20 outubro 2010

Voto Consciente

Questão: o voto dado ao palhaço Tiririca foi um voto consciente?

Muitos eleitores, que não querem ter responsabilidade cívica, optam por anular o seu voto. Outros, numa atitude de protesto, escolhem pessoas famosas, simplesmente para denunciar o quadro político atual, com suas diversas corrupções e falcatruas. Acontece que mesmo não escolhendo, nós estamos escolhendo, como diria Sartre.

Analisemos o fato: foram mais de um milhão de votos para o Tiririca. Só que, de acordo com o método de contagem de votos, não votamos somente na pessoa, mas também na coligação a que essa pessoa pertence. Conclusão: votamos em Tiririca e elegemos três outros, que nem sonháramos ou mesmo não queríamos que estivessem em Brasília.

Se fôssemos mais responsáveis, indagaríamos sobre as regras do jogo. Depois, procuraríamos saber o que determinado candidato fez ou tinha intenções de fazer, em termos de ações políticas, para que ele pudesse nos representar condignamente no Senado ou na Câmara do Deputados.

O resultado das eleições para presidente, concedeu-nos um segundo turno. Aí alguém pode pensar: como eu não simpatizo com nenhum dos dois, vou anular o meu voto. Em nosso modo de entender, é um erro anular o voto, pois um dos dois estará ocupando o cargo de presidente. É possível que não escolhendo, ajudamos a eleger aquele que realmente não queremos que estivesse lá. Qual o procedimento correto? Escolher o menos ruim.

Poder-se-ia acrescentar: qual dos dois tem mais condições de administrar a República (res publica), ou seja, a coisa pública. É nessa pessoa que devemos depositar o nosso voto.
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15 outubro 2010

Notas sobre o Manifesto em Defesa da Democracia

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A Impessoalidade do Presidente

Um presidente da República precisa se colocar acima dos interesses partidários, a fim de que possa atingir o bem comum. O bem comum, por sua vez, é a concepção milenar da função da Política dentro da sociedade, e a expressão clássica desta concepção está em Santo Tomás de Aquino, que, na sua Suma Teológica, escreve “Finis politica est urbanum bonum” — “A finalidade da política é o bem comum”. Não é religioso ou filosófico, mas social.

Mas que é esse bem comum? Quem melhor o definiu foi o Papa João XXIII, nos seguintes dizeres: “O Bem comum consiste no conjunto de todas as condições da vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana”. Como notamos, o bem comum é impessoal. Nesse caso, um governante não pode favorecer este ou aquele, mas esforçar-se para auxiliar o desenvolvimento integral da personalidade humana.

Um presidente da República tem que considerar a força do exemplo. Diz-se que o exemplo vem de cima. Se o mandatário maior não dá atenção à Constituição, como obrigar os simples cidadãos a obedecê-la? Um cidadão comum pode pensar: “Se o presidente desrespeita e nada lhe acontece, por que aconteceria comigo?” Lembremo-nos de que para que o funcionário chegue na hora, o chefe deve estar lá antes.

Em se tratando da autoridade, recordemos as instruções dos Espíritos: “A autoridade, da mesma forma que a fortuna, é uma delegação da qual serão pedidas contas àquele que dela se acha investido; não creiais que lhe seja dada para lhe proporcionar o vão prazer de comandar, nem, assim como creem falsamente a maioria dos poderosos da Terra, como um direito, uma propriedade”. (Kardec, 1984, p. 229) Deus as dá como prova ou missão e as retira quando lhe apraz.

Governar um país não é dividir rico contra pobre, preto contra branco, mas buscar o bem comum. Um mandatário deve também observar que o governo nada produz. Ele simplesmente distribui o que arrecadou dos contribuintes. Os verdadeiros “fazedores” são os indivíduos, que estão sob a chefia de um governante.

É num clima de responsabilidade para com a coisa pública que se deve estar à frente dos outros.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
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