01 março 2026

Papel Político de Jan Hus

João Hus (por volta de 1370-1415) apresenta-se, tanto no campo da religião quanto na vida política, marcado por pensamentos confusos. Ele não foi um pensador político, não foi também um grande teólogo. Também não foi original. O essencial de sua teologia vem de Wycliff. Encontrando-se em contato direto com o nascimento do sentimento nacional na Boêmia, em oposição à dominação alemã, conseguiu reunir em torno de si burgueses, intelectuais, camponeses e uma parte da nobreza. Tudo isso em virtude da divulgação da teologia da Wycliff, a qual contrariava o poderio da Igreja. O seu pensamento político pode ser reproduzido em quatro pontos.

O primeiro é concernente à Igreja, cuja reforma basear-se-ia no devotio moderna, ou seja, os cristãos devem seguir o exemplo de Cristo em uma relação direta, pessoal, com Deus, passando a organização Igreja para um segundo plano. Apregoava que a Igreja não tinha autoridade divina e, portanto, dever-se-ia lutar contra a imoralidade e a ignorância do clero e recolocar a massa dos fiéis em contato direto com o poder. Queria acabar com os privilégios sacerdotais, inclusive, eliminando o latim, a fim de que todos pudessem entender o verbo divino.

Um segundo grande ponto do pensamento político de Hus é a importância que ele dá à Universidade. Ele estima que se a Universidade for bem estruturada, os alunos receberão orientação adequada e poderão ser os futuros reformadores do quadro político e social de sua nação. Daí sua luta para mudar a direção da Universidade, no sentido de oferecer um maior número de vozes à nação Boêmia e ao partido reformador.

O terceiro e mais significativo aspecto de seu pensamento político é a sua tendência constante a relacionar tudo com o povo. Quando chegava uma mensagem do Concílio, Hus a lia em assembleia popular. A sua pregação sobre a liberdade era contínua. Orientava, assim, o povo para os riscos de se resistir às autoridades injustas. Para ele o que compõe a Igreja justa são os pobres e a multidão dos crentes que são a autoridade última. O afã de tudo tornar público, fê-lo responder à excomunhão maior da Cúria, com o "apelo último": o único juiz legítimo é Jesus Cristo e não o papa ou Concílio.

O quarto ponto refere-se ao duplo movimento de ruptura e de continuidade entre o cristianismo e o poder. Ruptura, no sentido de não deixar a religião justificar nem tampouco legitimar nenhum poder, nenhuma dominação, nenhuma desigualdade. É a partir da revelação que o homem deve julgar as autoridades. Mas a principal relação é que, para Hus, a liberdade cristã deve produzir a liberdade política, e esta no que concerne ao povo checo, se deve inscrever dentro da liberdade nacional.

João Hus, grande propagador da liberdade religiosa e política, sempre dizia que a liberdade tem poucas chances de sucesso. Eis que, vê consumado em si mesmo o que mais temia: morreu queimado no dia 06/07/1415, por ordem do clero.

Fonte de Consulta

CHÂTELET, F., DUHAMEL, O. e PISIER, E. Doutrina de Obras Políticas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1993.

 

Jean-Jacques Rousseau

“O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado.” Jean Jacques Rousseau

Jean Jacques Rousseau nasceu em Genebra a 28 de junho de 1712 e morreu em Ermenonville a 2 de julho de 1778. Escritor francês de origem suíça, teve uma vida bastante atribulada: ao nascer, morreu-lhe a mãe; foi educado por um pastor; teve Madame Warrens como amante; foi preso e refugiou-se na Inglaterra. Além de escritor político e social, dedicou-se também à música e à poesia.

O Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, em 1754, trata da desigualdade e da injustiça como frutos de uma hierarquia mal constituída. Nessa obra, Rousseau afirma que a organização social não corresponde à verdadeira natureza humana, corrompendo-a e sufocando o seu potencial. A Nova Heloísa, em 1761, exalta o direito da paixão, mesmo quando ilegítima, contra a hipocrisia da sociedade. A mentira seria um produto social. É romance filosófico que exalta a pureza em luta contra uma ordem social corrompida e injusta.

Dentre os vários escritos de Rousseau, sobressaíram os Do Contrato Social e Emílio ou da Educação, em 1762. No Contrato Social, retrata o Estado ideal alicerçado na vontade geral, onde cada um, através de um pacto social, cede, de si, para a felicidade da nação. No Emílio ou da Educação, há um questionamento sobre o método da educação vigente na época. Imagina, assim, um pretenso aluno — Emílio — que faz o seu aprendizado, partindo de sua própria natureza, ou seja, de "dentro para fora" e não de "fora para dentro", como era o convencional.

A liberdade foi amplamente veiculada em todos os seus escritos. Para Rousseau, a liberdade era tão importante que toda a sua teoria foi designada para assegurá-la a todos; não na forma de remover coação, mas como uma liberdade positiva para participar na atividade de legislar sobre o bem comum. Assim, em seu pensamento, a lei mais do que a anarquia é que mantém o povo livre. No Contrato Social ele investiga os pressupostos desta liberdade examinando "os homens como eles são" e as "leis como devem ser".

A influência de Rousseau foi tamanha que, no período que antecedia a Revolução Francesa, havia um grupo de intelectuais, pertencente ao Círculo de Ferro, que estudaram exaustivamente cada um dos capítulos do seu livro Do Contrato Social, com o objetivo de formar a opinião da população. Como Rousseau era pessimista, e dizia que todos os homens nascem livres mas em toda a parte se veem acorrentados, eles reelaboram esse conceito, dizendo que se Rousseau estivesse vivo, a revolução seria o único meio libertar as pessoas dessas correntes.

Rousseau foi um defensor da liberdade e da justiça. Estudemo-lo e absorvamos todo o manancial de conhecimentos que jorra de uma alma amante da verdade.

