29 dezembro 2025

Economia Brasileira: Pib e Renda per Capta

O Brasil, tendo à disposição uma área territorial extensa, a maior reserva absoluta de água doce do mundo e, também, a maior reserva de água limpa per capita, além da abundância de recursos naturais variados, não tem sido capaz de se aproximar do conjunto dos países desenvolvidos, composto pelos 30 países de maior renda por habitante entre as 193 nações filiadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil está na 11ª colocação entre as maiores economias do mundo. Isso pelo lado do PIB, pois seu valor é de US$ 2,2 trilhões/ano para uma população de 212 milhões de habitantes; isso resulta em um PIB por habitante de US$ 10,4 mil dólares. Nos Estados Unidos, esses mesmos dados indicam um PIB de US$ 29 trilhões para uma população de 340 milhões de habitantes, o que dá US$ 85,3 mil dólares de PIB per capita ao ano.

Quando se divide o PIB pelo total de habitantes, o Brasil fica em torno da 65ª posição, a depender do momento em que a medida é compilada. Veja-se o caso da Dinamarca: o país europeu tem um PIB de US$ 465 bilhões, o que indica uma economia pequena, em 41º lugar entre os maiores PIBs do mundo. Mas, com população próxima de 6 milhões de habitantes, a renda por habitante no país é de US$ 77,6 mil, o que dá à Dinamarca o nono lugar no ranking do desenvolvimento econômico pelo critério da fração da renda nacional para cada habitante do país.

A economia brasileira é grande em termos absolutos, mas pequena em comparação com as economias desenvolvidas, refletindo limitações estruturais e baixo avanço científico e tecnológico. O crescimento do PIB não supera de forma consistente o aumento populacional, o que dificulta a melhoria do desenvolvimento. Soma-se a isso a baixa inserção internacional do país e a pouca participação no comércio mundial. A insuficiência em inovação, pesquisa e produtividade limita o potencial de expansão econômica. Assim, o Brasil permanece distante dos padrões de renda e progresso das nações desenvolvidas.

Outro entrave central é a baixa produtividade dos impostos, decorrente de gastos públicos ineficientes, corrupção e inchaço estatal, que geram serviços precários frente à elevada carga tributária. A instabilidade política, insegurança jurídica e regras econômicas imprevisíveis desestimulam investimentos e crescimento. Predominam ações reativas do Estado, voltadas a corrigir problemas internos, em vez de políticas ativas voltadas à expansão produtiva e à inovação. A fuga de capitais e os baixos investimentos em infraestrutura reforçam esse cenário. Como consequência, o país cresce pouco e mantém elevados déficits sociais.

Fonte de Consulta

Editorial Gazeta do Povo — Em: https://luizberto.com/economia-brasileira/


24 dezembro 2025

Index Librorum Prohibitorum

Index” (ou índice) tem como ideia-base apontar, organizar ou medir. Pode ser usado em livros, documentos e informática. É a referência organizada que ajuda a encontrar, medir ou acessar algo com mais eficiência. Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos). Lista oficial da Igreja Católica que indicava quais livros eram considerados perigosos para a fé ou a moral. Existiu formalmente de 1559 até 1966. Incluía obras de filósofos, cientistas e teólogos, como Galileu, Descartes, Kant, entre outros. 

Objetivo. Orientar os fiéis sobre leituras consideradas inadequadas, não apenas censurar por censurar, mas proteger a ortodoxia segundo a visão da época. Para tanto, confeccionava uma lista ou catálogo de textos, regras, livros aceitos ou rejeitados. Abolido em 1966, mas a Igreja mantém a ideia de discernimento moral sobre leituras, sem uma lista formal obrigatória. Em outras tradições religiosas, podem existir listas de livros canônicos, apócrifos ou proibidos, mesmo que não usem o nome “index”.

Surgimento, funcionamento e impacto histórico. Surgiu no século XVI, num contexto da Reforma Protestante, que era a disputa direta de ideias religiosas, de muitos livros circulando rápido, fora do controle. Funcionava como uma lista oficial atualizada periodicamente, na qual alguns livros eram totalmente proibidos, outros permitidos após correções, outros ainda permitidos somente para especialistas. Em se tratando do impacto histórico: 1) positivo — preservou a unidade doutrinal e evitou leituras superficiais e distorcidas da fé; 2) negativo (visto hoje): limitou a liberdade intelectual; atrasou o diálogo com a ciência moderna; criou tensão entre fé e razão. Tornou alguns autores ainda mais famosos (efeito “livro proibido”)

A relação entre Index e Inquisição é direta, mas eles não são a mesma coisa. A ligação essencial: 1) ambos surgem nos séculos XVI–XVII); 2) ambos buscavam proteger a fé católica; 3) ambos lidavam com a ideia de heresia, mas de modos distintos. Inquisição era um tribunal religioso que julgava pessoas e investigava heresias, desvios doutrinários. Focava comportamento e crença das pessoas. Index Librorum Prohibitorum era uma lista de livros que julgava ideias registradas em textos. Indicava quais obras não deviam ser lidas ou corrigidas. Focava o conteúdo intelectual.

