06 outubro 2016

Reforma do Ensino Médio

"Antes de protestar, leia a proposta."

Maria Helena Guimarães de Castro, 70 anos, que ocupou o Ministério da Educação no governo FHC, e agora secretária executiva do ministro Mendonça Filho, a grande idealizadora da reforma do ensino médio, concede entrevista às "Páginas Amarelas" da Veja, em 5/10/2016.

A Reforma do Ensino Médio propõe a flexibilização de uma parte do tempo do jovem na escola. Baseando-se nas informações de que metade dos que ingressam no ensino médio não se forma e menos de 20% deles vão para a universidade, Maria Helena pensa que, para chegar à reta final do ensino médio, o aluno precisa ter interesse pela escola. A escola deve oferecer uma trilha com o qual o aluno se identifique: acadêmica ou técnica. Em três anos serão 1200 horas fixas e 1200 horas flexíveis, à escolha do estudante. Assemelha-se ao que acontece na Inglaterra, no Canadá e nos Estados Unidos.

Em sua entrevista, disse que a reforma do ensino médio não é uma ideia nova; vem sendo discutida há duas décadas. As pessoas reclamam porque mexe em vários vespeiros: corporações de professores temem perder direitos adquiridos; a indústria de preparação de jovens para o Enem se vê ameaçada; há também o fator político, pois engajar-se nesse processo pode perder votos. 

Detalhe importante: todo e qualquer passo dado em relação ao currículo obrigatório será definido depois de se ouvirem os melhores especialistas de cada área e os secretários de Educação. Ainda passará pelo crivo final do Conselho Nacional de Educação. O desfecho deve se dar no segundo semestre de 2018.

Esclarece que há quatro grandes áreas do conhecimento na LDB: linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza. A experiência mundial mostra que, para contemplar todas elas, não é preciso necessariamente organizar o conteúdo em disciplinas divididas de modo tradicional. As únicas disciplinas que, já se sabe, persistirão pelos três anos são português, inglês e matemática. 

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"Por motivos misteriosos, somos diferentes de todos os países que vale a pena considerar. Neles, na idade média, há muitas alternativas possíveis. Por exemplo, oferecem escolas diferentes. Na Alemanha, há quatro alternativas. Na França, há muitas, além da opção de dar ênfase a este ou àquele assunto. Nos Estados Unidos, há um único modelo de escola, mas os alunos têm entre 100 e 200 disciplinas para escolher e algumas são especializadas (por exemplo: em música ou ciências)". 

E no Brasil? Um modelo único de escola e um currículo igual para todos. Qual a probabilidade de o mundo inteiro estar errado e o Brasil certo? 

Trecho extraído de "Ensino Médio: Aleluia", de Cláudio de Moura Castro, publicado na Revista Veja de 19/10/2016, p. 82. 




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