29 janeiro 2015

Smartphone na Pele

A tecnologia que utilizamos todos os dias logo devem se incorporar aos nossos corpos. Esse é o objetivo do Cicret Bracelet, um gadget criado por cinco empreendedores franceses e tornado possível por financiamento coletivo.
O conceito é, ao mesmo tempo, simples e extremamente elaborado. Ao colocar o bracelete no pulso, o aparelho se conecta com o smartphonee, por meio de um projetor, reproduz a tela no braço da pessoa, que pode clicar à vontade e ter seus comandos transmitidos por sensores do Cicret.
Para criar o produto, os desenvolvedores Pascal Pommier, Guillaume Pommier, Nicolas Cruchon e Fabien Noblet começaram uma campanha de arrecadação de fundos pelo site Indiegogo. A princípio, um Cicret Bracelet custava 400 dólares, mas agora, enquanto o projeto está em fase de construção de um protótipo, há previsões de que o preço de mercado seja entre 600 e 700 dólares.
O bracelete revolucionário tem seu próprio processador e capacidade de armazenamento de 16 ou 32 GB, e poderá ser adquirido em dez cores diferentes. Ele é à prova d’água, então os viciados em tecnologia não precisarão nem passar o período de um banho longe de suas queridas redes sociais. Ainda não há previsões de quando o produto chegará ao mercado.


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23 janeiro 2015

Eleições, 39 Ministérios e Custo de Vida

Durante a campanha eleitoral de 2014, a presidente Dilma Rousseff disse que não aumentaria os juros, que a economia brasileira estava sob controle, que todo o brasileiro estaria no melhor dos mundos, principalmente aquele pintado pelo seu marqueteiro, João Santana. 

Depois das eleições, a taxa de juros subiu, o ministro da Fazenda lançou um pacote que aumenta a carga tributária, a conta de luz subiu 20% e, até o final do ano, aumentará mais 40%... Campanha é campanha, realidade é realidade. 

Pensava-se que haveria um corte de despesas para fazer face ao aumento da dívida pública. Mas isso não foi concretizado. Continuamos com 39 ministérios, a maioria sem expressão.

Enquanto isso, temos que arcar com o aumento de custo de vida e contentarmo-nos com um crescimento próximo de zero do PIB.