O cruzamento. Muitas vezes, a Inquisição analisava livros suspeitos. Se um texto fosse considerado perigoso: 1) o autor podia ser investigado pela Inquisição; 2) o livro podia entrar no Index. Exemplo clássico: Galileu Galilei — Julgado pela Inquisição. Suas obras colocadas no Index. Diferença-chave (em uma frase): Inquisição controla pessoas e crenças; Index controla livros e ideias.

A proibição tem nome, chama-se “efeito do fruto proibido” ou efeito Streisand (conceito moderno): Tentar suprimir uma ideia pode torná-la mais atraente e visível. Em se tratando do Index e da Inquisição, aconteceu exatamente isso: livros colocados no Index circulavam mais, de forma clandestina; autores proibidos ganhavam prestígio intelectual; ideias reprimidas viravam símbolos de resistência. A repressão ajudou a fixar a narrativa de “Igreja vs. razão”. Galileu é o exemplo clássico: o julgamento não apagou suas ideias — ajudou a eternizá-las.

Frases de efeito: Proibir pode calar por um tempo, mas costuma gritar para a história. Censura raramente nasce do ódio ao outro — nasce do medo de perdê-lo ou de perder a si mesmo.

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

21 dezembro 2025

Os Cinco Períodos Históricos

De acordo com a convenção histórica criada por historiadores europeus, há cinco períodos históricos: 1) Pré-História, que começa com o surgimento dos primeiros seres humanos até c. 4.000 a.C., com a invenção da escrita; 2) Idade Antiga — c. 4.000 a.C. até 476 d.C., com a queda do Império Romano no Ocidente; 3) Idade Média — 476 até 1453 (queda de Constantinopla) ou 1492 (chegada dos europeus à América); 4) Idade Moderna — 1453 ou 1492 até 1789 com a Revolução Francesa; 5) Idade Contemporânea — 1789 até os nossos dias.

As características de cada período podem ser assim resumidas: 1) Pré-História — não havia escrita. Subdivisões:  Paleolítico, Mesolítico e Neolítico; 2) Idade Antiga — primeiras civilizações, tais como, egípcios, mesopotâmicos, gregos e romanos. 3) Idade Média — marcada pelo feudalismo, forte influência da Igreja e formação dos reinos europeus; 4) Idade Moderna — período das grandes navegações, do absolutismo e do Renascimento; 5) Idade Contemporânea — revoluções industriais, guerras mundiais e o mundo atual.

René Descartes (1596-1650) se encaixa no período moderno. Por quê? Ele está ligado a características centrais desse período, ou seja, do Renascimento científico, do racionalismo, da valorização da razão e do método científico. Considerado um dos pais Filosofia Moderna e, também, famoso por sua frase lapidar “penso, logo existo” (cogito, ergo sum). Rompeu com a tradição, ao afirmar que a razão humana, sozinha, pode alcançar verdades seguras. Dizia que não se deve aceitar nada sem questionar. O conhecimento pertence ao sujeito que pensa e não o que vem da tradição.

Há uma sensação de que a Idade Moderna avança sobre a Idade Contemporânea. Em primeiro lugar, devemos entender que a divisão das “idades” é artificial. As idades não são muros, mas uma convenção criada entre os historiadores. Ideias, costumes e estruturas continuam por muito tempo, mesmo após as datas simbólicas. A Revolução Francesa (1789) é um marco didático, não um corte real. Exemplos: a ciência racional surge na Idade Moderna e se expande na Idade Contemporânea. O mesmo podemos dizer do capitalismo, do Estado moderno e do Individualismo.

Sobre a sensação de que uma idade avança na subsequente, analisemos:

Revolução Francesa — Antes de 1789 (Idade Moderna): 1) existia o absolutismo monárquico; 2) a sociedade era dividida em estamentos [divisões sociais rígidas]; 3) as ideias do iluminismo criticavam o poder do rei. Depois de 1789: 1) absolutismo foi demolido na França; 2) surgem ideias de igualdade, cidadania e direitos; 3) consolidação do Estado liberal. Atenção: ideias iluministas nasceram na Idade Moderna, porém continuaram influenciando a mundo na Idade Contemporânea. 

