A chamada teoria (ou regra) dos 3,5% tem origem em estudos sobre
política e comportamento coletivo, que observaram a conduta humana e concluíram
que apenas 3,5% da população, quando bem organizada, coesa e
perseverante, pode ser suficiente para provocar a ruptura de um sistema
político, social ou econômico.
Em termos históricos, há exemplos em que essa teoria se mostrou eficaz.
Na Índia, o movimento liderado por Mahatma Gandhi, e nos Estados
Unidos, a luta pelos direitos civis conduzida por Martin Luther King Jr.,
demonstram como minorias bem estruturadas conseguiram promover mudanças
profundas. Por outro lado, também existem casos em que a teoria não se
confirmou, sobretudo quando a adesão foi numerosa, porém desorganizada ou
carente de objetivos claros, fazendo com que o movimento perdesse força ao
longo do tempo.
De um lado, temos grupos da sociedade se organizando; de outro, governos
e instituições buscando se defender. Atualmente, as redes sociais
exercem papel ambíguo: ao mesmo tempo em que favorecem a mobilização rápida e
em tempo real, também podem fragilizar os movimentos, pois a intensidade
inicial nem sempre se sustenta a longo prazo. A explosão de engajamento costuma
ser forte, mas frequentemente carece de coesão e continuidade.
Tudo parece estar centrado na primeira faísca. O poder de combustão de um
fósforo é pequeno, mas, ao entrar em contato com palha seca, pode se alastrar
em segundos e até consumir uma floresta inteira. Eis o poder de uma semente
minúscula, capaz de impulsionar uma cidade, um estado, um país — e até o
mundo.
Já alertava um provérbio chinês que “uma caminhada de mil léguas
começa com o primeiro passo”. No início, esse passo pode ser hesitante e
vacilante, mas, se houver continuidade — mesmo “com os joelhos desconjuntados”,
como diria o apóstolo Paulo —, o advento do êxito se torna cada vez mais
próximo.
Por fim, somente a perseverança na defesa de uma ideia é capaz de
conduzi-la ao sucesso. O restante é fogo-fátuo, que se dissipa e acaba ficando
pelo meio do caminho.
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