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22 janeiro 2015

Cadáver Adiado que Procria, por José Serra

Este ano de 2015 não está trazendo surpresas na economia. Para começar, era óbvio que o governo da presidente Dilma Rousseff descumpriria frontalmente seus compromissos de campanha eleitoral, o que, convenham, não surpreende quem estuda minimamente esse assunto. Creio até que as taxas de traição programática do primeiro governo Lula foram maiores que as do segundo governo Dilma - até aqui, ao menos.
Memória informa e também é política. Lembro-me de um Jornal Nacional no segundo turno das eleições de 2002: o Banco Central (BC) elevara os juros e Lula foi chamado a opinar. Não deixou por menos: "Isso é coisa de governo que serve aos bancos, governo de banqueiros!". O candidato da situação - eu mesmo! -, em posição obviamente desconfortável, também falou, poupando o BC de críticas e atribuindo a medida às incertezas do processo eleitoral. Desdobramento: o petista venceu, nomeou um banqueiro para a presidência do BC, manteve antigos diretores por um bom tempo, nomeou depois outros piores, pôs os juros nas nuvens, ganhou aplausos de toda a comunidade financeira nacional e mundial e foi chamado de realista pela imprensa. Uma indagação aos navegantes: vale a pena aplaudir estelionatos eleitorais?
Reeleita, Dilma tem de reparar seus erros. É o caso da correção de preços administrados - derivados de petróleo e energia elétrica -, reprimidos anteriormente por interesses eleitorais. A taxa de câmbio nominal deve crescer, a menos que o governo mantenha os subsídios fiscais. Aliás, esse será um grande teste para a política econômica Levy-Barbosa: vai dar sequência à manipulação do câmbio para segurar a inflação mediante operações de venda futura de dólar (swaps), que custam caríssimo ao BC e ao Tesouro e ficam fora do Orçamento federal? Apenas no segundo semestre de 2014 (até novembro), o prejuízo nessa conta alcançou R$ 20,5 bilhões - o mesmo valor do pacote tributário ora anunciado.
Parafraseando o marqueteiro João Santana num ataque mentiroso às pretensões tucanas, o governo Dilma semeou inflação e elevou os juros. Com o aumento de 0,5 ponto ontem, a taxa subiu 1,25 ponto em três meses, o que custa a bagatela de R$ 19 bilhões/ano ao Tesouro - perto de 30% da meta de superávit primário anunciada pelo Ministério da Fazenda. O governo ainda aumentou a alíquota do IOF sobre o crédito ao consumo e elevou juros de financiamento habitacional.
Câmbio, petróleo e energia empurrarão a inflação para cima, noves fora dois fatores atenuantes, que talvez facilitem a acomodação de preços relativos: o enfraquecimento da atividade econômica e a queda dos preços internacionais de commodities.
A fim de conter a deterioração das expectativas sobre a economia brasileira, na iminência de ser rebaixada pelas agências de classificação de risco, a dupla Levy e Barbosa tem investido - até agora de forma bem-sucedida - na imagem da responsabilidade fiscal, abalada pelos números sofríveis e seguidas tentativas de maquiagem feitas até o ano passado. As ambições são moderadas: a meta de superávit primário de 1,2% do PIB para 2015 corresponde ao segundo menor porcentual desde 2000, sendo superior apenas ao de 2014, que foi zero. Como lembrou Francisco Lopes, o ajuste fiscal proposto não deve ser suficiente para estabilizar a trajetória da dívida pública líquida, que poderá saltar de 36% para 40% entre 2014 e 2019.
Neste espaço, desde 2011 procurei mostrar como o governo Dilma era inábil para administrar a difícil herança recebida de seu antecessor, de quem, aliás, ela fora estreita colaboradora. Na década passada o petismo desperdiçou uma das maiores oportunidades econômicas que o Brasil contemporâneo já teve: a notável bonança externa decorrente do crescimento exponencial dos preços de nossas exportações de matérias-primas e a disponibilidade de dinheiro externo abundante e barato.
Em vez de aproveitar essa situação para fortalecer nossa economia, o governo promoveu verdadeira farra voltada para o consumo, graças à sobrevalorização cambial mais estúpida de todas quantas houve. Depois da quebra do Lehman Brothers o BC demorou cinco meses para reduzir os juros, que já eram os mais elevados do mundo, enquanto o restante dos países derrubava rapidamente os seus. Em seguida atuou, para manter o diferencial entre o Brasil e o exterior, atraindo capitais à procura de ganhos extraordinários em curto prazo e apreciando ainda mais o real.
Assim, em vez de fomentar a competitividade da economia, investindo em infraestrutura, reduzindo o custo Brasil e incentivando as exportações de manufaturados, o petismo fez o contrário: barateou as importações e encareceu o preço externo de nossas exportações industriais. O golpe na indústria doméstica foi fatal: até hoje seu nível de produção é inferior ao de 2008; o emprego, 10% menor; a balança comercial de manufaturados, mais ou menos equilibrada em 2002, desabou para um déficit de US$ 70 bilhões em 2010 e mais de US$ 110 bilhões em 2014. Evidentemente, houve um colapso nos investimentos industriais, puxando a economia para baixo, além de elevar o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos à inquietante vizinhança dos 4% do PIB.
Depois do quadriênio perdido, a economia entrou paralisada em 2015 e o Brasil deve assistir ao longo deste ano à marcha da estagflação galopante, com três fatores agravantes: a seca, que amplia as incertezas sobre a oferta de energia, já prejudicada pelos erros nessa área, e o escândalo do petrolão; o terceiro elemento serve de pano de fundo: não há rumo para o médio e o longo prazos. Inexiste até debate a respeito. A maior ambição do petismo, hoje, é a de um milagre: sobreviver até 2018 e tentar (re)eleger Lula. O modelo petista é um cadáver adiado que procria, como escreveu Fernando Pessoa (Dom Sebastião, Rei de Portugal). A oposição pode ir mais longe: além da vigilância, da crítica e da mobilização, tem de forçar o debate de ideias, fazer propostas, apresentar soluções. Eis uma bela e eficaz ação contra quem não tem mais nada a dizer.
Opinião - Estado de São Paulo, 22 de janeiro de 2015
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19 janeiro 2015

Opinião Pública

A opinião pública é a manifestação das opiniões e da vontade da população. Quando a manifestação é livre e sincera, ela contribui enormemente para o governo tomar suas decisões políticas e econômicas. Isolando-se da opinião pública, os governantes podem caminhar em sentido oposto às necessidades dos cidadãos. Os Estados totalitários reprimem total ou parcialmente a opinião pública e, com isso, impedem a livre expressão da vontade popular. 

Nos povos antigos, a opinião pública era imposta por ideologias tradicionais. Os gregos foram os primeiros a regular a opinião pública, a qual devia ser consultada e seguida em todas as questões decisivas. A Bíblia não leva em conta a noção de opinião pública. Na época do cristianismo primitivo, valorizou-se muito a opinião pública das Igrejas e comunidades locais. Na Idade Média, com a autoridade reforçada, reconhece-se o princípio Vox populi, vox Dei ("a voz do povo é a voz de Deus").