Fonte de Consulta

COLLINSON, D. Fifty Major Philosophers: a Reference Guide. London and New York, Routledge, 1989.


Economia Cognitiva

Economia Cognitiva é o título do livro de Thierry Gaudin, engenheiro de minas, politécnico e pesquisador do futuro da França, em que "considera que o essencial não é compreender as transformações da matéria realizadas pela indústria — isto é apenas um resultado —, mas as causas imateriais, que se exprimem principalmente pelos processos de reconhecimento que se encontram na sociedade".

A sua tese fundamenta-se na veiculação dos logiciels, tradução francesa de software (programas e aplicações de informática). De acordo com o autor, há vários logiciels na economia, isto é, oferta e demanda, custo e receita, produção e consumo etc., que podem ser resumidos em três: poder, mercado e inovação. Nesse mister, alerta-nos que quando o poder (monopólio das grandes empresas, inclusive o governo) domina o mercado, a inovação fica esquecida, prejudicando o desenvolvimento cognitivo da pessoa humana.

A análise dos saber-fazer é a pedra de toque da abordagem cognitiva. O saber-fazer está inserido nos comportamentos dos indivíduos e, no caso de uma catástrofe destruir os bens materiais, a sociedade é capaz der reconstruí-los. A especialização moderna, quando comparada à postura do saber-fazer, apresenta-se como um etnocídio, ou seja, a morte de uma cultura. Por que? Porque quando um país importa uma tecnologia estrangeira, ele fica dependente dessa técnica, além de alterar todas as relações internas de troca que havia até então.

Diante do esfacelamento da aplicação das teorias econômicas de 200 anos (máxima receita pelo mínimo custo), propõe uma nova maneira de construir os modelos econômicos, ou seja, enfatiza a desarticulação do poder das grandes corporações, quer seja privada ou pública, para que a inovação do saber-fazer se faça presente. Nesse sentido, levanta, dentre outros, os seguintes temas: ajardinamento do planeta, estruturação das cidades, povoamento dos mares, solidariedade e compartilhamento e fisco incentivador.

O que há de novo na sua maneira de olhar a economia? Apenas deu-lhe o título de economia cognitiva, mas seus raciocínios podem ser encontrados em diversos pensadores. Observe que suas críticas à medição do PIB (poluição aumenta e não diminui o PIB, por exemplo) já foram levantadas por Boulding, que sua humanização do trabalho é semelhante à ideia de conceber o trabalho em termos de significação para a sociedade e não aquilo que dá status social. O mérito do livro está em fazer-nos refletir sobre questões intrínsecas do "conhece-te a ti mesmo", da "autoconsciência" e do "agir sabendo porque está agindo".

Pensar, refletir e propor é louvável, pois auxilia-nos a repensar a teoria econômica ortodoxa, criando o ensejo de mudar os paradigmas, caso já não sirvam mais para a explicação dos fatos econômicos de um mundo globalizado.

Fonte de Consulta

GAUDIN, Thierry. Economia Cognitiva - Uma Introdução. São Paulo, Beca, 1999.

 

Smith, Adam

"A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes." (Adam Smith)

Adam Smith (1723-1790) foi um economista escocês. Aos 14 anos, frequentou a Universidade de Glasgow. Mais tarde, recebeu uma bolsa de estudo e foi para Oxford. Anos depois, voltou para Glasgow e tornou-se, em 1752, professor de Filosofia Moral, disciplina que incluía Teologia Natural, Ética, Jurisprudência e Economia Política. Sua fama era tanta que estudantes da Rússia, França e outros países visitavam-no com a finalidade de receber dele instruções valiosas acerca da moral e da economia. Era também conhecido pelas suas distrações, que o levaram muitas vezes ao ridículo.

A publicação da sua primeira grande obra The Theory of Moral Sentiments (A Teoria dos Sentimentos Morais), em 1759 chegou até às mãos de Charles Townshend, o estadista, e tanto o impressionou que ofereceu a Smith a posição de tutor do jovem Duque de Buccleuch. Smith aceitou a oferta e acompanhando o discípulo, empreendeu grande giro pela Europa. Demorou-se mais na França, entrando em contato com grandes pensadores, principalmente M. Quesnay, que lhe passou todas as conjecturas do seu Tableau Économique.

A riqueza das nações não foi uma obra original na acepção da palavra. Na verdade é o esforço que Adam Smith empreendera para juntar num todo as teorias que os outros seus contemporâneos pinçavam aqui e ali. Queria dar uma resposta mais coerente às indagações levantadas na sua Teoria sobre os Sentimentos Morais, ou seja, como o interesse próprio pode gerar o bem-estar da sociedade. Tenta, também, partindo de uma confusão inicial visualizar o todo harmônico.

Para compreender Adam Smith precisamos colocá-lo dentro do horizonte cultural que vivera. Na época que escrevera A riqueza das nações, a indústria era incipiente, o mercado restrito, a Revolução Industrial inexistia e tampouco o capitalismo. O mais importante é que, embora limitado, conseguiu vislumbrar as leis gerais do mercado, o mecanismo de formação de preço, a lei de oferta e procura etc. Tudo isso era feito sem a intervenção do governo, guiado apenas pela "mão invisível", em que cada qual buscando o seu interesse próprio propiciaria a sobrevivência de todos.

No fim de sua vida, Adam Smith estava repleto de honra e respeito. Em 1790, morre com 67 anos. Curiosamente sua passagem teve pouca notificação. Talvez porque as pessoas estavam preocupadas com a Revolução Francesa e suas repercussões nos condados ingleses. Ele foi enterrado no cemitério Canongate com uma lápide despretensiosa, escrita que Adam Smith, autor de A Riqueza das Nações, jaz aqui.

