privatizações e é contra a meritocracia. Lembremo-nos de que para um recurso público crescer, ele tem que ter um efeito multiplicador, que é o trabalho, a criação de algo por alguém para ser útil ao semelhante. 

Quem pensa com isenção partidária, pode lançar luz sobre os fatos, os quais devem ser analisados sem preconceito e sem viés ideológico. A ideologia vislumbra um estado de coisas, uma mentira, uma ilusão. Quem vive imerso nesse clima não aceita oposição alguma. O problema da ilusão, como a própria palavra sói significar, é acreditar que isso seja verdade.

A verdade tarda, mas não falha. Embora lenta, a justiça não deixa de encontrar o culpado. 
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24 novembro 2014

PT Quer Entender o Antipetismo

Assustado com os altos índices de rejeição a candidatos do partido nas eleições deste ano, especialmente em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o PT encomendou uma ampla pesquisa nacional para identificar as causas e possíveis soluções para o antipetismo.
Ainda nesta semana, a Marissol, empresa responsável por parte das pesquisas que nortearam a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, vai apresentar uma proposta inicial de questionário. A ideia é consultar eleitores em todos os Estados do País e fazer uma bateria de pesquisas qualitativas.
O resultado vai servir de base para os debates da última etapa do 5.º Congresso Nacional do partido, marcada para junho do ano que vem em Salvador (BA). A direção petista e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendem usar o Congresso, instância máxima de decisões do partido, para fazer uma série de reformas, com objetivo de resgatar valores históricos da legenda e reconectar o PT com setores dos quais se afastou nestes 12 anos de poder, como os movimentos sociais e a intelectualidade de esquerda.
Há necessidade de gastar o nosso dinheiro (impostos) para fazer esse tipo de pesquisa? 
Vejamos alguns pontos que nos afloram:

O PT ganhou a eleição com um discurso ético. Depois, tornou-se o campeão da corrupção.

O PT insiste em mentir que haja corrupção, pois o governo está combatendo-a.

O estelionato eleitoral da propaganda do PT para ganhar a eleição.

O PT montou um projeto de poder nunca antes visto.

O crescimento econômico está muito baixo, convivendo com o medo da volta de inflação e o desemprego pelo processo de desindustrialização pelo qual o país está passando. 
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23 novembro 2014

ABIMAQ e a Desindustrialização no Brasil

Carlos Buch Pastoriza, que assumiu a presidência da ABIMAQ (Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos), para o período de 2014 a 2018, participou do Jornal da Manhã Rádio Jovem Pan, em 21 de novembro de 2014.

Nessa entrevista, ele enfatiza o seu diagnóstico sobre a economia brasileira, publicado no site da ABIMAQ, em setembro de 2014: "Em função do endividamento das famílias, o consumo já não cumpre mais o papel de “motor do crescimento”. Os juros elevados, tanto a taxa SELIC como os praticados na ponta, inibem os investimentos. O Custo Brasil, os gargalos de infraestrutura e, principalmente, a defasagem cambial, impõem ao setor produtivo uma perda de competitividade sem precedentes."

Diz que o faturamento do setor de máquinas e equipamentos caiu 20,3% em Julho de 2014 em comparação com o mesmo mês em 2013. No acumulado do primeiro semestre de 2014, o faturamento dos bens de capital ficou em R$ 40, 68 bilhões, 14,5% menor que o mesmo período no ano anterior, que já tinha sido baixo.

Os juros altos afetam nossas planilhas de custos, que geram a desindustrialização. As empresas estão maquiadas, muitas funcionam como meras montadoras, pois o PIB não cresce. O que está gerando emprego é o setor de serviços de baixo valor agregado: os call centers empregam 3 milhões de pessoas, mas com salário próximo ao salário mínimo. Exportamos matéria prima e importamos produtos manufaturados desta matéria prima.

Para Pastoriza, a principal reforma é a reforma política, pois deveríamos passar dos 34 partidos para somente 5. O Estados Unidos, por exemplo, têm apenas dois partidos e sem fundo partidário.

O Brasil está passando por uma crise de expectativas. Há pouco desemprego, mas o Brasil não cresce. Com a contabilidade criativa, o Brasil pode vir a perder o status de "grau de investimento".
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21 novembro 2014

LDO e o Superávit Primário

O Poder Executivo é responsável pela elaboração do orçamento. Para realizar esse planejamento, a Constituição Federal prevê três leis que devem ser estabelecidas periodicamente:

- O Plano Plurianual (PPA)

- A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

- A Lei Orçamentária Anual (LOA)

O PPA estabelece objetivos, diretrizes e metas para quatro anos. A LDO e a LOA são anuais.

Essas leis são subordinadas entre si: as LDOs anuais devem respeitar os limites do PPA e as LOAs devem respeitar as respectivas LDOs.

O superávit primário é o dinheiro que o governo consegue economizar. É o total do que arrecada menos o que ele gasta (em despesas que não são financeiras). Esse montante é usado para pagar juros da dívida pública. É uma espécie de medida sobre o risco de calote da dívida. 

Esse sistema de contabilidade cria um dilema: quanto mais o governo investe, menor é o superávit primário, pois os investimentos são contados como despesa.

Para amenizar o conflito, a atual legislação permite que alguns investimentos, como os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não sejam contados como despesa. Assim, o superávit primário ganhou duas novas classificações: o resultado "cheio", sem desconto, ou o "abatido".
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20 novembro 2014

Curso de Presidência: a Prova da Eleição

O economista Roberto Macedo, em artigo no "Espaço Aberto" de O Estado de São Paulo, em 20/11/2014, mostra-nos que Dilma, em vez de ser uma boa aluna é uma má professora: passou, mas com dependências. Para ele, bons professores se pautam por uma frase de Ruy Barbosa: "Professor nunca o fui; aluno, prezo-me de sê-lo". Ela tampouco se coloca como aluna, para perceber que o aprendizado precisa ser permanente e indispensável para ensinar. E, também, admitindo erros, pois trazem lições na direção dos acertos.

Em seu magistério aplica teorias mal sustentadas empiricamente, aquelas que sustentam que o crescimento econômico vem essencialmente da ampliação da demanda. 

Esquece que a acumulação de capital se dá por investimentos que geram demanda sustentável, mediante pagamentos a fatores de produção, como os trabalhadores que com seus gastos estimulam a produção de outros bens e serviços, multiplicando o efeito do investimento inicial. O modelo dilmista enfatizou o aumento da demanda via crédito subsidiado. Os consumidores se endividaram e hoje estão retraindo a procura. No âmbito federal, expandiu mais os gastos de consumo do que de investimentos.

