31 março 2009

A Bolha Financeira


A origem da crise financeira encontra-se na decisão unilateral de Richard Nixon, tomada em 1971, quando mudou as regras do padrão-ouro, estabelecidas na conferência de Bretton Woods (1944). Surgia a moeda fiduciária, sem valor intrínseco, baseada apenas na confiança depositada nela. De lá para cá, houve um viés entre economia real e economia financeira.

Façamos uma comparação entre os ativos financeiros e o PIB mundial. Em 1980, havia 10 trilhões de dólares em ativos financeiros para 12 trilhões de dólares de PIB; em 2006, 170 trilhões para 48 trilhões; em 2008, 120 trilhões para 62 trilhões. Em 2006, os ativos financeiros (depósitos bancários, ações, títulos públicos e privados) chegaram a ser 4 vezes o montante do PIB. Quer dizer, havia muito papel para as mercadorias existentes. Este é o resultado de três décadas de excesso de ativos financeiros.

Como recuperar ¼ da riqueza que se evaporou? Os governos dos diversos países estão introduzindo muito dinheiro na economia. A intenção é atenuar a crise; a sua resolução vem com o tempo. Os Estados Unidos irrigarão a economia com a cifra nada modesta de 1 trilhão de dólares.

A crise é sempre positiva, pois indica uma ruptura com o antigo. Há que se encontrar novos mecanismos internacionais de regulação financeira. Mais cedo ou mais tarde, o mundo das finanças recobra a sua racionalidade.

Em se tratando do Brasil, há aumento do desemprego, diminuição do crédito, queda de produção, queda das exportações e diminuição dos investimentos. O PIB já foi previsto para baixo mais de uma vez. Esperava-se crescer 4%, em 2009, mas já está em 3%. Há analistas financeiros que indicam um crescimento próximo de zero.

As autoridades governamentais deveriam dar uma explicação mais racional sobre o impacto desta crise na economia brasileira. Em virtude da popularidade do presidente da República, e tendo em vista as eleições de 2010, é mais fácil culpar Bush e os brancos de olhos azuis. Fala-se muito mais para não perder votos do que para expressar a verdade sobre a economia brasileira.
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18 março 2009

Crescimento do PIB em 2009


Segundo o IBGE, o quarto trimestre do PIB de 2008 teve uma queda de 3,6%. Estes dados estatísticos mostram que o crescimento esperado de 6,8%, em 2008, passou para 5,1%. Até aí, tudo bem. O problema é que houve uma queda muito acentuada no último trimestre. E se esta queda se mantiver durante o ano de 2009, o PIB crescerá ou diminuirá? Qual a razão de o governo, mesmo sabendo da queda, apontar para um crescimento de 4% em 2009?

Em recente entrevista coletiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse: "Com este resultado (do último trimestre de 2008), ficou difícil atingir aquela meta de 4% que eu vinha falando". Depois disso, o tom de otimismo passou a vigorar para outros números: "os mais pessimistas preveem um crescimento de 1,5%, 2%", "o Brasil vai ser um dos poucos países do mundo com PIB positivo", "ficaremos distantes de um déficit técnico".

Começar o ano de 2009 com uma grande queda no último trimestre de 2008 não é nada promissor. Além do mais, os PIBs das grandes potências, como Estados Unidos e Japão estão também em queda acentuada. Para mitigar os danos causados na economia, o governo tomou algumas medidas, tais como, redução dos depósitos compulsórios dos bancos, redução do IPI dos automóveis, redução do IOF no crédito ao consumidor, financiamento às exportações e corte nos juros. Contudo, não foram suficientes para reativar a economia.

Segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros, sócio da Quest Investimentos e ex-ministro das Comunicações do governo FHC, "A maior vítima da desaceleração da economia é a imagem da marolinha levantada pelo presidente Lula. A queda do PIB é algo muito sério para ser tratado de forma jocosa". Já, José Stiglitz, professor da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e prêmio Nobel de Economia em 2001, comenta: "Fui há poucos meses ao Brasil e me disseram que a crise não afetaria o país. Parece que agora esse não é mais o caso".

Há o Brasil real e o Brasil político. O Brasil político é o Brasil visto pelos olhos de Lula: "Mesmo que o crescimento seja próximo de zero, o Brasil será um dos poucos países que não terá uma recessão como terão os países ricos"... "O Brasil foi o último país a ser atingido pela crise e será o primeiro a sair". Os agentes governamentais deveriam ser mais responsáveis com o uso do dinheiro público. Se tivessem alocado os recursos para investimento, em vez de custeio, teríamos mais facilidade para sair da crise.

Quem fizer um estudo histórico da economia brasileira, verá que ela sempre dependeu da economia internacional. De repente, somos auto-suficientes. Em economia, "tudo depende de tudo". Palavras e carisma podem estimular o crescimento econômico, mas sem investimentos não há produção, não há emprego e não há consumo. Havendo queda de exportações, haverá menos entrada de recursos. Com menos recursos, o exportador não poderá aumentar a sua produção. E assim por diante.

A economia real tem que ser tratada com mais realidade.
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