Eis uma vida que granjeou fama pela sua honestidade e moral elevada. Não resta dúvida que deve ser um exemplo a ser seguido pelos seus pósteros.

Fonte de Consulta

HEILBRONER, R. L. The Wordly Philosophers: the Lives, Times, and Ideas of the Great Economic Thinkers. New York, Washington Square Press, 1968.

&&&

Uma das grandes realizações de A riqueza das nações foi ter corrigido muitas ideias equivocadas do passado. Smith combateu a antiga teoria mercantilista que preconizava o acúmulo pelo Estado de grandes quantidades de barras de ouro. Da mesma forma, seu livro rejeita a afirmação dos fisiocratas da terra enquanto principal fonte de valorização, destacando, ao contrário, a importância básica do trabalho. Smith enfatizou a possibilidade de grande aumento na produção alcançável por meio da divisão do trabalho e atacou todo o conjunto de restrições que impediam a expansão industrial.

A ideia central de A riqueza das nações afirma que o aparentemente caótico mercado livre é, na realidade um mecanismo que se autogoverna e que automaticamente tende a produzir o tipo e a quantidade de bens que são mais desejados e necessários para a comunidade. Por exemplo, suponha-se que haja pouco suprimento de algum bem desejável. Naturalmente, seu preço deverá subir, o que levará a maiores lucros para aqueles que produzem esse bem. Devido aos lucros mais altos, outros produtores tenderão também a fabricar aquele artigo. O aumento de produção resultante deverá, então, acabar com a falta original do bem. Além disso, o aumento da oferta, em conjunto com a competição entre os vários fabricantes, deverá também fazer com que o artigo volte a seu preço natural, ou seja, a seu custo de produção. Ninguém, deliberadamente, tentou ajudar a sociedade, tentando diminuir a falta do artigo; entretanto, o problema foi resolvido. Cada indivíduo, segundo Adam Smith, "só procura seu próprio ganho", mas é como se fosse "levado por mão invisível para produzir um resultado que não fazia parte de sua intenção... Perseguindo seus próprios interesses, frequentemente promove os da sociedade, com mais eficiência do que realmente tivesse interesse de fazê-lo." (A riqueza das nações, Livro IV, capítulo II)

A "mão invisível", entretanto, não pode realizar seu trabalho adequadamente se existirem impedimentos ao livre comércio. Smith, portanto, acreditou no livre comércio e se opôs fortemente às altas taxas. Na verdade, ele reagiu de forma enérgica à maioria das interferências governamentais no comércio e no mercado livre, que ainda segundo ele, quase sempre diminuíam a eficácia econômica e, por fim, resultam em preços mais altos para o público (Smith não inventou o laissez faire, mas promoveu mais do que ninguém a adoção desse conceito).

Não é correto dizer que foi um apologista dos interesses dos negociantes. Ele denunciava repetidamente as práticas mercantis monopolistas, solicitando a sua eliminação.

Apesar de a teoria econômica moderna ter adicionado novos conceitos e técnicas, ela é, basicamente, um desenvolvimento natural economia clássica. Cópia de trechos de (HART, Michael H. As 100 maiores personalidades da história. Uma classificação das pessoas que mais influenciaram a história. Rio de Janeiro: DIFEL, 2001.)

&&&

Norberto R. Keppe, da Trilogia Analítica, faz as seguintes observações sobre Adam Smith:

1) Pensamento Mercantilista: o dinheiro como uma riqueza.

2) Todo o valor no trabalho que gere dinheiro.

3) Total liberdade para o Comércio Externo que traz moedas.

4) A riqueza advindo do Consumismo.

5) Destruição dos valores culturais, artísticos, industriais.

Inversão total da civilização



Economistas Filósofos

Há uma porção de homens com uma espécie de fama curiosa. Eles não comandaram exércitos, não enviaram homens à morte, não administraram impérios, não tomaram parte nas decisões históricas. Poucos deles ficaram famosos, mas nenhum tornou-se um herói nacional. Contudo, o que eles fizeram foi mais decisivo do que a fama dos grandes líderes políticos: eles, mesmo aparentemente apagados, formaram e influenciaram a racionalidade de muitas pessoas. Eles são os economistas filósofos.

Lord Keynes já nos dizia que as ideias dos economistas e dos políticos filósofos, quer certas ou erradas, são mais poderosas do que comumente se pensa. Os homens práticos, que se julgam isentos de tais influências são muitas vezes escravos de um economista já falecido. O estadista louco age premido por vozes que se encontram no ar. É através dessa voz que ele vai administrar o dia a dia de milhões de pessoas. Dessa forma, Keynes acha que o desenvolvimento das ideias é mais importante do que todos os interesses pessoais do rei, do presidente ou do governador.

Esses grandes economistas eram de vários países, de vários modos de vida e de diversos temperamentos. Alguns brilhantes, outros grosseiros; alguns fizeram fortuna e outros não souberam administrar as suas próprias finanças. Seus pontos de vista acerca do mundo variavam de acordo com suas fortunas. Uns defendiam os direitos das mulheres, enquanto outros achavam a mulher inferior; os economistas ricos escreviam contra a riqueza e os economistas pobres contra a caridade.

Contudo, no meio dessas divergências havia uma característica comum: todos estavam fascinados pelo mundo que os rodeava, pela sua complexidade e pela sua aparente desordem. Todos estavam absorvidos na análise do comportamento dos seus semelhantes, primeiro pelo modo como criavam a riqueza material e depois pela forma como pisavam o pé do vizinho para conseguir uma parte dessa riqueza. Estavam, por fim, interessados em compreender o fascínio da luta pela riqueza e pela vida.