Vejamos algumas de suas "depês" na gestão econômica: 

Política Fiscal:  foi reprovada por sua criatividade ao transformar resultados negativos em "positivos";
Economia Internacional: recebeu contas externas equilibradas e lhes deu direção contrária;
Política Anti-inflacionária: achou que a inflação vinha de aumentos transitórios de preços, ignorando fatores responsáveis por seu agravamento persistente;
Gestão Setorial: suas respostas causaram dificuldades a setores importantes, com destaque para o de petróleo, o sucroenergético e o elétrico.

Sugere que procure professores competentes, como é o caso do aluno dependente que procura um professor particular. 

Cita um episódio vivido por Ricupero, em janeiro de 1985, quando acompanhou Tancredo Neves numa viagem ao exterior, logo após a eleição deste para presidente. Ao passar pela Espanha, Tancredo perguntou ao então primeiro-ministro do país, Felipe González, qual era o segredo do sucesso de seu governo. A resposta: "Escolha um bom ministro da Economia e 80% de seus problemas estarão resolvidos".

Conclui que sem  uma nova e competente equipe econômica, e a disposição de delegar a essa equipe a tarefa de arrumar a economia, Dilma corre o risco de terminar seu segundo mandato sem aprovação.

O artigo completo está em: Espaço Aberto



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16 novembro 2014

Manifestação de Protesto em 15/11/2014 (São Paulo)





Este vídeo mostra como foi a manifestação de protesto promovida em São Paulo no dia 15 de novembro de 2014.


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13 novembro 2014

Hélio Bicudo sobre o Bolsa Família

Neste vídeo, ele conta uma significativa conversa com o então ministro José Dirceu sobre o significado eleitoral do Bolsa Família para o PT.




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Vídeo da Passeata do dia 1/11/2014

Este vídeo mostra alguns depoimentos dos participantes da passeata de 1º/11/2014, em São Paulo.



Há a fala de um nordestino, de uma médica e, inclusive, a de uma negra que não se deixa ludibriar pelo discurso demagógico petista.
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11 novembro 2014

Preços: Antes e Depois da Eleição

O governo vem há muito tempo maquiando as Contas Públicas e, com medo de perder as eleições, represou o preço da energia elétrica, dos combustíveis, não permitiu que o Ipea publicasse os índices de aumento da pobreza. 

Na propaganda eleitoral, Dilma falou que o seu adversário iria aumentar juros, cortar gastos, acabar com o bolsa família. Passados poucos dias, está pondo em prática o que Aécio tinha alertado. O preço da gasolina teve um aumento de 3%, mas a proposta correta para sanear o déficit da Petrobras seria de 8%.

Além disso, a dívida publica interna chegou ao valor dos 2,7 trilhões e reais. O Tesouro Nacional paga 12% de juros, repassa ao BNDES, que empresta a 4%. No final das contas, quem paga essa conta?  


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Educação e Ideologia

Temos ouvido falar frequentemente que a educação do Brasil está sofrendo de uma influência ideológica muito intensa, ou seja, estão ensinando aos nossos filhos e netos a aderir ao socialismo e ao marxismo. Na Revista Veja, número 46, de 12/11/2014, há dois artigos que merecem destaque. 

1) O Mapa do Tesouro (p.92)

O pano de fundo é o livro de Amanda Ripley, As Crianças Mais Inteligentes do Mundo, onde mostra como Finlândia, Coreia do Sul e Polônia transformaram suas escolas em fábricas de bons alunos.

"O motor da transformação não foi uma população de jovens superdotados, mas sim um conjunto de iniciativas de governos para enxugar e modernizar currículos, treinar e retreinar professores, tendo a meritocracia como régua de todas as decisões e incutindo nos alunos o ideal de estar sempre entre os primeiros".

O resultado: Coreia do Sul (4.º), Finlândia (7.º) e Polônia (12.º) estão entre os países mais bem avaliados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). O Brasil está em 57.º (entre 65). Ainda: Os Estados Unidos, que são os campeões em gastos com educação estão na posição 29.º. 

Nesses países que obtiveram altos índices, as políticas educacionais voltaram as vistas para a formação de professores. Além disso, o rigor que impera na sala de aula, seja por parte dos alunos, que não faltam, cumprem todas as tarefas e se curvam à disciplina, seja por parte dos professores, sem condescendência com quem fica para trás. 

As crianças aprendem a pensar criticamente, a argumentar e resolver problemas, ou seja, saem preparadas para o mundo moderno.

Aprende-se que ela é fruto de um sistema que leva o mérito às últimas consequências e de uma cultura que produz professores e alunos altamente responsáveis.

2) Estamos Acabando com o País (p.106)

Nesse artigo, Gustavo Ioschpe mostra que no Brasil a educação não anda. 

No meio de seu escrito, cita a indagação de um adolescente de 15 anos: "Então o senhor acha que é preciso ler para ter conhecimento?!" O pior de tudo é que há muita gente pensando assim em pleno 2014. 

Acha que tanto as escolas públicas como as privadas estão entupindo o cérebro dos seus alunos com a doutrina política marxista. Os pais dos alunos não estão nem aí. Depois reclamam do intervencionismo estatal e do viés antiempresarial dos líderes... que eles mesmos formaram.

Critica os professores que não querem trilhar o caminho difícil de transmitir o domínio da didática e da matéria a ser ensinada ou optam por falar do papel revolucionário do professor, da missão grandiloquente de formação do cidadão crítico

Você sabe que os seus filhos estão ouvindo nas escolas diatribes contra o capitalismo e a burguesia brasileira e elogios ao modelo cubano e outros lixos socialistas?

O Brasil está criando pessoas que desconfiam da Democracia, dos valores republicanos, de sua própria capacidade empreendedora.

Parece-nos que o professor deveria optar por abrir a mente do aluno para que este pense por si mesmo, que tenha consciência de si e construa um senso critico acurado. Nada de fazer proselitismo desse ou de outro tipo de ideologia. 

Sem essa perspectiva,  vamos nos tornando um país cada vez mais pobre e atrasado. Precisamos alertar a população para que não se deixe dominar pelo espírito de manada, acreditando em tudo o que ouve e lê. É muito mais fácil receber tudo pronto, como é o caso das benesses das diversas bolsas que são distribuídas. Não se pergunta de onde vem o dinheiro? Querem apenas receber sem fazer esforço nenhum. Se formos exaurindo a fonte, ficaremos sem dinheiro na ponta. Resultado: o pobre ficará mais pobre.

Precisamos acreditar na cadeia produtiva e no princípio de liberdade com responsabilidade. 

