02 julho 2008

Economia Humana

A economia humana é a economia que tem por objetivo desenvolver as potencialidades dos indivíduos, dando-lhes condições para a sua própria transcendência, material e espiritual. É a economia do "todo homem" e "de todos os homens", em que não se faz distinção entre ricos e pobres, porque privilegia o homem na sua totalidade.

Ao analisarmos as relações econômicas dentro de uma sociedade, deparamo-nos com a noção de poder. Para a economia humana, o poder, tal qual é exercido na atualidade é maléfico, pois ao enfatizar os meios de domínio e de destruição, debilita os de sobrevivência e de progresso. Além disso, a exaltação do tecnicismo, da informática e da tecnologia dificulta a verdadeira evolução do ser humano, pois o peso dos deveres materiais espezinha o dos deveres espirituais.

Para atingirmos o âmago da economia humana, os regimes sociais devem sofrer profundas transformações. Nesse sentido, tanto o capitalismo como o comunismo são nefastos ao bom desenvolvimento do ser humano. O capitalismo por estimular a exploração e a opressão; o comunismo, por conceber o homem somente pelo esforço que faz na edificação da própria doutrina comunista, totalmente alheia à natureza do indivíduo. Nesse regime, o homem é um número que deve produzir para o seu chefe, o Estado, e nada mais.

Na economia humana, o trabalho assume papel relevante, a tal ponto de não permitir que haja ociosos, nem por miséria e nem por privilégio de classe ou casta. O sentido de responsabilidade social é tão grande que "quem não quer tornar-se capaz de servir, com todas as suas forças, na proporção das necessidades da humanidade, trai a humanidade". Quer dizer, o trabalho é peça chave na evolução espiritual do ser humano, independentemente da recompensa monetária.

A nova civilização, para ser duradoura, deve refletir os pressupostos da economia humana. Nesse estado de coisas, o homem não poderá continuar sendo o lobo do próprio homem, mas o seu cooperador. A interdependência entre os seres humanos fará com que cada qual ajude a potencializar as faculdades do seu próximo, no sentido de que toda a humanidade seja elevada a um grau máximo de perfeição possível.

Tenhamos em mente a nossa cota de responsabilidade. Se cada um de nós cumprir com o seu dever, o todo será beneficiado e erradicaremos a miséria do Planeta Terra.


Fonte de Consulta

LEBRET, L. J. Manifesto por uma Civilização Solidária. São Paulo, 4. ed., Duas Cidades, 1963.
São Paulo, 03/09/2001

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