Quem pensaria em procurar ordem e forma no interior de uma família pobre ou num especulador à beira da ruína, ou leis de consistência e princípios numa multidão à busca de riqueza ou numa hortaliceira sorrindo aos seus fregueses. É esta procura de ordem e de sentido na história social que está o centro da ciência econômica. É esse esforço para juntar a parte com o todo que dá aos grandes pensadores elementos para arquitetar um mundo ideal, em que até a utopia é factível e digna de ponderação.

Saibamos observar a ordem, mesmo quando tudo parece ir contra. Há uma lei mais perfeita que rege todo o movimento de nossas ações: é a lei natural.


Parlamentarismo Versus Presidencialismo

Aristóteles (384-322) estabeleceu a classificação ainda hoje adotada das formas de governo: a monarquia, em que o poder se concentra em uma pessoa; a aristocracia, em que o poder se concentra num grupo de pessoas; a democracia, em que o povo exerce o poder através de representantes eleitos. Essas formas variaram muito através dos tempos, passando pela ditadura, pelo absolutismo, pelo poder do exército etc. Cabe-nos, aqui, discutir a relação que há entre o parlamentarismo e o presidencialismo, formas de governo de um regime democrático.

As experiências mais marcantes do regime parlamentarista encontram-se na Grã-Bretanha; as do regime presidencialista, nos Estados unidos. No Brasil, tivemos pouca experiência com o parlamentarismo, de modo que não deu para avaliar se foi boa ou má. Sempre se optou pelo presidencialismo.

No sistema parlamentar, o Governo assenta na confiança política do Parlamento. Há três órgãos políticos, ou seja, o Chefe de Estado (rei ou presidente), o Parlamento e o Governo. Há nítida diferença entre as funções do Chefe de Estado e Chefe de governo. O Chefe de Estado, neste regime, tem uma atuação puramente simbólica ou competência muito reduzida. A administração da coisa pública se faz através de um Gabinete que, coletivamente, decide sobre os rumos do país.

No presidencialismo, as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo se assemelham. Neste caso, a responsabilidade pela condução do país recai sobre os ombros do presidente. Embora tenha um Parlamento, que lhe dá sustentação, a decisão final está em suas mãos.

Quando a gestão do bem público é bem coordenada, tanto faz um sistema quanto o outro, pois o que está em jogo é a competência ética, moral e intelectual de seus líderes. E quando há uma crise política? Nesta situação, o regime parlamentarista é mais viável, pois o Chefe de Estado pode dissolver o Gabinete e convocar novas eleições para substituir o Parlamento. O mesmo acontece se o presidente não estiver agindo a contento. O seu afastamento é feito sem traumas e com um custo baixíssimo para o país em questão.

Observe a situação atual do Brasil, com sua forma presidencialista. Houve uma denúncia de corrupção. Suspeita-se que o presidente esteja envolvido. Mas, até chegar em sua pessoa tem que percorrer muitos caminhos. Para isso, formam-se CPIs e mais CPIs, com um custo elevadíssimo para os cofres públicos: água, luz, transporte, desgaste físico, papéis e mais papéis etc. Sem contar os projetos que não foram votados e que poderiam auxiliar numa melhor distribuição dos recursos do contribuinte.

É preciso, pois, repensar a reforma política, no sentido de proporcionar uma melhor representação dos anseios do povo brasileiro, com uma drástica redução dos custos de seu funcionamento.




26 janeiro 2026

A Regra dos 3,5%

A chamada teoria (ou regra) dos 3,5% tem origem em estudos sobre política e comportamento coletivo, que observaram a conduta humana e concluíram que apenas 3,5% da população, quando bem organizada, coesa e perseverante, pode ser suficiente para provocar a ruptura de um sistema político, social ou econômico.

Em termos históricos, há exemplos em que essa teoria se mostrou eficaz. Na Índia, o movimento liderado por Mahatma Gandhi, e nos Estados Unidos, a luta pelos direitos civis conduzida por Martin Luther King Jr., demonstram como minorias bem estruturadas conseguiram promover mudanças profundas. Por outro lado, também existem casos em que a teoria não se confirmou, sobretudo quando a adesão foi numerosa, porém desorganizada ou carente de objetivos claros, fazendo com que o movimento perdesse força ao longo do tempo.

De um lado, temos grupos da sociedade se organizando; de outro, governos e instituições buscando se defender. Atualmente, as redes sociais exercem papel ambíguo: ao mesmo tempo em que favorecem a mobilização rápida e em tempo real, também podem fragilizar os movimentos, pois a intensidade inicial nem sempre se sustenta a longo prazo. A explosão de engajamento costuma ser forte, mas frequentemente carece de coesão e continuidade.

Tudo parece estar centrado na primeira faísca. O poder de combustão de um fósforo é pequeno, mas, ao entrar em contato com palha seca, pode se alastrar em segundos e até consumir uma floresta inteira. Eis o poder de uma semente minúscula, capaz de impulsionar uma cidade, um estado, um país — e até o mundo.

Já alertava um provérbio chinês que “uma caminhada de mil léguas começa com o primeiro passo”. No início, esse passo pode ser hesitante e vacilante, mas, se houver continuidade — mesmo “com os joelhos desconjuntados”, como diria o apóstolo Paulo —, o advento do êxito se torna cada vez mais próximo.

Por fim, somente a perseverança na defesa de uma ideia é capaz de conduzi-la ao sucesso. O restante é fogo-fátuo, que se dissipa e acaba ficando pelo meio do caminho.

12 janeiro 2026

Orbán e o Destino da Hungria

Em 10 de janeiro de 2026, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, proferiu um discurso no congresso do seu partido Fidesz em Budapeste, em que afirmou: "na primavera de 2026, escolheremos nosso destino: o caminho da paz ou o caminho da guerra". 

