06 março 2015

Discurso de Serra no Senado (04/03/2015)

José Serra fez, em 4 de março de 2015, o seu primeiro discurso no Senado, retratando um histórico político-econômico do Brasil e sua inserção no mundo. Começou citando o Primeiro-Ministro inglês Winston Churchill, o qual dizia que a política requer pelo menos duas habilidades: 1) prever o que vai acontecer amanhã, na semana que vem e no ano seguinte; 2) é preciso explicar depois por que as previsões não se cumpriram. 

Na era PT, há um abismo entre a promessa e sua capacidade de explicar por que as coisas não acontecem. 

Em seu discurso, tenta explicar como e por que outras coisas têm acontecido. 

As graves dificuldades econômicas da atualidade vêm do segundo período do Presidente Lula, mesmo com a bonança externa nunca antes vista: de 2003 a 2008, o Governo Lula teve US$ 100 bilhões a mais por conta da melhora das relações de troca da economia, sem nenhum esforço, apenas pelo aumento dos preços de nossas exportações. Nessa situação, deveria baixar juros, mas não o fez; ao contrário, aumentou-o. Em geral, os juros sobem quando o governo tem escassez de divisas e precisa atrair dinheiro. No final de 2009, a diferença dos juros no brasil com relação o exterior era de 8,5%. 

Qual foi a consequência? Os preços de commodities, das nossas matérias-primas, para cima, mais o afluxo de capitais pelos juros altos inundaram a economia brasileira de dólares e o real sobrevalorizou-se. Com isso, o preço das importações caíram, as importações industriais passaram a crescer aceleradamente, mas não a importação para investimento e, sim, para consumo. Resultado: o Brasil se desindustrializou. Resumindo: nós tivemos câmbio megavalorizado, déficit em conta-corrente crescendo, aumento da rigidez fiscal – tudo isso até 2010.

Nesse período, não houve expansão significativa de investimento em infraestrutura. Torramos o dinheiro do boom do comércio exterior em consumo, prejudicando a competitividade e produtividade da indústria brasileira. No Governo Dilma, tivemos mais do mesmo. 

Volta a enfatizar que Governo existe para antecipar acontecimentos. Cita os exemplos da Prefeitura de São Paulo e o Governo Dilma: quem vence a inaptidão? "O grande erro da natureza é a incompetência não doer". Para a maioria dói, para eles não parece doer. Essa é a verdade. 

Lembra de três alucinações no Governo PT: 1) trem-bala; 2) energia elétrica; 3) plebiscito para reforma política. 

O que caiu mesmo foi a indústria: não há nenhum país no mundo que esteja desenvolvendo bem, países emergentes, em que a indústria não esteja comandando. 

Nós temos hoje pela frente, neste ano, estagnação, desemprego, quedas de salário, inflação teimosa, aperto externo e juros siderais. Em cima disso, quer-se aumentar os juros, cortar gastos, eliminar benefícios sociais; tudo em cima. O ajuste vai aprofundar o desajuste.



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