Aspectos econômicos — Idade Moderna: havia o capital comercial, baseado no mercantilismo; forte influência do Estado; lucro pelo acúmulo de metais preciosos. Idade Contemporânea:  o capitalismo não acaba mas se transforma; surge o capitalismo industrial; com a Revolução Industrial, a produção passa a ser feita em fábricas; lucro vem principalmente da indústria e dos trabalhadores assalariados. 

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

04 dezembro 2025

A Tirania dos Medíocres

A cicuta de Sócrates não foi um erro de percurso, mas a consequência lógica de um sistema onde a verdade é submetida ao escrutínio de quem não sabe o que é verdade ou a procura.

Há uma romantização quase infantil, repetida à exaustão por analistas de redação e cientistas políticos de fim de semana, de que a democracia é o remédio universal para todas as mazelas humanas. Esquecem-se, ou fingem esquecer, que a cena fundadora da política ocidental não é um abraço coletivo em praça pública, mas um assassinato judicial. Sócrates, o pai da filosofia, não foi calado por um tirano sanguinário de terras bárbaras. Quem lhe serviu a cicuta foi o "povo", o sagrado demos, no pleno exercício de sua vontade majoritária. A Atenas que se orgulhava de suas liberdades usou as urnas para extinguir a inteligência. Platão, atônito, aprendeu ali a lição que insistimos em ignorar dois milênios depois: a democracia pode ser, e frequentemente é, apenas a tirania legitimada pela contagem de cabeças.

Em A República, Platão não tratou a democracia como uma "entidade inquestionável", mas como uma doença autoimune da pólis. Para ele, o sistema é um convite aberto ao caos. O império da opinião (doxa), governado pelo humor flutuante das massas, não abre alas para o estadista, mas estende o tapete vermelho para o demagogo. Não o tirano clássico, que toma o poder pela espada, mas o déspota insidioso, manufaturado pela lisonja e pela retórica barata. O raciocínio é devastador: quando a verdade precisa ser validada pelo voto da maioria, a mentira torna-se, inevitavelmente, política de Estado. Se a lógica cede lugar à emoção histérica, a política degenera em espetáculo. A tirania não é o oposto da democracia; paradoxalmente, é o seu filho natural, nascido no momento exato em que a multidão decide que sua vontade vale mais qualquer lei ou instituição.

É preciso ter a coragem de dizer o óbvio ululante: a maioria pode ser, sim, tirânica. Benjamin Franklin, com a lucidez que falta aos nossos constituintes de 88, resumiu: "Democracia são dois lobos e uma ovelha decidindo o que teremos para o jantar".

Esse cenário de caos organizado encontra sua explicação perfeita na profecia de José Ortega y Gasset. O filósofo espanhol, em A Rebelião das Massas, diagnosticou o surgimento da "hiperdemocracia". Grosso modo, é o império do homem-massa: um indivíduo esvaziado de história, satisfeito com sua própria mediocridade, que se sente no direito de impor seus desejos vulgares como se fossem leis universais. O homem-massa é a criança mimada da história; ele exige todos os direitos da civilização, mas recusa qualquer dever ou freio moral. Ele não quer debater; ele quer impor. E ai de quem discordar do coro — será cancelado, processado ou silenciado pelo tribunal da virtude pública.

Hoje, os demagogos previstos por Platão sofisticaram seus métodos. Não precisam mais gritar "Barrabás" na Ágora; basta manipular o algoritmo. O ciclo contínuo de notícias e a polarização de torcida organizada criaram o ambiente perfeito para a degradação: a razão afogada pelo ruído e a verdade diluída até se tornar irreconhecível. Vivemos sob a ilusão de liberdade porque podemos escolher entre duas opções de servidão.

A saída não é "mais democracia", como repetem os papagaios do progressismo, mas o resgate da República — no sentido estrito de Rule of Law, o governo das leis e não dos homens. Uma ordem onde instituições sólidas e a alta cultura protejam a sociedade dos caprichos da turba. Enquanto continuarmos a acreditar que a vontade de 50% mais um é sinônimo de justiça, continuaremos a servir a cicuta aos nossos melhores, aplaudindo bovinamente a nossa própria ruína.

Cópia de Marcos Paulo Canderoro in: https://candeloro.substack.com/p/a-tirania-dos-mediocres



23 outubro 2025

Ranieri Mazzilli

Nome completo: Pascoal Ranieri Mazzilli

Nascimento: 27 de abril de 1910, em Caconde (SP)

Falecimento: 21 de abril de 1975, em São Paulo (SP)

Profissão: Advogado, jornalista e político

Partido principal: PSD (Partido Social Democrático)

Ranieri Mazzilli foi uma figura importante na história política do Brasil, especialmente por ter assumido duas vezes a Presidência da República de forma interina em momentos de crise.

