15 janeiro 2015

Reforma Política: Obstáculos

Tese: O Brasil, como sociedade, ainda não quer a reforma política.

As razões são históricas: herança escravocrata muito forte, predomínio do Estado, acesso precário à educação de qualidade...

Detalhemos os obstáculos: 1) qualquer mudança radical vai enfraquecer e afastar os políticos importantes; 2) ainda não existe uma proposta pronta e acabada de reforma política; 3) nada de muito significativo pode ser feito perto das eleições, que acontecem a cada dois anos; 4) o processo de aprovação da reforma é lento e estafante; 5) a população como um todo não está muito interessada nos detalhes da política. 

O mensalão, por exemplo, não conseguiu tirar muitos votos do PT. Por quê?

a) A imprensa escrita é pouco relevante em termos numéricos;
b) A informação adquirida pela televisão é de cunho recreativo;
c) O brasileiro está satisfeito com o Brasil. 

Observe que em 2013, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em associação com o Gallup, divulgou uma pesquisa em que o Brasil aparece como um dos campeões da "felicidade". Quando o povo está feliz ele tende a ser complacente com a conjuntura. 

Na obra Country Risk - Assessment and Monitoring, Thomas E. Krayenbuehl propõe uma fórmula simples para se entender a relação entre o eleitor e a representatividade. 

Elevado índice de alfabetização & distribuição desigual de renda = descontentamento e instabilidade

Elevado índice de alfabetização & distribuição equilibrada da renda = satisfação

Baixo índice de alfabetização & distribuição desigual de renda = baixa conscientização. 

No Brasil, há um "desinteresse cristalizado" pela política e consequentemente por sua reforma. 

Fonte de Consulta

ARAGÃO, Murillo de. Reforma Política: O Debate Inadiável. Rio de Janeiro: José Olympio, 2014.


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