29 outubro 2008

Custo da Energia no Brasil

Érico Sommer, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), disse: "Se os custos da energia são elevados, toda a produtividade nacional fica comprometida nas esferas subseqüentes".

Esta afirmação está alinhada com os resutados de uma pesquisa encomendada pela Abrace ao núcleo FGV - Projetos, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, para avaliar o impacto da energia cara sobre a competitividade industrial e a economia nacional e seus efeitos sobre o ritmo do crescimento do PIB e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Segundo a pesquisa, o crescimento do PIB, até 2015, poderá sofrer uma redução de 7,1 pontos percentuais devido ao aumento dos custos de energia - projetados, durante o período de 2005 a 2015, em 34,5% para o setor industrial e em 20,3% para os consumidores em geral. A conseqüência deste aumento seria uma diminuição da renda per capita dos brasileiros. O IDH, que mede o grau de crescimento econômico e o nível da qualidade de vida oferecido às populações dos países numa escala de 0 a 1, também seria afetado para menos. Hoje, o Brasil ocupa o 70º lugar no ranking e em relação ao grupo BRIC, de países emergentes, está abaixo da Rússia (0,802) e acima da China (0,777) e da Índia (0,619).


Fonte: Conjuntura Econômica, outubro de 2008, vol. 62, nº 10, pág. 20 a 35.
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15 outubro 2008

Crise Financeira

A origem da crise financeira americana de 2007/2008 está no mercado de crédito imobiliário. O governo americano, para debelar o incêndio, atuou em três setores: a) intervenção em instituições financeiras; b) o FED criou várias linhas de crédito para dar liquidez ao sistema financeiro; c) pacote de US$ 700 bilhões, que depende da aprovação do Congresso.

A crise financeira deve-se a um fator primordial, ou seja, a falta de marcos regulatórios e legislação que se concentre na atividade global do sistema financeiro e não apenas na de um país, os Estados Unidos. O fenômeno que se observa: o crédito expandiu, em 2007, quatro vezes mais do que o PIB. Em 1980, o crescimento dos créditos e o crescimento do PIB eram iguais. De lá para cá, foi havendo um descompasso, chegando à atual bolha, que representa 4 vezes mais (195 trilhões de crédito para 55 trilhões de PIB).

A conseqüência da crise americana aponta para um mundo de crédito mais escasso. Isto quer dizer que haverá dificuldade para o Brasil receber investimentos estrangeiros, principalmente aqueles que poderiam ser aplicados em infra-estrutura, que requer volumes maciços de recursos, e por isso há maior dependência do financiamento internacional.

Como o Brasil tem uma alta carga tributária e sua receita já está comprometida com os gastos previdenciários e os da bolsa-família, os recursos estrangeiros são necessários para os investimentos em infra-estrutura, pois são de longo prazo, e por isso devem ter regras claras para que aquele que tem intenção de investir não se sinta com desconfiança.
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