Coreia do Sul

Um país essencialmente agrário listado entre os mais pobres do mundo, com infraestrutura praticamente inexistente, poucos recursos naturais e povo sem instrução, com taxa de desemprego de 25% da população em idade de trabalho, renda per capita anual de menos de US$ 100 e exportações de meros US$ 20 milhões. Essa descrição parece não ter correspondência com a realidade, considerando que a nação mais pobre do mundo, na atualidade, é Serra Leoa, na África, com renda per capita de US$ 490 e expectativa de vida de 39 anos. Aquele relato, na verdade, não é obra de ficção, mas da real situação da Coreia do Sul na década de 1950, um lugar então sem luz e sem túnel, mas que hoje, por improvável que possa parecer, é uma das sociedades mais desenvolvidas do mundo. Como pôde um país de economia precária se transformar em tão pouco tempo numa das nações mais ricas e igualitárias do planeta, com renda per capita superior US$ 25 mil e sede de grandes empresas globais fabricantes de produtos de alta tecnologia?

Em 1965, a renda per capita do brasileiro era de US$ 258 contra apenas US$ 106 do coreano, números que devem alcançar em 2014 (estimados) US$ 11.080 (em queda desde 2011) e US$ 25.931, respectivamente.

Revista Problemas Brasileiros, n.º 425, set/out de 2014




A escola perdeu sua função social no Brasil

"A escola perdeu sua função social no Brasil", diz estudioso João Batista Oliveira. Para ele, "a função histórica e antropológica da escola é transmitir conhecimento" Para especialista, missão primordial de transmitir conhecimento vem sendo esmagada pela ideologia que reduz a educação a ferramenta de dominação


Pouca gente discorda que é papel da escola transmitir os conhecimentos imprescindíveis ao desenvolvimento do indivíduo e, por tabela, do país. Para o estudioso João Batista Oliveira, contudo, a missão vem sendo esmagada no Brasil por políticas mais interessadas em propagandear números grandiosos e por ideologias cujo interesse passa longe da educação. O resultado é o fracasso do ensino no país. "Perdemos a noção da função social da escola. Ela deixou de ser cobrada pelo cumprimento de suas obrigações essenciais e passou a ser cobrada por milhares de coisas que ela não tem condição de fazer, como cuidar da educação sexual, educação para o trânsito, para o consumo etc.", diz Oliveira. A história de como se deu esse processo é dissecada no livro Repensando a Educação Brasileira, que chega às livrarias nesta semana, em que o pesquisador discute qual é, enfim, a função da escola e propõe medidas para recolocar nos trilhos professores e escolas. Oliveira atuou durante vinte anos como consultor do Banco Mundial e da Organização Internacional do Trabalho e ajudou a implantar projetos de educação em mais de sessenta países. No Brasil, foi secretário executivo do Ministério da Educação e, desde 2006, está à frente do Instituto Alfa e Beto, organização não governamental que promove a alfabetização em redes públicas de ensino. Em dezembro, a ONG vai realizar pela primeira vez o Prêmio Prefeito Nota 10, iniciativa que vai identificar e recompensar o município brasileiro que mantém a melhor rede de ensino do país. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.com.




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06 novembro 2014

Voto Distrital Diminui Custo da Eleição

No artigo "Eleição Direta de Deputados e Vereadores", publicado no Espaço Aberto de O Estado de São Paulo, em 06/11/2014, Roberto Macedo chama a atenção para a dificuldade que o eleitor tem para escolher bem o seu representante. No Estado de São Paulo, havia 1.316 candidatos para 70 vagas.

Sigamos o seu raciocínio:

No primeiro turno da eleição no Estado de São Paulo não compareceram às urnas 19,5% do total de eleitores. Na de deputados federais, do mesmo total 14,8% representaram votos nulos e em branco e 6,8% votaram só na legenda. Ou seja, 41,1% (!) dos eleitores não deram seu voto a nenhum candidato, indício de desinteresse pelo pleito e evidência de que a representatividade dos eleitos já nasce comprometida.
De fato, o sistema atual é frustrante, pois quem vota pode 1) eleger alguém sem compromisso algum de representação efetiva, no que chamo de democracia-cometa, na qual o eleito aparece e desaparece como um desses corpos celestes, para só retornar quatro anos depois à cata de votos; 2) ter o voto contado para eleger outro candidato em quem talvez não voltasse de jeito nenhum, havendo também os "puxadores de voto", que elegem vários outros mal votados; 3) ter o voto perdido e sentir-se ainda mais órfão, porque os eleitos, quando muito, acham que representam apenas seus eleitores, entre os quais pontuam corporações, setores de atividade e outros grupos de interesse, cujo papel é facilitado pelo voto proporcional, pois arregimentam votos em vários municípios.
Já o voto direto e num distrito - o Estado de São Paulo teria 70 - eliminaria esses problemas, porque 1) em cada distrito haveria apenas um candidato de cada partido ou coligação e, assim, o número de candidatos viáveis se reduziria drasticamente, digamos, a meia dúzia, facilitando comparações, até por permitir sua maior exposição pelos meios de comunicação do distrito, como em debates de pretendentes ao cargo; 2) o voto num candidato excluiria o voto noutro, e sem "puxadores", já que não haveria quem puxar; 3) o eleito, então, passaria a representar todos os cidadãos do distrito, e não apenas os que votaram nele, e teria de mostrar serviço se pretendesse continuar no cargo, uma vez que esses cidadãos distritais teriam mais condições de "marcá-lo" no seu desempenho.
Outras vantagens: 1) O custo das campanhas eleitorais seria menor, eliminando ou ao menos reduzindo bastante a escala dos malfeitos que costumam acompanhar a busca de recursos para financiá-las; 2) com menor custo e maior interação entre candidatos e seus eleitores, o papel das contribuições individuais nesse financiamento poderia ser ampliado, substituindo em parte o das empresariais, que precisa ser eliminado.
Há quem aponte problemas no sistema proposto, como o de que a eleição poderia ser dominada pelas questões locais de cada distrito. Mas isso tem também seu lado virtuoso, pois é nele que as pessoas vivem. Outra crítica é que prejudicaria a representação de grupos políticos minoritários. Esses dois problemas poderiam ser contornados pelo voto distrital misto, em que o número de distritos seria reduzido à metade e o voto direto, combinado com outro em listas estaduais de candidatos apresentados pelas agremiações partidárias para escolha da outra metade de representantes.
Mas, pelas razões citadas, o voto direto distrital é proposta mais defensável, porque, em síntese, elas o apontam como capaz de atacar o sério problema da falta de representatividade dos membros do Legislativo e de sua interação com os cidadãos. Nesse vácuo de representatividade surgiu até a ideia dilmopetista de criar conselhos populares "representativos" de movimentos sociais, felizmente brecada na Câmara dos Deputados, que acordou para o risco de ser preterida no seu próprio papel institucional, ainda que mal cumprido, de representação popular. Que o Senado sepulte de vez essa mal-intencionada ideia.
Mas as dificuldades de aprovação do voto direto distrital são enormes. A principal é que os deputados federais, que decidiriam sobre o assunto, são eleitos pelo sistema atual e veriam em risco suas chances de reeleição se aprovada a novidade. Ademais, serão pressionados a votar contra ela por deputados estaduais e vereadores, muitos dos quais seus parceiros eleitorais.
Dado o conflito de interesses, talvez tenha maior chance de sucesso a ideia, já aventada em debates sobre o assunto, de adotar o sistema proposto, ou o misto, começando pelos municípios com mais de 200 mil habitantes. Outro caminho seria o Congresso Nacional submeter o tema a plebiscito, assegurado tempo suficiente para esclarecimento do eleitor. E as perguntas para votação deveriam cobrir o voto direto distrital, o voto apenas em listas, o distrital misto e a manutenção do atual sistema. Por si mesmo, a expressão voto distrital não é suficiente para esclarecer o que estaria em discussão e sua importância para o futuro político do País.
Para que a discussão no Congresso avance também serão necessárias pressões de segmentos da sociedade por meio de manifestações, abaixo-assinados e outras formas. Os que defendem o voto distrital, direto ou misto, precisam agrupar-se e agir nessa direção.
*Roberto Macedo é economista (UFMG, USP e Harvard), consultor econômico e de ensino superior 