Ao abrir o discurso, o primeiro-ministro Orbán anunciou que a aliança governista divulgaria publicamente seus 106 candidatos distritais, descrevendo-os como prontos para apoiar e defender uma Hungria independente após mais uma vitória eleitoral. A lista inclui 65 candidatos que já haviam participado e 41 novos candidatos. O primeiro-ministro Orbán também afirmou que o partido precisa se renovar constantemente, acrescentando que "só o Fidesz é melhor que o Fidesz".

O primeiro-ministro Orbán indicou o dia 20 de fevereiro como a próxima data crucial, quando o partido apresentará sua lista nacional e o líder da lista. Ele afirmou que, após 20 anos como primeiro-ministro, continua "pronto para a tarefa" e observou que, entre os líderes internacionais, ainda é considerado relativamente jovem.

Ao analisar o histórico do partido desde a adesão à UE, o primeiro-ministro Orbán afirmou que o Fidesz venceu todas as eleições para o Parlamento Europeu e conquistou quatro eleições parlamentares com maioria de dois terços. Ele descreveu a "previsibilidade", a "segurança" e a "experiência" como as qualidades de que a Hungria precisa e disse que a transição geracional dentro do Fidesz está ocorrendo em estruturas "ordenadas".

Em relação à economia, o primeiro-ministro Orbán afirmou que o governo prometeu um modelo baseado no trabalho e cumpriu a promessa. Ele citou dados salariais, declarando que, de 2010 a 2026, o salário mínimo subiu de 73.000 florins para 323.000, e o salário médio, de 202.000 para 700.000 florins. Para o próximo ciclo governamental, ele estabeleceu duas metas principais: um salário mínimo de € 1.000 e um salário médio de 1.000.000 de florins.

O primeiro-ministro Orbán destacou o sistema tributário familiar da Hungria e afirmou que o país precisa de "confiança serena" em uma "era de perigos". Nas eleições de 2026, acrescentou, a disputa não é apenas contra adversários políticos, mas também contra "mentiras", "cinismo" e "submissão".

Sobre a imigração, o primeiro-ministro Orbán argumentou que certas decisões são irreversíveis, afirmando que, uma vez admitidos os imigrantes, os países não podem retornar ao seu estado anterior. Ele disse que Bruxelas está pressionando os Estados-membros da UE a se tornarem "países de imigrantes", a menos que se rebelem, descreveu Bruxelas como inimiga da civilização cristã europeia e afirmou que as instituições da UE usam instrumentos legais contra países "rebeldes" citando a multa de um milhão de euros por dia imposta à Hungria. Ele acrescentou que essa penalidade é um preço menor do que o custo de se tornar um "país de imigrantes".

Ao relacionar a migração com a segurança, o primeiro-ministro Orbán afirmou que ela traz violência e "antissemitismo violento", e alegou que famílias judias da Europa Ocidental estão se mudando para a Hungria em números crescentes. Ele disse que o Fidesz-KDNP é a única força política capaz de garantir a segurança dos judeus em Budapeste.

Sobre política de gênero, o primeiro-ministro Orbán afirmou que seguir o "caminho político de Bruxelas" tornaria a adoção de políticas de gênero obrigatória. Ele alertou contra a "sensibilização", dizendo que ela atinge a todos, altera a mentalidade das crianças e muda os alicerces culturais de um país.

Na seção central sobre política externa, o primeiro-ministro Orbán afirmou que a Hungria enfrenta "dois caminhos": guerra ou paz. Ele disse que o Tisza e o DK levariam a Hungria a uma "economia de guerra de Bruxelas" e argumentou que os lideres da UE optaram pela guerra sem ter os recursos necessários para sustentá-la. Ele afirmou que a Ucrânia não reembolsará os € 270 bilhões que recebeu da UE e que a Europa só recuperará esse dinheiro derrotando a Rússia — caso contrário, ele será retirado da própria economia europeia.

Ao abordar as tendências globais, o primeiro-ministro Orbán afirmou que a ordem internacional liberal está em colapso e que a era das nações está chegando. Ele citou Washington, Pequim, Moscou e Istambul como capitais "interessadas" no sucesso da Hungria e disse que o país está firmando acordos para garantir sua segurança. Destacou os compromissos da politica industrial, incluindo um plano para construir 150 fábricas, das quais 101 já estão em construção, e concluiu reiterando que a primavera de 2026 será o momento de "escolher nosso destino".

Extraído de https://www.youtube.com/watch?v=2Pe_uN7mTpE&t=3738s (aos 53 minutos do vídeo)


03 janeiro 2026

Movimento Patriótico Nacional: Algumas Notas

A falta de coordenação no apoio a Eduardo Bolsonaro e a tardia coesão em torno da candidatura de Flávio são uma clara demonstração de que o movimento patriótico nacional ainda não amadureceu o suficiente. O bolsonarismo, embora tenha amplo apoio popular, não criou as macroestruturas que organizam um movimento político. O resultado é uma bancada heterogênea, em que os deputados do PL não se sentem na obrigação de seguir uma liderança, e muito menos uma agenda de longo prazo.

Ao observar com atenção o cenário político nacional, percebe-se que existem de fato apenas dois movimentos realmente políticos com uma agenda para pautar a pólis. De um lado, o petismo com seus partidos associados; de outro, o tucanismo. São as únicas forças que dispõem de uma estratégia de longo prazo e de uma ação consequente ao longo do tempo, orientada para conquistar ou preservar o poder. Todo o restante tem pouca relevância estrutural.

No Brasil, confunde-se frequentemente o que seja um movimento político com o que é, em essência, apenas um aglomerado de políticos. O MDB, por exemplo, não se comporta como partido no sentido rigoroso do termo. Não apresenta estratégia, não possui objetivo definido; funciona, antes, como um conjunto de votos disponível à venda, a ser adquirido ora pelos tucanos, ora pelos petistas, na ausência de qualquer outro comprador relevante. Discute-se, assim, um conjunto de temas politicamente periféricos, enquanto a estrutura real do poder permanece praticamente intocada. Em termos objetivos, há três fenômenos principais: o petismo articulado, o tucanismo articulado cuja ligação com estruturas internacionais é mais profunda e um movimento popular acéfalo.

