Ao observar com atenção o
cenário político nacional, percebe-se que existem de fato apenas dois
movimentos realmente políticos com uma agenda para pautar a pólis. De um lado,
o petismo com seus partidos associados; de outro, o tucanismo. São as únicas
forças que dispõem de uma estratégia de longo prazo e de uma ação consequente
ao longo do tempo, orientada para conquistar ou preservar o poder. Todo o
restante tem pouca relevância estrutural.
No Brasil, confunde-se
frequentemente o que seja um movimento político com o que é, em essência,
apenas um aglomerado de políticos. O MDB, por exemplo, não se comporta como
partido no sentido rigoroso do termo. Não apresenta estratégia, não possui
objetivo definido; funciona, antes, como um conjunto de votos disponível à
venda, a ser adquirido ora pelos tucanos, ora pelos petistas, na ausência de
qualquer outro comprador relevante. Discute-se, assim, um conjunto de temas
politicamente periféricos, enquanto a estrutura real do poder permanece
praticamente intocada. Em termos objetivos, há três fenômenos principais: o
petismo articulado, o tucanismo articulado cuja ligação com estruturas
internacionais é mais profunda e um movimento popular acéfalo.
Este "movimento
popular" não chega propriamente a configurar um movimento; trata-se,
antes, de uma revolta difusa da população. Não se pode falar em movimento
político sem a existência de um objetivo claro. O que aparece, no entanto, é um
mosaico de objetivos dispersos: instaurar uma democracia próspera e pujante,
resolver os problemas da segurança pública — sem descrever como isso será
feito, entre muitos outros. São milhares de objetivos soltos, absolutamente
inconexos e, com alguma frequência, politicamente irrelevantes.
Os tucanos, por sua vez,
possuem um plano de longo prazo, contam com apoio internacional, dispõem de
conexões orgânicas e configuram um movimento político estruturado; compreender
esse dado é essencial. Representam, em grande medida, a expressão local da nova
ordem mundial, do globalismo e do poder exercido por organismos internacionais.
Encarnam, portanto, esse conjunto de forças. Trata-se, em larga medida, da
turma formada em torno da London School of Economics, herdeira direta da
tradição fabiana. Tanto o tucanismo quanto o petismo se apresentam, assim, como
ramificações locais de movimentos internacionais dotados de história,
continuidade e doutrina: o primeiro associado à tecnocracia globalista de corte
fabiano; o segundo, ao movimento comunista internacional, com sua tradição de
cerca de 150 anos.
Assim, ao se considerar
que correntes de ideias efetivamente estruturadas estão disponíveis no Brasil,
o quadro se afunila: existem, em termos amplos, duas grandes matrizes
ideológicas — o marxismo e o liberalismo. Apenas esses grupos apresentam uma
agenda de longo prazo, um projeto político nacional.
Como será possível deter
esses agentes políticos sem apresentar uma agenda contrária? Como o
bolsonarismo pode vencer sem ter um projeto político?
Extraído, por volta de 25 minutos, do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=4fobNbtGThU&t=4633s
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