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27 abril 2026

O Eleitor diante do Sistema Político Brasileiro

Um partido político deve, por sua própria natureza, representar as características essenciais de uma parcela da população. No entanto, diante da imensidão de partidos existentes no Brasil, torna-se difícil identificar quais realmente refletem essas características. Essa é, talvez, uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo eleitor ao escolher candidatos para cargos públicos, sejam eles vereadores, deputados, senadores ou presidente da República.

Ao longo do tempo, o número de partidos aumentou significativamente. Ainda assim, muitos argumentam que não há, no cenário atual, partidos que representem de forma clara uma direita mais definida. Existem legendas consideradas de centro-direita, mas poucas que assumam integralmente uma identidade mais consistente nesse espectro. Mesmo dentro de partidos como o PL, há divergências internas: alguns membros se beneficiam da popularidade de certas lideranças, mas não assumem plenamente a defesa de suas ideias.

Além disso, há a percepção de que o sistema político brasileiro não funciona de maneira plenamente eficiente. Diversas forças influenciam o que pode ou não ser implementado, incluindo interesses econômicos relevantes, como os do sistema financeiro. Nesse contexto, mesmo quando há alternância de poder, surgem dificuldades para implementar políticas que promovam melhorias significativas, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população.

A eleição de 2018 é vista por alguns como um momento atípico dentro desse sistema. Durante o governo que se seguiu, em meio a desafios como a pandemia e o cenário internacional conturbado, houve resultados considerados positivos por seus apoiadores, como o equilíbrio das contas públicas. Ainda assim, persistiram divergências internas e dificuldades de articulação política. Parte do apoio popular continua sendo mobilizada de forma direta, por meio de redes informais e comunicação cotidiana entre eleitores.

Diante desse cenário, o que se espera do eleitor? Com as eleições se aproximando, é fundamental exercer o voto com responsabilidade e consciência. Mais do que seguir opiniões alheias ou entrar em discussões estéreis, é importante buscar informações, analisar o histórico dos candidatos e refletir sobre quem realmente está preparado para atuar em favor do bem comum. O voto deve ser guiado pela convicção pessoal, sempre com foco no interesse coletivo e no futuro do país.

Por fim, observa-se que determinados movimentos políticos permanecem ativos independentemente de seus líderes. Ideias e posicionamentos continuam a mobilizar parte da sociedade, especialmente quando surgem debates sobre corrupção e uso de recursos públicos. Isso demonstra que, mais do que figuras individuais, há correntes de pensamento que seguem influenciando o cenário político brasileiro.

18 agosto 2022

Democracia Aviltada

“A democracia são dois lobos e um cordeiro votando sobre o que comer no almoço. A liberdade é uma ovelha bem armada contestando o voto.” (Benjamin Franklin, estadista, cientista, filósofo e um dos pais fundadores dos Estados Unidos)

Não são poucas as palavras que, reiteradamente repetidas, acabam perdendo o seu significado original. O Evangelho, que é a boa nova, virou um refrão de toda a espécie. E com a Democracia? Nem se fala, pois diariamente esta palavra está na boca e nos escritos de muita gente.

Voltemos à Grécia antiga e assistamos à condenação de Sócrates, julgado por uma corte democrática, que o acusaram de conspirar contra o Estado, não acreditando nos deuses e por "corromper a juventude". Mais tarde, esse fato foi classificado, pelos historiadores, como uma "ameaça à democracia". 

Regimes socialistas, como a Nicarágua, a China, a Venezuela e tantos outros, são denominados democratas. Pergunta-se: onde está a vontade do povo nesses regimes?

Se a democracia é o governo do povo pelo povo, então a voz do povo deveria ser ouvida, a vontade do povo deveria ser atendida. E o que vemos? Bastou o povo eleger um presidente, fora da bolha, que o sistema se incumbiu, logo no primeiro dia de governo, a persegui-lo e difamá-lo a todo instante.

Lembremo-nos de que o povo não existe. Há, apenas, milhões de pessoas com opiniões e interesses. Quem decide é a maioria. A minoria não pertence ao povo. Na realidade, o governo depende da vontade dos políticos, cooptados por lobistas profissionais.

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Democracia é o regime político em que a soberania é exercida pelo povo. Os cidadãos são os detentores do poder e confiam parte desse poder ao Estado para que possa organizar a sociedade.

O termo “democracia” assumiu, ao longo do tempo, uma vasta e imprecisa significação. Na sua acepção mais vulgarizada, forma de governo em que a soberania deriva do povo e é exercida pelo povo.

Uma característica da liberdade é ser governado e governar por seu turno.


 

05 abril 2022

Eleição: Anular o Voto

Em conversas com as pessoas, ouvimos muitas vezes que elas irão anular o seu voto ou não comparecerão ao pleito eleitoral, pois acham que seu voto nada mudará o resultado da eleição. Outros alegam que não votarão porque as urnas estão corrompidas. A respeito das urnas, há desconfiança, mas mesmo assim há a contagem dos votos. 

Vamos supor que a contagem dos votos retrate como foi a eleição dos postulantes aos cargos eletivos. Mesmo assim, muitas pessoas hesitam em se apresentar para votar ou se forem, como são obrigadas por lei, vão simples anular o seu voto.

Há, aqui, um pequeno engano: se você tiver preferência por um candidato — vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidente — e não votar, você está favorecendo a eleição de um candidato que não é da sua preferência, pois do outro lado, todos vão às urnas votar neles.

O que fazer? Pesquisar sobre os candidatos, verificar o seu passado, o seu desempenho, caso esteja exercendo um cargo eletivo. Conhecendo melhor, saberemos em quem votar ou não votar. Não é somente o presidente que está em jogo: é Câmara dos Deputados, o Senado, o Governo Estadual, a Prefeitura... Lembrando que todos, cada um no seu campo de atuação, estão de alguma forma exercendo o poder de aprovar ou rejeitar leis que favorecem ou prejudicam a população.

Entre dois candidatos, escolhamos o menos ruim, pois alguém irá ocupar aquele lugar. E não adianta a observação cômoda: eu não votei em nenhum dos dois.

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Parece estar claro que os democratas ignoram uma contradição. Se eles tivessem a coragem de ser lógicos, fariam como seus predecessores na Grécia antiga e escolheriam seus governantes aleatoriamente. Afinal de contas, uma eleição é um procedimento altamente antidemocrático; o próprio termo “eleição” quer dizer discriminação. Como é possível escolher o melhor homem quando, por definição, não há o melhor? Se uma sociedade deseja desenvolver-se naturalmente, isto é, se ela deseja florescer selvagemente, livre de determinações que lhe sejam superiores, deveria então escolher seus administradores de um modo completamente aleatório. Que a juventude e a velhice, a sabedoria e a tolice, a coragem e a covardia, o autocontrole e a libertinagem estejam juntos no governo. Isso é que será algo representativo; assim é que teríamos um grupo representativo, e parece não haver dúvida de que isso criaria aquela sociedade “repleta de uma variedade maravilhosa e de desordem”, a qual Platão chamava de democracia. (Capítulo 2  "Distinção e Hierarquia", de As Ideias têm Consequências, de Richard M. Weaver)