16 março 2006

Eleição e Realidade Econômica


Em todo o ano eleitoral, os marqueteiros políticos estudam os diversos temas factíveis de fisgar o eleitor menos avisado. Ultimamente temos assistido muito mais a uma disputa entre os marqueteiros do que entre os políticos propriamente ditos. Cada empresa procura se mostrar mais qualificada para vender o seu peixe, a propaganda, no sentido de tornar o seu candidato vencedor. Por isso, a ênfase nos aspectos emocionais, como por exemplo, a esperança vencendo o medo.

Tenhamos em mente as promessas feitas na campanha eleitoral de 2002. O atual presidente havia prometido o espetáculo do crescimento, com a criação de 10 milhões de empregos formais com carteira assinada e todas as proteções oferecidas pela CLT e pela Previdência Social, dobrar o salário mínimo em termos reais, o programa fome-zero etc. E o que vimos na prática? Muito pouco. Pergunta-se: o passado se repetirá neste novo ano eleitoral? E por que deveria ser diferente?

As promessas são um lado da moeda; o outro, a realidade econômica. E o que temos visto? Vários entraves ao desenvolvimento econômico sustentável. A alta carga tributária (38% PIB), o baixo crescimento econômico (2,3% do PIB), o acelerado aumento dos gastos públicos em contas correntes (R$ 800 bilhões em 2006?) e as taxas de juros num nível bastante elevado (18,25%). Em contrapartida, os recursos alocados para investimentos em infra-estrutura estão muito minguados. A maior parte das verbas orçamentárias estão sendo alocadas para programas de bolsa-família, considerados assistencialista pela maioria dos analistas econômicos.

Como há muito tempo o Brasil não injeta recursos na infra-estrutura, vemos o desleixo com que se encontram as nossas estradas federais. Para amenizar tal situação, neste ano de eleições, há o programa tapa-buracos que, além de jogar recursos fora, não resolve o problema das rodovias. Isso pode até render votos, mas não resolve a essência dos problemas brasileiros, que é o crescimento sustentado, o qual vem sendo prometido há muito tempo. Pergunta-se: como os nossos vizinhos cresceram mais do que a média mundial, e nós não, com toda a benevolência da economia mundial?

Hoje, devido ao crescimento do comércio do agronegócio, principalmente com a soja, a carne bovina, o frango e o café, o Brasil conseguiu aumentar sobremaneira as suas exportações, gerando recursos em dólares, o que propiciou um superávit de 44 bilhões de dólares na balança comercial em 2005. Esse superávit permitiu o pagamento de uma dívida de 15 bilhões de dólares com o FMI. Só que todo esse esforço não está sendo carreado para os investimentos em infra-estrutura e sim para o pagamento de juros da dívida e para cobrir o déficit da Previdência Social, que aumenta a cada ano.

Analisemos o passado dos postulantes aos cargos eletivos. Quem investiu mais e, ao mesmo tempo, conseguiu diminuir os custos de manutenção da administração pública? Este, com certeza, terá mais chance de governar bem o país.

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