Fonte 


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Discurso de Magno Malta após a Fala de Aécio (05/11/2014)

Após a fala de Aécio Neves em sua volta ao Senado, Magno Malta faz um discurso contundente contra o governo do PT. 



Transcrição
Senador Aécio, quero saudá-lo pelo importante pronunciamento. Vossa Excelência que sai de uma luta das mais aguerridas, em algum momento das mais sofridas já vistas neste país, Vossa Excelência que é meu companheiro aqui no Senado, foi meu companheiro na Câmara Federal, quando presidiu a Câmara Federal, com quem tenho relações pessoais de amizade.
Senador Aécio, o meu partido é da base do governo e, desde o primeiro momento, o Brasil conheceu a minha posição. Seria tolice nós nos assentarmos aqui, ouvir e apartear Vossa Excelência… Vossa Excelência que fez uma campanha o tempo inteiro falando a verdade. E a verdade que falou na televisão, nos meios de comunicação, nas ruas, repete aí nessa tribuna. Pra não reconhecermos, porque o valor…
A Bíblia diz que um é o que semeia e o outro é o que ceifa. Eu gosto de citar a bíblia porque é a minha referência. E cada um cita aquilo que lhe acha melhor na sua referência. A minha referência não usa boina vermelha, não tem barba, a minha referência não fuma charuto, a minha referência não bebe cachaça, a minha referência é Cristo mesmo! Mas o sujeito quando fala disso ou é fundamentalista ou é atrasado. Mas, se for isso, eu sempre fui e vou continuar sendo. A minha referência, na sua Palavra, diz isso absolutamente. Não não podemos ser loucos.
Eu participei do processo da campanha do presidente Lula, da segunda, e da presidente Dilma. Não dá para não reconhecer que houve avanços na área social. Houve. Mas os avanços foram feitos exatamente porque os fundamentos da economia foram dados no governo Fernando Henrique. Ora, um é o que semeia, o outro é o que ceifa. Reconhecer o que o outro fez é gesto de grandeza. Tentar desmentir isso ou não reconhecer é se apequenar demais. E foi isso que nós vimos nesse processo eleitoral.
Quando Vossa Excelência fala nesses 51 milhões, e eu faço parte desses 51 milhões que caminharam sob o comando de Vossa Excelência, clamando por mudanças no país, até porque ninguém é tão bom, absolutamente bom, que tenha que se perpetuar no poder… Eu quero lhe dar um recado, como fundamentalista que sou porque sou cristão.
Eu orava no hotel três dias atrás porque a angústia do meu coração é a angústia no coração desses 51 milhões de brasileiros, que têm a mesma sensação que eu! E eu procurava uma explicação para essa sensação e me lembrei, com todo respeito aos dois artistas, de um festival de música ocorrido no Maracanãzinho: quando todo mundo esperava o anúncio de Guilherme Arantes com “Planeta Água”, eles anunciaram Lucinha Lins, ela ganhou debaixo de vaia.Quando [o TSE] anunciou que Vossa Excelência perdeu a eleição e a presidente ganhou, é como se ela tivesse sido anunciada debaixo de vaia. A figura que arrumei para entender esse momento.
Pois bem. Quero te dar o recado: Vossa Excelência não perdeu as eleições, senador Aécio. Vossa Excelência recebeu um livramento da parte de Deus. Sabe por quê? Esse país tá quebrado, economia maquiada. Vossa Excelência acabou de dar os números. Aqueles que diziam que Vossa Excelência ia levantar os juros para tirar comida do pobre, dois dias depois da eleição [aumentaram para] 11,25%! Ora! O país tá quebrado. Nós vamos caminhar para dias terríveis. As medidas que terão que ser tomadas para não permitir que este país vá para o buraco, vá para o fosso, elas serão amargas. E se Vossa Excelência passa pelas urnas, Vossa Excelência teria que tomar essas medidas, medidas que Vossa Excelência ia ter que tomar, atitude contra Bolsa-Cadeia, Bolsa de Não-Sei-O-Quê, esses pacotes de bondade que foram feitos eleitoralmente, Vossa Excelência ia ressuscitar e trazer para as ruas quem está caminhando para a morte. Eles iam instigar o povo e Vossa Excelência, como presidente, ia pagar uma conta que não é sua! Quem vai ter que pagar essa conta é quem fez strip-tease moral em praça pública e destruiu a economia desse país!
Digo a Vossa Excelência, eu sou do PR: é da base do governo. Tantos outros gostariam de estar aqui, mas nem todo mundo é doido como eu. Até porque medo eu conheço de ouvir falar, nunca fui apresentado. Eu sou um homem, que aprendi com Dona Dadá, minha mãe, lidar com justiça. E para tanto parabenizo Vossa Excelência pela campanha que fez, sem medo de assumir, como cristão, a sua posição de família. E ao anunciar a posição daqueles que receberam ordem, receberam ordem, procuração de 51 milhões de brasileiros para se comportar como tal nessas duas casas, que Vossa Excelência comande e que nós não permitiremos qualquer coisa que cheire vilipêndio contra a família desse país.
Porque Deus não criou Ministério Público, Deus não criou Conselhos Populares, Deus não criou PT, Deus não criou PSDB; Deus criou família! Nós precisamos proteger a família, porque a partir da família tudo, fora da família nada. Quero lhe parabenizar e dizer que estou com Vossa Excelência, porque daqui a 4 anos eles vão ter que amargar e beber o veneno que eles construíram. Vossa Excelência recebeu o livramento! Guarde isso! Livramento! Porque daqui a 4 anos, o Brasil saberá que o homem que Deus levantar para assumir este país, esse homem estará pronto e com o apoio da nação para fazer as mudanças necessárias, porque neste momento eles iriam pra rua, iriam suscitar e incitar o povo para poder fazer de Vossa Excelência um Judas do Brasil, para que Vossa Excelência pagasse uma conta daquilo que Vossa Excelência não comprou e deixou de pagar. Que paguem a conta aqueles que, depois de entender que pegaram parte do Brasil dos nossos irmãos mais simples pelo estômago, disseram: ‘agora pelo estômago nós pegamos eles, agora nós podemos fazer strip-tease moral em praça pública às dez horas da manhã que está tudo dominado e ganharemos qualquer eleição. Não será dessa forma. Parabéns à Vossa Excelência e estaremos juntos durante esse período.
Aécio: Muito obrigado, senador Magno.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil
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Discurso de Aécio no Senado Federal em 05/11/2014

