06 janeiro 2018

Petrobras: Gestão Corretiva

Chamada de capa de diversos jornais e revistas: indenização oferecida pela Petrobras para pôr fim à disputa judicial com acionistas da empresa nos EUA é US$ 2,95 bilhões. Este valor é 6,5 vezes maior do que dinheiro recuperado pela Lava Jato.

Por que o Brasil teve de celebrar esse acordo? Porque o sistema judiciário americano cumpre as leis estabelecidas. Os acionistas americanos, que confiaram na Petrobras, se viram lesados, roubados e, por isso, pediram indenização. Nesse caso, estava previsto o julgamento desse recurso na Suprema Corte dos Estados Unidos, com risco de a Petrobras perder, e o caso iria a júri popular.

Sobre a nova gestão da Petrobras, a colunista Miriam Leitão destaca: 

“Em 2013, o petróleo teve preço médio de US$ 109 o barril, e o ano terminou com um fluxo de caixa livre de R$ 41,8 bilhões negativos. Em 2016, o petróleo ficou em média de US$ 44, e houve um fluxo de caixa livre positivo de R$ 41,6 bilhões. Ou seja, a Petrobras deu uma virada de R$ 83 bilhões, mesmo em situação de preços bem piores.”

“O endividamento líquido caiu de US$ 103,5 bilhões, no segundo trimestre de 2016, para US$ 88,1 bi no terceiro trimestre de 2017. O número que é analisado no mercado — a relação da dívida com o fluxo de caixa — caiu de 4,3 para 3,16, e a meta é 2,5. Além disso, foi feito um alongamento da dívida, que reduziu, por exemplo, uma grande parte dos títulos que venceriam neste ano eleitoral. Esse foi o contexto do passo dado ontem.”

Deduz-se que o problema não é somente a corrupção que se infestou no Brasil, mas, em muito maior grau, a gestão ineficiente dos recursos públicos.