08 novembro 2018

Crise na Educação: Hanna Arendt

Jocinei Godoy, colunista do Instituto Liberal, traça paralelos no fragmento do livro "Entre o passado e futuro" da filósofa alemã Hanna Arendt, cujo titulo é: "A crise na educação". Começa o seu artigo chamando a atenção para os baixos resultados nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

Hanna Arendt, verificando a crise que assolava os EUA na década de sessenta, identificou os seguintes fatores: a) a educação como instrumento de politização; b) a ilusão emergente do pathos do novo; c) o nivelamento e emancipação forçada das crianças; d) o descolamento da pedagogia com o ensino.

Questão chave: até que ponto o ato de ensinar e aprender deve se pautar pela autoridade decorrente da tradição em um mundo que não mais se estrutura por estes valores – autoridade e tradição?

1. Educação como instrumento de politização. Na contextualização brasileira, chama a atenção para o livro de Paulo Freire "A educação como ato político partidário", cujo conteúdo transformou o ensino em formação de militantes político-partidários. Consequentemente, a matéria concreta dos cursos ficou em segundo plano.

2. A ilusão emergente do pathos do novo. Cada geração nasce no interior da geração já existente. A ideia do novo é sempre posta em prática. Aí reside o perigo, pois deixam de lado os arcabouços teóricos já assimilados pelos seus antecedentes. "Quando as regras da razão humana são postas à parte, dando lugar a pragmatismos que visam a um progresso artificial, o fiasco na educação é inevitável".

3. O nivelamento e emancipação forçada das crianças. Na modernidade, percebeu-se que a criança aprendia o que o adulto queria que aprendesse. Surgiu, assim, a ideia de que a criança possui um mundo próprio, descolado dos adultos. Deixá-las aos seus pares, sem interferência dos adultos, foi uma técnica adotada. 

4. O descolamento da pedagogia e do ensino. A primazia do "aprender fazendo", mostra que quando o professor ensina é como interferir negativamente no mundo infantil. Lembremo-nos do trivium (retórica, gramática e lógica) e no quadrivium (aritmética, geometria, música e astrologia).

Leia o texto integral em: https://www.institutoliberal.org.br/blog/a-crise-na-educacao-brasileira-por-hannah-arendt/


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