Discurso de Aécio em sua volta ao Senado depois de perder as eleições para presidente, após receber 51 milhões de votos.




Transcrição
Retorno hoje à tribuna, ao lado de tantos dos nossos companheiros, para falar aos brasileiros pela primeira vez, desde que se encerrou a campanha eleitoral que enfrentamos este ano.
Antes de qualquer outra ponderação, devo afiançar-lhes: sinto-me especialmente gratificado e feliz!
Vivi uma das jornadas mais importantes de toda a minha trajetória política, de toda minha vida – a mais difícil e desafiadora que um homem com responsabilidade pública pode protagonizar.
Estou agradecido e honrado pela manifestação de mais de 51 milhões de brasileiros de todas as nossas regiões, de todos os municípios, de todas as idades e classes sociais, que viram na nossa candidatura a possibilidade de construir um caminho melhor para o Brasil.
Um caminho para mudar de verdade o Brasil.
É com esse sentimento e consciente de minhas graves responsabilidades que retorno a esta Casa e venho a esta tribuna. E retorno com convicções ainda mais sólidas.
Nos últimos meses, representando inclusive muitos de vocês, representando inclusive muitos dos senhores que aqui estão e milhões de brasileiros que nos ouvem hoje, me coloquei como alternativa na defesa de um Estado mais eficaz. Um Estado moderno, que valorizasse a transparência, reconhecesse a meritocracia e, sobretudo, zelasse pelo bom destino do dinheiro público e prestação de serviços de qualidade à população.
Defendi a retomada das reformas para modernizar nossa economia e retirá-la da paralisia e do marasmo em que o atual governo a colocou.
Comunguei, junto com milhares de brasileiros, em especial com Marina Silva e Eduardo Campos, a agenda do desenvolvimento sustentável, a transição rumo à economia de baixo carbono, caminho que se mostra cada vez mais imperativo se quisermos construir um futuro adequado para nossos filhos e netos.
Advoguei em todas as partes do Brasil a necessidade da maior participação do investimento privado na construção da infraestrutura para que deixássemos de ser aprisionados por uma visão ideológica estatizante e ultrapassada.
Defendi a manutenção e avanços nos nossos programas sociais, para que pudessem servir melhor à população e sair definitivamente da perversa exploração eleitoral a que foram mais uma vez submetidos.
E propus a reaproximação do Brasil ao resto do mundo, ao qual demos as costas nos últimos anos ao priorizar as parcerias com governos ideologicamente alinhados.
Também, senhoras e senhores, me posicionei na firme na defesa de valores que foram aviltados dia após dia; na busca da recuperação da ética atropelada pelo vale-tudo político; na preservação do interesse público, tão vilipendiado por interesses privados e partidários; e no combate sem tréguas à corrupção, que atinge níveis como nunca antes se viu no país.
Ao atual estado de coisas, mais de 50 milhões de brasileiros, senhores senadores, disseram não.
E disseram “não” porque buscavam e sonhavam, como continuando buscando e sonhando, com um país melhor, um país verdadeiramente justo, mais honesto, mais equilibrado e um governo que seja mais eficiente e aja com maior decência.
Porque acreditam que o rigor da lei deve atingir a todos.
Estes milhões de cidadãos que marcharam conosco também compartilham da nossa visão de que o atual modelo político encontra-se esgotado, degradado pelos atos daqueles que nos governam há mais de uma década.
Assim como nós, também perceberam que convivemos hoje com um modelo econômico estagnado, desequilibrado, cada vez mais isolado do mundo, com um Estado pesado e pouco produtivo.
Aos apoios e tantos foram eles que recebemos foram se somando muitos outros, e pouco a pouco nossa candidatura deixou de ser apenas a de um partido político, de uma coligação partidária, para se tornar um movimento como poucas vezes se viu na história brasileira.
Perdemos as eleições por uma pequena diferença, mas algo de novo, novíssimo aconteceu no Brasil: a chama da renovação se acendeu e continua mais forte do que nunca, ultrapassando o tradicional marco do processo eleitoral.
Sinto nas ruas, nas conversas e tenho certeza que os senhores da mesma forma percebem isso, nas redes sociais, que o ânimo da população por uma verdadeira mudança, por um novo rumo, não esmoreceu.
Tenho a dizer a todos e a cada um de vocês: nosso projeto para o Brasil continua mais vivo do que nunca.
Senhoras e Senhores, parlamentares que lotam este plenário. Travamos, nestas eleições, uma disputa desigual. Uma disputa em que os detentores do poder usaram despudoradamente o aparato estatal para se perpetuarem, por mais quatro anos, no comando do país. Esta é a verdade.
Adotou-se um vale-tudo nunca antes visto na nossa história. Nossos adversários cumpriram o aviso dado ao país, de que nas eleições se pode “fazer o diabo”. E fizeram.
Mostraram que não enxergam limites na luta para se manter no poder. A má-fé com que travaram a disputa chegou às raias do impensável, do absurdo. E agrediu a consciência democrática do país.
Primeiro atingiram Eduardo Campos, depois Marina Silva e, por último, fui eu o seu alvo preferencial. Mais grave ainda, espalharam o medo entre pessoas humildes, manipularam o sentimento de milhares de famílias, negando-lhes o livre exercício da cidadania.
Esta intimidação e esta violência só têm paralelos em regimes que demonstram muito pouco apreço pela democracia. Nesse vale-tudo eleitoral, legitimaram a calúnia e a infâmia como instrumentos da luta política. Usaram a mentira para tentar assassinar reputações.
- Acrescentou-se ao cenário do uso vergonhoso da máquina pública, simbolizado emblematicamente pela atuação dos Correios, essa grande empresa brasileira. E aqui peço licença para saudar os seus funcionários e agradecer as inúmeras manifestações de solidariedade que deles recebemos na luta contra esse crônico aparelhamento da empresa.
Neste caso, viu-se o inimaginável, que resume um pouco de tudo o que aconteceu: de um lado a postagem de correspondências da candidata do PT sem chancela, significa que, na prática, nunca o Brasil saberá qual volume de propagandas do PT foi efetivamente enviado sem pagamento.
