De acordo com Roberto Grassi, tradutor da obra "O
Príncipe", de Maquiavel, o termo "maquiavélico", foi cunhado a
partir do capítulo XVIII — De que modo os príncipes devem manter a fé da palavra
dada —, do
referido livro.
Maquiavel começa este capítulo afirmando que todos, em princípio,
devem manter a fé na palavra dada. As suas observações, contudo, mostraram que
aqueles que não mantiveram as suas palavras (os "astuciosos") tiveram
mais êxito.
Ele diz que há dois modos de combater: um com as leis; o outro,
com a força. As leis são próprias do ser humano; a força, dos animais. Acha que
é sempre preferível usar a lei, mas quando esta não é suficiente, deve fazer
uso da força; por isso, deve o príncipe nortear suas ações entre o homem e o
animal. Para corroborar tal afirmação, cita Aquiles e Quiron, que eram
personagens da mitologia grega. Quiron, por exemplo, era meio homem e meio
cavalo.
Para tornar prática a sua ideia, faz comparações entre o leão e a
raposa. O leão não se defende dos laços e a raposa não tem defesa contra os
lobos. É preciso, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para
aterrorizar os lobos. Ou seja, em certas ocasiões, deve-se usar a força e, em
outras, o jeito.
Critica o papa Alexandre VI, aludindo que fala muito mas não
cumpre o que fala. Diz, também, que todo o ser humano devia ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso.
Se não puderem sê-lo, que se mostrassem sê-lo, pois as pessoas julgam mais
pelos olhos do que pelo sentimento. Parecer "bom" dará mais votos
numa eleição do que sê-lo verdadeiramente.
Este capítulo, até hoje, é o mais lembrado de toda a obra de Maquiavel e precisamente aquele que tanto tem causado escândalo através dos tempos.