Com receio
de envergonhar sua família, o escritor publicou seu primeiro livro sob o
pseudônimo de George Orwell. Intitulado Na Pior em Paris e Londres
(1933), a obra contava sobre as dificuldades que o autor enfrentou nessas duas
cidades. Desde então, passou a usar o pseudônimo em suas demais obras, as quais
eram marcadas por seu posicionamento em relação às injustiças sociais.
1984 e A
Revolução dos Bichos pertencem à fase final da vida de George Orwell e são
suas obras mais famosas de ficção científica, alegoria e distopia.
Os romances
anteriores do autor — publicados na década de 1930 — seguem a linha da ficção
realista, sátira e crítica social, fortemente baseados em suas próprias
experiências de vida. Em vez de focar num futuro totalitário imaginário, esses
livros atacam os problemas reais e imediatos de sua época, como o imperialismo,
a pobreza e a opressão de classes.
Veja como se
dividem os temas dos outros romances:
1. Crítica
ao Imperialismo
- Dias na
Birmânia (Burmese Days, 1934): Baseado no período em que Orwell
trabalhou como policial imperial na Ásia. É um retrato realista e amargo
que denuncia a corrupção moral, o racismo e a hipocrisia do Império
Britânico.
2. Pobreza e
a Luta das Classes Sociais
- A Filha
do Reverendo (A Clergyman's Daughter, 1935):
Acompanha uma jovem que sofre de amnésia e acaba vivendo na miséria
absoluta, trabalhando na colheita de lúpulo e mendigando em Londres.
Orwell usa a história para expor as terríveis condições de vida dos
marginalizados.
- A Flor
da Inglaterra (Keep the Aspidistra Flying, 1936):
Uma sátira social sobre um jovem poeta que declara "guerra" ao
dinheiro e ao materialismo da classe média (simbolizada pela planta
aspidistra). Mostra como o capitalismo sufoca a criatividade e a dignidade
humana.
3. O Medo da
Guerra e a Modernização
- Um
Pouco de Ar, por Favor! (Coming Up for Air,
1939): Lançado nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, acompanha um homem
comum de meia-idade que tenta regressar à sua terra natal em busca de paz.
O livro reflete o medo real da guerra que se aproximava e a desilusão com
a modernização industrial desenfreada.
As obras de
Não Ficção Seus relatos autobiográficos, como Na Pior em Paris e Londres e O
Caminho para Wigan Pier, também reforçam esse lado de jornalista social de
Orwell, documentando a vida na pobreza extrema e nas minas de carvão
britânicas.
Em suma,
enquanto 1984 e A Revolução dos Bichos usam a ficção especulativa
e a fábula para alertar contra o totalitarismo político, os primeiros livros de
Orwell eram ferramentas diretas de realismo social para combater as injustiças
do presente.