De outro lado, a não-entrega de milhares de correspondências pagas pelos partidos de oposição, e deixo aqui mais uma vez nesta tribuna, constatada esta denúncia como as enviadas pelo PSDB e o Solidariedade não chegaram aos seus destinatários. E essas violações são objeto hoje de ações protocoladas por nós na Justiça Eleitoral e na Procuradoria da República.
Mas não foi apenas isso.
A anti-política também assumiu a face do medo que fez milhões de brasileiros reféns da insegurança. Vejam os senhores, aonde chegaram: Sabe disso o senador Cássio Cunha Lima e tantos outros brasileiros:
- Nas regiões mais pobres do país, carros de som espalhavam que 13 era o número para permanecer no Bolsa Família e 45 o número para se descredenciarem do programa.
- Famílias receberam ligações e mensagens dizendo que se a oposição vencesse, o programa Minha Casa, Minha Vida seria extinto.
- Funcionários de empresas estatais foram informados de que iríamos privatizar empresas e que seriam todos eles demitidos!
- No geral, o que se assistiu foi uma campanha baseada no estímulo ao ódio – um projeto amesquinhado e subordinado ao marketing do medo e da ameaça.
- Tentaram, a todo custo, dividir o país ao meio, entre pobres e ricos, entre Nordeste e Sudeste como se não fôssemos, e esse fosse o nosso mais valioso patrimônio, um só povo, um só país, uma só esperança de tempos melhores.
A vitória do PT alavancada através desses expedientes explica o grande sentimento de grande frustração que tomou conta de milhões de brasileiros após o resultado.
Mesmo enfrentando tudo isso, e esta para mim é a questão mais relevante, o sentimento de mudança que moveu a candidatura das oposições que tive a honra de liderar alcançou um resultado magnífico.
Reconhecemos o resultado das eleições. Sou um democrata. E aqui não se trata mais de contar votos, de fazer comparações, ou medir desempenho apenas do ponto de vista eleitoral.
Mais importante que tudo isso é saudar o novo país que surgiu das urnas. E esse é o fato mais marcante, extraordinário e maravilho dessas eleições que a história haverá de registrar: nós assistimos ao despertar de um novo país. Um país sem medo. Um país crítico. Um país mobilizado. Um país com voz e convicções.
Um país que não aceita mais o discurso e a propaganda que tenta sem prejustificar o injustificável. Que tenta esconder a realidade.
O Brasil que saiu das urnas é um novo Brasil, onde os brasileiros descobriram que podem eles próprios serem protagonistas do seu próprio destino.
Por todas as regiões, milhares de pessoas ocuparam as ruas de forma espontânea. Não apenas para apoiar um nome, mas uma causa. Os brasileiros, senhor presidente e senhores senadores, perderam o constrangimento de dizer aquilo que não concordam, que não aceitam, que não pactuam. E eles não pactuam mais com a corrupção, com o desmando e com tanta ineficiência.
Ocuparam as ruas para mostrar que sabem o que está acontecendo com o Brasil e que não vão permanecer mais em silêncio.
Nessa campanha eleitoral, milhões de brasileiros, e a história registrará isso de forma muito clara, tomaram posse do seu próprio país. Os exemplos estão por todos os cantos.
Estão nos idosos e quantos foram aqueles com quem me encontrei ao longo desta caminhada, de 80 ou de mais de 90 anos de idade, que me diziam que faziam questão de ir às urnas para ajudar a fazer a mudança.
Nas crianças que me enviaram desenhos e mensagens por toda a parte do país querendo participar deste processo que significa na verdade a construção do seu próprio futuro.
Este país se fez ver nos debates que tomaram as escolas e universidades de todo país.
Nos jovens que ocuparam de forma pacífica e alegre as ruas de todo Brasil. Nas correntes de oração que uniram milhões de brasileiros.
E me emociono de lembrar de muitas delas. Das freiras Clarissas, que ouviam os nossos debates de joelhos acreditando num país melhor para todos os brasileiros.
Ao final, acredito sinceramente que esta campanha permitiu o reencontro dos brasileiros com o país que ainda sonham ter e sonhamos ser.
Me sinto particularmente honrado em ter podido ser parte desse movimento. E com a mesma firmeza com que falei aos brasileiros e os convoquei a darem voz à sua indignação e à sua esperança, saúdo neste momento, mais uma vez a todos os brasileiros, mas especialmente das regiões mais pobres e de forma especialíssima ao Nordeste brasileiro, mas saúdo aqueles que, corajosamente, marcharam ao nosso lado, mobilizados por um único desejo, uma única vontade, um único sonho em comum: o sonho da mudança. A mudança que representa um novo projeto depaís, no lugar de um projeto de poder.
Quero expressar aqui o meu mais irrestrito respeito àqueles que democraticamente fizeram outra opção e deixar minha palavra de agradecimento aos companheiros do PSDB, do DEM, do Solidariedade, do PTB e dos outros partidos que fizeram conosco essa caminhada.
E agradeço de forma especial aos companheiros do PSB de Eduardo Campos, do PPS, do PV, do PSC, do pastor Everaldo aqui presente, e dissidentes do PMDB, em especial Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Ricardo Ferraço, dentre outros; do PDT de Pedro Taques, Cristovam Buarque e Reguffe; e do PP da grande senadora e amiga Ana Amélia, quero aqui agradecer o privilégio da sua companhia nesta caminhada, do senador Dornelles, e de tantos quantos em partidos que não estão hoje no âmbito da oposição, fizeram fazer prevalecer a sua consciência e a sua responsabilidade para com o país.
Através deles, homenageio, milhares de lideranças políticas, espalhadas por todos os municípios brasileiros que disseram sim à mudança. A essas forças políticas, somaram-se forças da sociedade: sindicatos de trabalhadores, entidades de classe, associações comunitárias, profissionais liberais, médicos, advogados, servidores públicos indignados com o que vêem acontecer em suas empresas.
Mas nada, nada foi mais forte do que a volta dos jovens às ruas para, deforma pacífica, dizer um sonoro “Basta” a tudo que está aí.
Portanto, meus amigos e minhas amigas,
Subi já várias vezes a esta tribuna. Por inúmeras vezes na tribuna da nossa Casa irmã, a Câmara dos Deputados, mas em nenhum momento, com esta carga de responsabilidade.
E quero aqui, do alto desta responsabilidade, reafirmar para que os anais desta casa registrem para a história que, de todas, a mentira foi a principal arma dos nossos adversários.