Este "movimento popular" não chega propriamente a configurar um movimento; trata-se, antes, de uma revolta difusa da população. Não se pode falar em movimento político sem a existência de um objetivo claro. O que aparece, no entanto, é um mosaico de objetivos dispersos: instaurar uma democracia próspera e pujante, resolver os problemas da segurança pública — sem descrever como isso será feito, entre muitos outros. São milhares de objetivos soltos, absolutamente inconexos e, com alguma frequência, politicamente irrelevantes.

Os tucanos, por sua vez, possuem um plano de longo prazo, contam com apoio internacional, dispõem de conexões orgânicas e configuram um movimento político estruturado; compreender esse dado é essencial. Representam, em grande medida, a expressão local da nova ordem mundial, do globalismo e do poder exercido por organismos internacionais. Encarnam, portanto, esse conjunto de forças. Trata-se, em larga medida, da turma formada em torno da London School of Economics, herdeira direta da tradição fabiana. Tanto o tucanismo quanto o petismo se apresentam, assim, como ramificações locais de movimentos internacionais dotados de história, continuidade e doutrina: o primeiro associado à tecnocracia globalista de corte fabiano; o segundo, ao movimento comunista internacional, com sua tradição de cerca de 150 anos.

Assim, ao se considerar que correntes de ideias efetivamente estruturadas estão disponíveis no Brasil, o quadro se afunila: existem, em termos amplos, duas grandes matrizes ideológicas — o marxismo e o liberalismo. Apenas esses grupos apresentam uma agenda de longo prazo, um projeto político nacional.

Como será possível deter esses agentes políticos sem apresentar uma agenda contrária? Como o bolsonarismo pode vencer sem ter um projeto político?

Extraído, por volta de 25 minutos, do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=4fobNbtGThU&t=4633s


29 dezembro 2025

Economia Brasileira: Pib e Renda per Capta

O Brasil, tendo à disposição uma área territorial extensa, a maior reserva absoluta de água doce do mundo e, também, a maior reserva de água limpa per capita, além da abundância de recursos naturais variados, não tem sido capaz de se aproximar do conjunto dos países desenvolvidos, composto pelos 30 países de maior renda por habitante entre as 193 nações filiadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil está na 11ª colocação entre as maiores economias do mundo. Isso pelo lado do PIB, pois seu valor é de US$ 2,2 trilhões/ano para uma população de 212 milhões de habitantes; isso resulta em um PIB por habitante de US$ 10,4 mil dólares. Nos Estados Unidos, esses mesmos dados indicam um PIB de US$ 29 trilhões para uma população de 340 milhões de habitantes, o que dá US$ 85,3 mil dólares de PIB per capita ao ano.

Quando se divide o PIB pelo total de habitantes, o Brasil fica em torno da 65ª posição, a depender do momento em que a medida é compilada. Veja-se o caso da Dinamarca: o país europeu tem um PIB de US$ 465 bilhões, o que indica uma economia pequena, em 41º lugar entre os maiores PIBs do mundo. Mas, com população próxima de 6 milhões de habitantes, a renda por habitante no país é de US$ 77,6 mil, o que dá à Dinamarca o nono lugar no ranking do desenvolvimento econômico pelo critério da fração da renda nacional para cada habitante do país.

A economia brasileira é grande em termos absolutos, mas pequena em comparação com as economias desenvolvidas, refletindo limitações estruturais e baixo avanço científico e tecnológico. O crescimento do PIB não supera de forma consistente o aumento populacional, o que dificulta a melhoria do desenvolvimento. Soma-se a isso a baixa inserção internacional do país e a pouca participação no comércio mundial. A insuficiência em inovação, pesquisa e produtividade limita o potencial de expansão econômica. Assim, o Brasil permanece distante dos padrões de renda e progresso das nações desenvolvidas.

Outro entrave central é a baixa produtividade dos impostos, decorrente de gastos públicos ineficientes, corrupção e inchaço estatal, que geram serviços precários frente à elevada carga tributária. A instabilidade política, insegurança jurídica e regras econômicas imprevisíveis desestimulam investimentos e crescimento. Predominam ações reativas do Estado, voltadas a corrigir problemas internos, em vez de políticas ativas voltadas à expansão produtiva e à inovação. A fuga de capitais e os baixos investimentos em infraestrutura reforçam esse cenário. Como consequência, o país cresce pouco e mantém elevados déficits sociais.

Fonte de Consulta

Editorial Gazeta do Povo — Em: https://luizberto.com/economia-brasileira/


24 dezembro 2025

Index Librorum Prohibitorum

Index” (ou índice) tem como ideia-base apontar, organizar ou medir. Pode ser usado em livros, documentos e informática. É a referência organizada que ajuda a encontrar, medir ou acessar algo com mais eficiência. Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos). Lista oficial da Igreja Católica que indicava quais livros eram considerados perigosos para a fé ou a moral. Existiu formalmente de 1559 até 1966. Incluía obras de filósofos, cientistas e teólogos, como Galileu, Descartes, Kant, entre outros. 

Objetivo. Orientar os fiéis sobre leituras consideradas inadequadas, não apenas censurar por censurar, mas proteger a ortodoxia segundo a visão da época. Para tanto, confeccionava uma lista ou catálogo de textos, regras, livros aceitos ou rejeitados. Abolido em 1966, mas a Igreja mantém a ideia de discernimento moral sobre leituras, sem uma lista formal obrigatória. Em outras tradições religiosas, podem existir listas de livros canônicos, apócrifos ou proibidos, mesmo que não usem o nome “index”.