Carreira política. Foi deputado federal por São Paulo durante vários mandatos. Tornou-se Presidente da Câmara dos Deputados entre 1958 e 1965. Por ocupar esse cargo, era o primeiro na linha de sucessão presidencial, o que o levou ao cargo máximo do país em momentos excepcionais.

Como Presidente da República interino:

Agosto de 1961. Quando o então presidente Jânio Quadros renunciou inesperadamente (25 de agosto de 1961). Como o vice-presidente João Goulart estava em viagem oficial à China, Mazzilli, presidente da Câmara, assumiu provisoriamente a presidência (de 25 de agosto a 7 de setembro de 1961). Seu governo foi de transição, até que Goulart retornasse e se resolvesse a crise — o que levou à adoção do parlamentarismo, permitindo a posse de Jango.

Abril de 1964. Após o golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs João Goulart, Mazzilli voltou a assumir interinamente (de 2 a 15 de abril de 1964) até que os militares escolhessem o novo presidente, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Legado. Mazzilli é lembrado como um político moderado e legalista, que cumpriu papel institucional importante durante momentos de instabilidade. Não foi um presidente de fato com poder político próprio, mas garantiu a continuidade constitucional em períodos críticos.

Fonte de Consulta

ChatGPT

22 outubro 2025

Resumo Geral da História do Brasil

Para despertar o interesse pelo estudo da história do Brasil, este resumo oferece uma visão geral de todo o processo ocorrido (antes de 1500 até nossos dias). O Dia do Descobrimento do Brasil é comemorado em 22 de abril. A data marca a chegada da frota portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral ao território em 1500. 

Observação: Atualmente, muitos historiadores questionam o uso da palavra "descobrimento", já que o território brasileiro era habitado por milhões de povos indígenas com suas próprias culturas e organizações sociais. O termo mais adequado seria "chegada" dos portugueses.

1. Brasil Pré-Cabralino (antes de 1500)

Antes da chegada dos portugueses, o território era habitado por milhares de povos indígenas, com culturas, línguas e modos de vida variados. Estima-se que havia entre 2 e 5 milhões de indígenas.

2. Descobrimento e Colonização (1500-1822)

1500: Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil.

1530–1549: Início da colonização efetiva, com capitanias hereditárias e o cultivo de cana-de-açúcar.

1549: Fundação de Salvador, primeira capital.

Séculos XVI–XVII: Escravidão indígena e africana sustentam a economia.

Século XVIII: Ciclo do ouro em Minas Gerais.

1808: Chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, fugindo de Napoleão.

1815: Brasil torna-se Reino Unido a Portugal e Algarves.

3. Império do Brasil (1822–1889)

1822: Dom Pedro I proclama a Independência.

1824: Primeira Constituição.

1840: Dom Pedro II assume o trono.

1870–1888: Campanhas abolicionistas.

1888: Abolição da escravidão (Lei Áurea).

1889: Proclamação da República.

4. República (1889–presente)

República Velha (1889–1930): domínio das oligarquias (café com leite).

Era Vargas (1930–1945): Getúlio Vargas centraliza o poder e moderniza o país.

República Populista (1946–1964): instabilidade política e social.

Ditadura Militar (1964–1985): censura, repressão e crescimento econômico.

Nova República (1985–presente): redemocratização, Constituição de 1988 e desafios econômicos e políticos.

16 outubro 2025

A Aventura do Dinheiro: Uma Crônica da História Milenar da Moeda (Notas de Livro)

Título: A Aventura do Dinheiro: Uma Crônica da História Milenar da Moeda

Autor: Oscar Pilagallo

PILAGALLO, Oscar. A Aventura do Dinheiro: Uma Crônica da História Milenar da Moeda. São Paulo: Publifolha, 2009.

1 — Papai, o Que É Dinheiro?

"O que é dinheiro?" é a pergunta do garoto ao pai, o senhor Dombey, personagem-título do romance Dombey and Son, do inglês Charles Dickens, publicado em meados do século 19. Quando a história começa, Dombey é rico e orgulhoso; perto do fim, está falido e humilhado.

05 outubro 2025

Princípios de Política Econômica (Notas de Livro)

Prefácio 

Princípios é uma palavra muito empregada; eu não poderia, contudo, ter escrito este livro se não acreditasse que há princípios estáveis de Política Econômica, cuja compreensão habilita o político e o público a formar juízos mais prudentes sobre tais assuntos. 