Mentiram sobre o passado para desviar a atenção do presente. Mentiram para esconder o que iriam fazer tão logo passasse as eleições. Fomos acusados de propostas que nunca fizemos. Assistimos a reiteradas tentativas de reescrever a história, sempre nos reservando o papel de vilões que jamais fomos, e não somos.
No entanto, não demorou muito para que a máscara começasse a cair. O Brasil escondido pelo governo na campanha eleitoral está se revelando a cada dia.
- Alertei durante todo o processo sobre os riscos da inflação. Perante toda a nação, a presidente insistiu em negar o problema evidente da alta de preços, da carestia. O desenrolar dos fatos mostrou quem tinha razão.
Apenas três dias após as eleições – repito: três dias – o Banco Central elevou os juros já escorchantes da nossa economia e não sei se irá parar por aí…
Para a presidente, em sua campanha, elevar os juros era retirar comida do prato dos mais pobres.
Pois bem, se isso era verdade, foi o que ela fez logo que ganhou as eleições: prejudicando os brasileiros mais carentes. E sabia que iria fazer isso!
O governo escondeu o rombo das contas públicas brasileiras, que registraram em setembro o pior resultado da nossa história: R$ 20 bilhões num único mês! Resultado: desde o início do governo Dilma, a dívida pública brasileira já cresceu mais de oito pontos do PIB apenas nesse período.
Escondeu reiteradamente que havia a urgente necessidade de ajustes, mas agora antecipa que eles deverão ser “duríssimos”, no ano que vem, em meio a um ambiente econômico que já não cresce e que a cada dia gera menos empregos.
- Para complicar, o déficit comercial só cresce, indicando problemas flagrantes na competitividade da nossa economia, e o rombo nas contas externas aumenta e nossas taxas de investimento e poupança só diminuem. Chegamos a ter a menor taxa de nossa economia em décadas.
- A candidata oficial também negou a necessidade de reajustar tarifas públicas e, mais que isso, acusou a minha candidatura de estar preparando-os, caso vencêssemos as eleições.
- Pois bem, a presidente já está fazendo o que disse que não faria: na próxima semana, teremos o aumento da gasolina e já nesta semana as tarifas de energia sofrerão reajustesque simplesmente anulam toda a redução obtida com a trucenta intervenção havida no setor elétrico nos últimos dois anos.
- Sem falar na ameaça, estampada nos jornais de hoje, de que no verão nos esperam apagões de energia. E o mais grave, senhoras e senhores, ao omitir dos brasileiros a verdade, e adiar medidas necessárias a conta a ser paga aumenta exatamente para aqueles que menos têm.
Me orgulho de ter feito uma campanha limpa. Mas isso parece não importar aos donos do poder. Ganhamos, devem estar dizendo, e é isso que importa.
Quem falou a verdade foi tachado de pessimista, de ser contra o Brasil, e quantas vezes ouvi essas acusações. Mas a história rapidamente mostrou quem tinha razão: esconder, camuflar, virou a rotina deste governo.
Só não conseguiram esconder os escândalos de corrupção porque os delatores que faziam parte do esquema resolveram falar a verdade para diminuir suas penas e todo esforço feito inclusive nesta Casa pra inibir as investigações foi em vão. Os fatos falaram mais alto.
Agora, os que foram intolerantes durante 12 anos falam em diálogo. Pois bem: qualquer diálogo tem que estar condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros e, principalmente, ao aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo da história deste país, já conhecido como “Petrolão”.
A triste realidade é que o governo não se preparou para controlar a inflação, recuperar o controle fiscal e reduzir nosso desequilíbrio externo para voltarmos a crescer e gerar empregos de maneira sustentável.
O que se observa hoje é um governo ainda sem um plano econômico – aliás, sem plano algum que tenha sido trazido a conhecimento da sociedade brasileira. Exceto pela ameaça de aumento da carga tributária e de mudanças em direitos dos trabalhadores, como o seguro-desemprego – contra os quais desde já nos posicionamos.
Senhoras e senhores. Ainda que por uma pequena margem, o desejo da maioria dos brasileiros foi que nos mantivéssemos na oposição. E é isso que faremos, com o ânimo redobrado.
É isso o que faremos conectados com o sentimento de metade do país que temos hoje a responsabilidade de representar.
Faremos uma oposição incansável, inquebrantável, intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, acompanhar, cobrar e denunciar. Vamos combater sem tréguas a corrupção que se instalou no governo brasileiro.
E, mesmo sendo minoria no Congresso, vamos lutar para que o país possa avançar nas reformas e nas conquistas que precisamos alcançar.
E a nossa prioridade deverá continuar a ser a mesma que teríamos se fossemos governo: sempre os mais pobres, sempre a diminuição das desigualdades que ainda nos envergonham.
É hora de olhar para frente. De cuidar o presente, para prover o futuro que o Brasil e os brasileiros merecem ter.
Três compromissos fundamentais vão orientar a nossa luta: o compromisso com a liberdade, com a transparência e com a democracia. Primeiro, a defesa intransigente das liberdades, em especial a liberdade de imprensa. Segundo, a exigência da transparência em todas as áreas da administração pública. Terceiro, a defesa da autonomia e fortalecimento dos poderes como base de uma sociedade democrática.
E aqui antecipo, que o decreto dos conselhos populares enviado ao Congresso Nacional sem qualquer discussão prévia, deverá ter aqui, no Senado, o mesmo fim que teve na Câmara dos Deputados, o seja, o arquivo.
Defendo como sempre defendi, a ampliação das consultas populares e da participação popular na definição das políticas públicas neste país. Mas isso tem de ser feito em diálogo permanente com os representantes do povo brasileiro e eles estão aqui no Congresso Nacional.
Senhoras e senhores, neste cenário de tão grandes dificuldades esperadas, vamos estar mais firmes do que nunca: vamos cumprir o nosso dever!
Precisamos estar atentos aos nossos adversários, que, poucos dias depois das eleições, divulgam um documento oficial que mostra sua verdadeira face: a da intolerância, a da supressão das liberdades, a dos ataques às instituições.
Mais que isso, nossos adversários de novo não se constrangem em propor um projeto que se pretende hegemônico, o oposto daquilo que a democracia pressupõe: liberdade de escolha e alternância de poder.
