02 julho 2008

Max Weber

Max Weber (1869-1924), em sua obra prima Economia e Sociedade, 1922, analisa o capitalismo, a sociologia da religião e a significação da burocratização das sociedades modernas. Ao definir a sociologia como uma interpretação da atividade social, pressupõe que, em última análise, deve-se considerar "o indivíduo isolado e sua atividade" como a "unidade de base" da sociologia, já que o indivíduo é o "único portador de um comportamento significativo". As instituições humanas só podem ser compreendidas se se reencontrar por trás de sua estrutura "coisificada" a atividade que lhes deu nascimento.

À essa teoria que expressa a pessoa humana como base da atividade social, ele denominou individualismo metodológico. Em virtude de tal afirmação, recebeu inúmeras críticas, no sentido de que quando o indivíduo é inserido na sociedade, ele já encontra estruturadas as instituições coletivas, tais como o "Estado", a "família", a "nação" etc., cabendo ao indivíduo apenas a alternativa de se adaptar ao que já existe. Max Weber não ignorou tal condição; procurou, sim, tornar "compreensível" a atividade do indivíduo isolado que participa da sociedade.

Max Weber, ao estudar os fatos sociológicos, critica o materialismo histórico de Marx, por achar que esta teoria está centrada numa "ilusão dedutiva", quando Marx reduz tudo ao fator econômico. Para Weber, a sociologia apresenta-se como herdeira da dupla preocupação da racionalidade e, da sensibilidade na diversificação dos fatos históricos que define uma das linhas da evolução do pensamento racionalista. Quer dizer, o indivíduo é igualmente premido tanto pelas necessidades econômicas como pelas necessidades não econômicas.

Dentre os vários temas abordados, elabora também sobre as formas de dominação política, que podem se apresentar de três modos : a) caráter racional, baseada na lei; b) caráter tradicional, repousando sobre a crença quotidiana na santidade de tradições válidas; c) caráter carismático, repousando sobre a submissão ao sagrado, à virtude heróica ou ao valor exemplar de uma pessoa. Não resta dúvida de que a alternativa a deveria ser a mais visada, mas nem sempre isso ocorre no seio da sociedade.

Economia e Sociedade sobreviveu ao tempo. As controvérsias contemporâneas sobre a obra de Weber situam-se exatamente sobre a reconstrução da conceituação filosófica: quer se interrogue sobre a possibilidade, para o individualismo metodológico, de compreender culturas "hostis" como a da Índia, quer se critique a subestimação por Weber dos fenômenos de "desfuncionamento" dentro dos organismos burocráticos, ou quer se tente ultrapassar o "decisionismo" weberiano é sempre ao sistema de categorias de Economia e Sociedade que se é remetido.

Busquemos nesses pensadores do passado as inspirações para o momento presente. Somente pelo estudo perseverante pode o homem acrescentar um côvado ao seu estoque de conhecimentos de toda a natureza.

Fonte de Consulta

CHÂTELET, F., DUHAMEL, O. e PISIER, E. Doutrina de Obras Políticas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1993.

Um comentário:

kezya disse...

excelente a forma como ele ''explicou'',pude entender melhor o assunto!!!