04 novembro 2015

Programas Sociais: Altruísmo Eficiente

William MacAskill, professor da Oxford e autor de um estudo que comprova que nem todos os programas sociais são eficientes, concedeu uma entrevista à Veja. Nela expõe suas dúvidas sobre o poder do marketing nas doações de recursos para a caridade. 

No ano passado, foi contrário ao "desafio do balde de gelo", em que mais de 17 milhões de pessoas convocavam conhecidos para que se autoinfligissem um banho de água fria ou doassem dinheiro a pesquisas sobre a esclerose lateral amiotrófica. Acha que o dinheiro seria muito mais bem aproveitado se fosse destinado ao combate da malária em países pobres. Esforça-se por difundir a ideia de que o ser humano não deveria agir por afeto, impulso ou boa vontade, mas com base em estudos científicos, o "altruísmo científico". 
Segundo William MacAskill, a erradicação da pobreza deveria ser a única para as doações monetárias. "Quando as pessoas agem movidas pela culpa, não se importam com o destino da doação. Para elas, isso equivale a entrar em um shopping center e comprar alguma coisa apenas para sentir melhor". 

Sobre a efetividade da ajuda, cita o fenômeno da "licença moral" descoberta pelos psicólogos, em que as pessoas compensam a boa ação por uma contrária. "Um experimento com pessoas que compraram produtos "verdes", que não agridem o meio ambiente, revelou que, após adquirirem esses itens, elas se mostravam mais propensas a mentir e até a furtar dinheiro. 

Há necessidade de não sermos movidos apenas pelo sentimento de culpa, mas que saibamos apreciar se o dinheiro doado a uma causa está realmente atendendo à causa e que ela seja a melhor possível, a mais bem gerida. 

William MacAskill é autor do livro "Doing Good Better".

Fonte: Revista Veja de 4 de novembro de 2015. 




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