Pensemos
a democracia não somente como uma
forma de governo, mas como um modo de praticar a ética em nosso dia a dia. Cidadania é o estatuto que torna
responsável cada membro de uma comunidade política. Desde tempos remotos, esses
dois termos estão entrelaçados. Destaquemos alguns pontos.
A participação política é o coração da
democracia. Na Grécia Antiga, o berço da democracia, o cidadão tinha o
direito e o dever de participar no governo e de ser governado. Hoje, a
participação se dá pelo voto, por candidaturas, movimentos sociais e conselhos
municipais. Na ausência de participação, somos apenas espectadores. Por outro lado,
a participação qualificada exige informação, capacidade crítica e disposição
para o compromisso.
A cidadania não é apenas um conjunto de
direitos — liberdade de expressão, voto, igualdade perante a lei —, mas
também de deveres. Entre os
principais deveres estão a obediência às leis justas, o pagamento de impostos,
a contribuição para o sustento comum, a defesa da pátria, a vigilância cívica e
o respeito ao direito dos outros. Informarmo-nos sobre políticos, corrupção e
gastos públicos torna-nos eleitores ativos e, com isso, criamos condições para
evitar o totalitarismo.
Refletir
sobre o bem comum — não o público,
mas o que pertence aos indivíduos por serem membros de um Estado — é essencial
para uma vida política saudável. Na prática, o bem comum inclui a justiça
distributiva, a igualdade de oportunidades, a preservação do meio ambiente, a
coesão social e a educação pública. Há, também, a defesa das instituições
democráticas frente aos populismos e autoritarismos.
A
democracia não se sustenta apenas por meio de instituições; exige uma cultura democrática que se expressa
pelo reconhecimento da diversidade, pela disposição para ouvir o contraditório,
pela formação para o pensamento crítico (e não para a doutrinação) e pela
consciência de que ninguém possui a verdade absoluta. Por fim, uma cultura
democrática forte resiste a demagogos e às “pós-verdades”. Caso contrário,
enfraquece-se.
Em suma,
democracia e cidadania formam um círculo virtuoso; ou seja, cidadãos ativos
fortalecem a democracia, que, por sua vez, forma melhores cidadãos. Sejamos
cidadãos conscientes e não deixemos que esse círculo se transforme em vicioso.
Texto corrigido pela IA.