Na Idade Moderna, desenvolveu-se o conceito de opinião pública como um instrumento entre o poder político e a vontade popular. À medida que o conceito avançava, os desvios da opinião pública foram se intensificando, pois o meio de comunicação, reforçado pelo poder político e econômico, adquiriu excessiva força de influência sobre a população, manipulando-a de certa forma. Estudando o comportamento humano, elaboram-se meios de persuasão, cujo objetivo não é ouvir a opinião pública, mas moldá-la aos interesses do governo.  

Os meios de comunicação criam o hábito da atitude passiva e, consequentemente, inibe a capacidade crítica dos receptores. Com isso, os formadores de opiniões impõem ideias concretas, traços ideológicos, ideias comunistas, tendências políticas e opiniões econômicas. O confronto e o pluralismo permanecem, mas sem a atuante análise crítica. 

Liberdade de opinião não é confronto direto e rejeição mútua. Lembremo-nos de que todos os seres humanos merecem respeito.

Fonte de Consulta


IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983. 
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15 janeiro 2015

Reforma Política: Obstáculos

Tese: O Brasil, como sociedade, ainda não quer a reforma política.

As razões são históricas: herança escravocrata muito forte, predomínio do Estado, acesso precário à educação de qualidade...

Detalhemos os obstáculos: 1) qualquer mudança radical vai enfraquecer e afastar os políticos importantes; 2) ainda não existe uma proposta pronta e acabada de reforma política; 3) nada de muito significativo pode ser feito perto das eleições, que acontecem a cada dois anos; 4) o processo de aprovação da reforma é lento e estafante; 5) a população como um todo não está muito interessada nos detalhes da política. 

O mensalão, por exemplo, não conseguiu tirar muitos votos do PT. Por quê?

a) A imprensa escrita é pouco relevante em termos numéricos;
b) A informação adquirida pela televisão é de cunho recreativo;
c) O brasileiro está satisfeito com o Brasil. 

Observe que em 2013, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em associação com o Gallup, divulgou uma pesquisa em que o Brasil aparece como um dos campeões da "felicidade". Quando o povo está feliz ele tende a ser complacente com a conjuntura. 

Na obra Country Risk - Assessment and Monitoring, Thomas E. Krayenbuehl propõe uma fórmula simples para se entender a relação entre o eleitor e a representatividade. 

Elevado índice de alfabetização & distribuição desigual de renda = descontentamento e instabilidade

Elevado índice de alfabetização & distribuição equilibrada da renda = satisfação

Baixo índice de alfabetização & distribuição desigual de renda = baixa conscientização. 

No Brasil, há um "desinteresse cristalizado" pela política e consequentemente por sua reforma. 

Fonte de Consulta

ARAGÃO, Murillo de. Reforma Política: O Debate Inadiável. Rio de Janeiro: José Olympio, 2014.


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14 janeiro 2015

Necessidade da Reforma Política

Na teoria, o Brasil segue o modelo de Montesquieu, em que o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário são independentes, mas funcionam harmonicamente. Parece que o nosso sistema político é uma democracia representativa, pois os representantes do povo são eleitos pelo voto direto e universal. Na prática, não o é.

O modelo é moderno, mas não funciona bem. Por quê? Existem inúmeras distorções, as quais decorrem da precariedade do sistema eleitoral e do sistema partidário nacional que, segundo Luiz Roberto Barroso, propiciam a criminalidade. Citemos algumas dessas distorções: o eleitorado brasileiro não é livre para se expressar; o resultado eleitoral é maculado pelo abuso do poder econômico; o livre fluxo da informação não é assegurado.

A legislação eleitoral e partidária brasileira propiciou o fortalecimento do político e o enfraquecimento dos partidos. A "fulanização" de A ou B é preferível ao debate de ideias e programas partidários. A "solução celebridade" está em primeiro lugar. O fortalecimento do indivíduo é enfatizado em detrimento da instituição. Há, também, o descomprometimento com ideias e programas. Isso gerou uma infinidade de partidos, chamados de "partidos de aluguel", consoante a frase: "partidos pequenos, grandes negócios".

A representatividade é outra distorção que merece entrar no rol de uma reforma política autêntica. Segundo o jornalista Ricardo Setti, São Paulo, estado mais populoso da federação, deveria ter, proporcionalmente, 111 deputados federais no lugar dos atuais 70. Roraima, com menos de meio por cento da população brasileira, deveria ter apenas um deputado em vez de oito. A distorção infla a representação do Centro-Oeste e do Norte em detrimento do resto do pais 

Para que as eleições sejam justas, a reforma política deveria diminuir o número de partidos políticos e criar condições para que a representação da população seja absolutamente proporcional. 

Fonte de Consulta

ARAGÃO, Murillo de. Reforma Política: O Debate Inadiável. Rio de Janeiro: José Olympio, 2014.



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