Não satisfeitos em atacar instituições, em atentar contra a democracia, tentaram carimbar na nossa candidatura características que na verdade retratam a própria ação petista.
Dizem no documento que a minha candidatura representou “o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar”.
Não, senhoras e senhores, esses atributos que jogam sobre mim, na verdade, eles jogam sobre 51 milhões de homens e mulheres que são verdadeiramente atacadas pelo PT neste instante em um documento oficial.
A grande verdade é que nossa campanha respeitou os limites da ética, falou a verdade, defendeu a democracia em todos os instantes e, por isso, conectou-se com toda a sociedade brasileira.
Não, nós não somos isso que querem fazer crer. Somos, na verdade, brasileiros de várias matrizes ideológicas que se, de alguma forma, se juntaram, se encontraram, no mesmo campo político, no mesmo projeto, é porque este era o projeto melhor para o país.
Senhoras e senhores, essas não são, como disse aqui, as características do povo brasileiro. Somos um povo generoso. E a missão da atual e próxima presidente da República, disse isso a ela no telefonema que lhe fiz, logo após a homologação do resultado eleitoral, é exatamente este, maior que qualquer outro, de unir o país, em torno de um projeto de desenvolvimento, mas para isso é preciso falar a verdade. Para isso é preciso encarar nos olhos todos os brasileiros.
Como já disse, e repito mais uma vez, é nosso desejo verdadeiro contribuir para que o país avance através das reformas que os brasileiros há tanto tempo esperam e há tanto tempo buscam, como a reforma política e a tributária.
É hora de o Brasil conhecer as bases da proposta de reforma política do governo até hoje omitida. Porque deverá ser debatida e aprovada nesse Congresso legitimamente eleito e depois sim, submetida através de referendo, ao crivo da sociedade brasileira.
Qualquer outro caminho é mais uma tentativa diversionista para tentar distrair a plateia de outros graves problemas que estamos enfrentando e ainda vamos enfrentar.
É nosso compromisso, senhoras e senhores, transformar o Bolsa Família em política de Estado, para livrar o país, definitivamente, da chantagem eleitoral, que se repete, eleição após eleição, a céu aberto, sem qualquer constrangimento.
Da mesma forma, vamos trabalhar incessantemente para dar à segurança pública patamar de política de Estado, para por fim às omissões do governo central nesta área.
Vamos cobrar cada uma das promessas para a melhoria da qualidade da nossa educação básica, ainda tão fragilizada e carente de recursos e esforços convergentes.
É crucial recuperar imediatamente os patamares de investimento em saúde pública, para revertermos o quadro dramático de desassistência em todo o país.
Cobraremos, senhoras e senhores, e este é o nosso papel, deste governo a vigência de um estado que respeite direitos, em contraposição ao flagrante regime de drásticas insuficiências que se abateu sobre o país e penaliza diretamente os mais pobres, os que mais precisam, aqueles que menos têm.
E este talvez seja, senhoras e senhores, o grande desafio do Brasil do nosso tempo: ser uma Nação que garanta direitos dignos dos cidadãos.
O Brasil real exige providências efetivas que resgatem os direitos das pessoas à vida, à dignidade. Basta de tanta omissão. Chega de terceirizar responsabilidades e penalizar estados endividados e municípios à beira do colapso financeiro.
E aqui faço questão de reiterar um dos nossos compromissos mais importantes: a restauração plena da Federação brasileira, engolfada pela incúria do governismo e uma das mais drásticas concentrações de recursos, poder e mando da história republicana na órbita da União.
O Brasil exige – e nós cobraremos desse governo – respeito à lógica federativa, o que significa compartilhar decisões e responsabilidades e repartir com mais justiça e equidade os impostos arrecadados com o trabalho dos cidadãos.
Por iniciativa desta casa e saúdo mais uma vez a senadora Ana Amélia, começamos a trabalhar e conseguir avanços nessa direção.
Peço licença para encerrar essas minhas primeiras palavras agradecendo a todos e a cada um dos companheiros, e a cada um deles, com que tive a honra de cumprir essa jornada de amor ao Brasil.
Saúdo, na família de Eduardo Campos, de sua esposa Renata e seus filhos, cada família brasileira que uniu gerações no sonho de mudar o Brasil.
Saúdo em Marina Silva a capacidade de priorizar, acima de tudo, o amor ao Brasil. A ela meu imenso respeito pessoal e a certeza de que, mais do que nunca, seu protagonismo se faz necessário para consolidarmos a grande travessia.
Nos companheiros do PSDB, saúdo o encontro e o reencontro com a nossa história, nossos princípios e nossos compromissos com o país.
E me permito homenagear a todos na figura do grande estadista Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República.
Aos nossos aliados, saúdo o desprendimento e a crença inabalável em uma Nação forte, justa, mais igual. A oposição a partir de agora não terá a voz de um líder. Seremos todos porta-vozes de um inédito sentimento por mudanças que galvanizou o país.
E me dirigindo, respeitosamente, aos que venceram essas eleições, e que democraticamente cumprimento, reafirmo que: ao olharem para as oposições no Congresso Nacional, não contabilizem apenas o número de cadeiras que ocupamos seja no Senado ou na Câmara.
Enxerguem, através de cada gesto, de cada voto, de cada manifestação de cada um dos nossos, a voz estridente de mais de 51 milhões de brasileiros que não aceitam mais ver o país capturado por um partido e por um projeto de poder.
É a esses brasileiros que quero garantir ao final, de forma muito clara: nossa travessia não terminou. Nós não vamos nos dispersar.
A cada brasileiro e a cada brasileira que foi às ruas. Que vestiu as cores da nossa bandeira. Que enfrentou as calúnias e constrangimentos de um exército pago nas redes sociais. Que com alegria e esperança defendeu a mudança, a ética e a união dos brasileiros. A cada um de vocês, digo, em nome dos companheiros da oposição, agora e a cada dia dos próximos anos: estaremos presentes. Vamos em frente, juntos sempre, por um Brasil melhor que o Brasil atual!
Muito obrigado.
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