Surgimento, funcionamento e impacto histórico. Surgiu no século XVI, num contexto da Reforma Protestante, que era a disputa direta de ideias religiosas, de muitos livros circulando rápido, fora do controle. Funcionava como uma lista oficial atualizada periodicamente, na qual alguns livros eram totalmente proibidos, outros permitidos após correções, outros ainda permitidos somente para especialistas. Em se tratando do impacto histórico: 1) positivo — preservou a unidade doutrinal e evitou leituras superficiais e distorcidas da fé; 2) negativo (visto hoje): limitou a liberdade intelectual; atrasou o diálogo com a ciência moderna; criou tensão entre fé e razão. Tornou alguns autores ainda mais famosos (efeito “livro proibido”)

A relação entre Index e Inquisição é direta, mas eles não são a mesma coisa. A ligação essencial: 1) ambos surgem nos séculos XVI–XVII); 2) ambos buscavam proteger a fé católica; 3) ambos lidavam com a ideia de heresia, mas de modos distintos. Inquisição era um tribunal religioso que julgava pessoas e investigava heresias, desvios doutrinários. Focava comportamento e crença das pessoas. Index Librorum Prohibitorum era uma lista de livros que julgava ideias registradas em textos. Indicava quais obras não deviam ser lidas ou corrigidas. Focava o conteúdo intelectual.

O cruzamento. Muitas vezes, a Inquisição analisava livros suspeitos. Se um texto fosse considerado perigoso: 1) o autor podia ser investigado pela Inquisição; 2) o livro podia entrar no Index. Exemplo clássico: Galileu Galilei — Julgado pela Inquisição. Suas obras colocadas no Index. Diferença-chave (em uma frase): Inquisição controla pessoas e crenças; Index controla livros e ideias.

A proibição tem nome, chama-se “efeito do fruto proibido” ou efeito Streisand (conceito moderno): Tentar suprimir uma ideia pode torná-la mais atraente e visível. Em se tratando do Index e da Inquisição, aconteceu exatamente isso: livros colocados no Index circulavam mais, de forma clandestina; autores proibidos ganhavam prestígio intelectual; ideias reprimidas viravam símbolos de resistência. A repressão ajudou a fixar a narrativa de “Igreja vs. razão”. Galileu é o exemplo clássico: o julgamento não apagou suas ideias — ajudou a eternizá-las.

Frases de efeito: Proibir pode calar por um tempo, mas costuma gritar para a história. Censura raramente nasce do ódio ao outro — nasce do medo de perdê-lo ou de perder a si mesmo.

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

21 dezembro 2025

Os Cinco Períodos Históricos

De acordo com a convenção histórica criada por historiadores europeus, há cinco períodos históricos: 1) Pré-História, que começa com o surgimento dos primeiros seres humanos até c. 4.000 a.C., com a invenção da escrita; 2) Idade Antiga — c. 4.000 a.C. até 476 d.C., com a queda do Império Romano no Ocidente; 3) Idade Média — 476 até 1453 (queda de Constantinopla) ou 1492 (chegada dos europeus à América); 4) Idade Moderna — 1453 ou 1492 até 1789 com a Revolução Francesa; 5) Idade Contemporânea — 1789 até os nossos dias.

As características de cada período podem ser assim resumidas: 1) Pré-História — não havia escrita. Subdivisões:  Paleolítico, Mesolítico e Neolítico; 2) Idade Antiga — primeiras civilizações, tais como, egípcios, mesopotâmicos, gregos e romanos. 3) Idade Média — marcada pelo feudalismo, forte influência da Igreja e formação dos reinos europeus; 4) Idade Moderna — período das grandes navegações, do absolutismo e do Renascimento; 5) Idade Contemporânea — revoluções industriais, guerras mundiais e o mundo atual.

René Descartes (1596-1650) se encaixa no período moderno. Por quê? Ele está ligado a características centrais desse período, ou seja, do Renascimento científico, do racionalismo, da valorização da razão e do método científico. Considerado um dos pais Filosofia Moderna e, também, famoso por sua frase lapidar “penso, logo existo” (cogito, ergo sum). Rompeu com a tradição, ao afirmar que a razão humana, sozinha, pode alcançar verdades seguras. Dizia que não se deve aceitar nada sem questionar. O conhecimento pertence ao sujeito que pensa e não o que vem da tradição.

Há uma sensação de que a Idade Moderna avança sobre a Idade Contemporânea. Em primeiro lugar, devemos entender que a divisão das “idades” é artificial. As idades não são muros, mas uma convenção criada entre os historiadores. Ideias, costumes e estruturas continuam por muito tempo, mesmo após as datas simbólicas. A Revolução Francesa (1789) é um marco didático, não um corte real. Exemplos: a ciência racional surge na Idade Moderna e se expande na Idade Contemporânea. O mesmo podemos dizer do capitalismo, do Estado moderno e do Individualismo.

Sobre a sensação de que uma idade avança na subsequente, analisemos:

Revolução Francesa — Antes de 1789 (Idade Moderna): 1) existia o absolutismo monárquico; 2) a sociedade era dividida em estamentos [divisões sociais rígidas]; 3) as ideias do iluminismo criticavam o poder do rei. Depois de 1789: 1) absolutismo foi demolido na França; 2) surgem ideias de igualdade, cidadania e direitos; 3) consolidação do Estado liberal. Atenção: ideias iluministas nasceram na Idade Moderna, porém continuaram influenciando a mundo na Idade Contemporânea. 

Aspectos econômicos — Idade Moderna: havia o capital comercial, baseado no mercantilismo; forte influência do Estado; lucro pelo acúmulo de metais preciosos. Idade Contemporânea:  o capitalismo não acaba mas se transforma; surge o capitalismo industrial; com a Revolução Industrial, a produção passa a ser feita em fábricas; lucro vem principalmente da indústria e dos trabalhadores assalariados. 

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

04 dezembro 2025

A Tirania dos Medíocres

A cicuta de Sócrates não foi um erro de percurso, mas a consequência lógica de um sistema onde a verdade é submetida ao escrutínio de quem não sabe o que é verdade ou a procura.

Há uma romantização quase infantil, repetida à exaustão por analistas de redação e cientistas políticos de fim de semana, de que a democracia é o remédio universal para todas as mazelas humanas. Esquecem-se, ou fingem esquecer, que a cena fundadora da política ocidental não é um abraço coletivo em praça pública, mas um assassinato judicial. Sócrates, o pai da filosofia, não foi calado por um tirano sanguinário de terras bárbaras. Quem lhe serviu a cicuta foi o "povo", o sagrado demos, no pleno exercício de sua vontade majoritária. A Atenas que se orgulhava de suas liberdades usou as urnas para extinguir a inteligência. Platão, atônito, aprendeu ali a lição que insistimos em ignorar dois milênios depois: a democracia pode ser, e frequentemente é, apenas a tirania legitimada pela contagem de cabeças.

Em A República, Platão não tratou a democracia como uma "entidade inquestionável", mas como uma doença autoimune da pólis. Para ele, o sistema é um convite aberto ao caos. O império da opinião (doxa), governado pelo humor flutuante das massas, não abre alas para o estadista, mas estende o tapete vermelho para o demagogo. Não o tirano clássico, que toma o poder pela espada, mas o déspota insidioso, manufaturado pela lisonja e pela retórica barata. O raciocínio é devastador: quando a verdade precisa ser validada pelo voto da maioria, a mentira torna-se, inevitavelmente, política de Estado. Se a lógica cede lugar à emoção histérica, a política degenera em espetáculo. A tirania não é o oposto da democracia; paradoxalmente, é o seu filho natural, nascido no momento exato em que a multidão decide que sua vontade vale mais qualquer lei ou instituição.

É preciso ter a coragem de dizer o óbvio ululante: a maioria pode ser, sim, tirânica. Benjamin Franklin, com a lucidez que falta aos nossos constituintes de 88, resumiu: "Democracia são dois lobos e uma ovelha decidindo o que teremos para o jantar".

Esse cenário de caos organizado encontra sua explicação perfeita na profecia de José Ortega y Gasset. O filósofo espanhol, em A Rebelião das Massas, diagnosticou o surgimento da "hiperdemocracia". Grosso modo, é o império do homem-massa: um indivíduo esvaziado de história, satisfeito com sua própria mediocridade, que se sente no direito de impor seus desejos vulgares como se fossem leis universais. O homem-massa é a criança mimada da história; ele exige todos os direitos da civilização, mas recusa qualquer dever ou freio moral. Ele não quer debater; ele quer impor. E ai de quem discordar do coro — será cancelado, processado ou silenciado pelo tribunal da virtude pública.

Hoje, os demagogos previstos por Platão sofisticaram seus métodos. Não precisam mais gritar "Barrabás" na Ágora; basta manipular o algoritmo. O ciclo contínuo de notícias e a polarização de torcida organizada criaram o ambiente perfeito para a degradação: a razão afogada pelo ruído e a verdade diluída até se tornar irreconhecível. Vivemos sob a ilusão de liberdade porque podemos escolher entre duas opções de servidão.

A saída não é "mais democracia", como repetem os papagaios do progressismo, mas o resgate da República — no sentido estrito de Rule of Law, o governo das leis e não dos homens. Uma ordem onde instituições sólidas e a alta cultura protejam a sociedade dos caprichos da turba. Enquanto continuarmos a acreditar que a vontade de 50% mais um é sinônimo de justiça, continuaremos a servir a cicuta aos nossos melhores, aplaudindo bovinamente a nossa própria ruína.

Cópia de Marcos Paulo Canderoro in: https://candeloro.substack.com/p/a-tirania-dos-mediocres



23 outubro 2025

Ranieri Mazzilli

Nome completo: Pascoal Ranieri Mazzilli

Nascimento: 27 de abril de 1910, em Caconde (SP)

Falecimento: 21 de abril de 1975, em São Paulo (SP)

Profissão: Advogado, jornalista e político

Partido principal: PSD (Partido Social Democrático)

Ranieri Mazzilli foi uma figura importante na história política do Brasil, especialmente por ter assumido duas vezes a Presidência da República de forma interina em momentos de crise.

Carreira política. Foi deputado federal por São Paulo durante vários mandatos. Tornou-se Presidente da Câmara dos Deputados entre 1958 e 1965. Por ocupar esse cargo, era o primeiro na linha de sucessão presidencial, o que o levou ao cargo máximo do país em momentos excepcionais.

Como Presidente da República interino:

Agosto de 1961. Quando o então presidente Jânio Quadros renunciou inesperadamente (25 de agosto de 1961). Como o vice-presidente João Goulart estava em viagem oficial à China, Mazzilli, presidente da Câmara, assumiu provisoriamente a presidência (de 25 de agosto a 7 de setembro de 1961). Seu governo foi de transição, até que Goulart retornasse e se resolvesse a crise — o que levou à adoção do parlamentarismo, permitindo a posse de Jango.

Abril de 1964. Após o golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs João Goulart, Mazzilli voltou a assumir interinamente (de 2 a 15 de abril de 1964) até que os militares escolhessem o novo presidente, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Legado. Mazzilli é lembrado como um político moderado e legalista, que cumpriu papel institucional importante durante momentos de instabilidade. Não foi um presidente de fato com poder político próprio, mas garantiu a continuidade constitucional em períodos críticos.

Fonte de Consulta

ChatGPT