Capítulo 1 — Que é Política Econômica?

Definição de política. A palavra "Política" refere-se, geralmente, aos princípios que governam a ação dirigida para determinados fins. Qualquer estudo de política deveria, portanto, relacionar-se com três fatos — o que desejamos (os fins), como consegui-lo (os meios), e quem somos "nós", ou seja, qual a natureza da organização ou grupo interessado. 

A ciência se preocupa mais com os meios do que com os fins. 

A Sabedoria de Winston Churchill: Palavras de Guerra e Paz (Notas de Livro)

Título: A Sabedoria de Winston Churchill: Palavras de Guerra e Paz

Autor: Sean Lamb

Assunto: Compilação de citações e discursos de Winston Churchill, focando em sua sabedoria em tempos de guerra e paz. 

Sobre o conteúdo: O livro explora a mente e a personalidade de Winston Churchill, incluindo seus discursos inspiradores proferidos em momentos críticos para a Grã-Bretanha, como durante a Segunda Guerra Mundial. Ele oferece uma visão sobre o legado do estadista, escritor e orador, que também foi duas vezes primeiro-ministro do Reino Unido. 

23 setembro 2025

Teatro das Tesouras: Como Raciocinar Bem em Política

O chamado teatro das tesouras representa o rodízio de poder entre grupos ou partidos que, embora se apresentem como rivais, partilham os mesmos vícios estruturais: clientelismo, fisiologismo e uso da máquina pública em benefício próprio. Exemplo marcante desse mecanismo foi a alternância entre PT e PSDB.

Esse modelo de atuação se consolidou ao longo do tempo, dando origem ao que muitos chamam de “sistema”. Quem ousa enfrentá-lo costuma ser alvo de inquéritos, campanhas de difamação ou até mesmo punições desproporcionais, como prisões motivadas por opinião.

Para transformar esse status quo, é preciso aperfeiçoar nosso olhar sobre a política. Isso significa: separar discurso de prática; distinguir política (voltada ao bem comum) de politicagem (orientada a interesses pessoais); escapar da armadilha da polarização promovida pela “aliança das tesouras”; investigar a origem e o destino do financiamento de campanhas, sempre “seguindo o dinheiro”.

Nesse sentido, é útil compreender as diferenças entre o estadista e o politiqueiro.

O estadista: pensa em longo prazo; assume responsabilidades ao tomar decisões; respeita a lei; educa e esclarece a população; busca elevar o nível de consciência do povo.

Já o politiqueiro: enxerga apenas o curto prazo; busca agradar para manter aprovação; concentra o poder em torno de seu personalismo; manipula as massas com promessas fáceis; oferece “soluções mágicas” e benesses insustentáveis para garantir apoio. 

 

Funeral de Charlie Kirk

A frase “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lucas 23:34) é uma das mais conhecidas do Evangelho. Nela, Jesus, crucificado, pede a Deus que perdoe aqueles que o executavam, por não compreenderem a dimensão de seu ato. Esse episódio é interpretado como a expressão máxima do amor e do perdão cristãos, ressaltando que perdoar beneficia tanto quem é perdoado quanto quem perdoa.

Essa passagem foi lembrada por Erika Kirk, esposa de Charlie Kirk, durante o funeral do marido, realizado em 21 de setembro de 2025. Após citá-la, afirmou perdoar o autor do crime e acrescentou que Charlie dedicava sua vida a alcançar jovens como aquele que o matou. Erika reforçou ainda o ensinamento de Jesus de amar até mesmo os inimigos.

Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Charlie Kirk se tornara um “mártir da liberdade”. As declarações tiveram ampla repercussão internacional, sendo interpretadas tanto no campo religioso quanto no político.

Embora envolto em elementos ideológicos, o episódio chamou a atenção pela força do gesto de perdão de Erika, que impactou especialmente jovens em busca de referências espirituais.

A história mostra que ideias frequentemente sobrevivem aos seus defensores. Sócrates foi condenado à cicuta, mas sua filosofia permanece viva. Jesus foi crucificado, mas seus ensinamentos atravessaram os séculos. De modo semelhante, a morte de Charlie Kirk não apagou suas convicções, mas contribuiu para dar maior visibilidade a elas.

15 setembro 2025

O Espetáculo da Corrupção (Resumo de Livro)

Título do livro: O Espetáculo da Corrupção: Como um Sistema Corrupto e o Modo de Combatê-lo estão Destruindo o País. Walfrido Warde. Rio de Janeiro: LeYa, 2018.

Os capítulos do livro: — Pra Começo de Conversa — O Novelo de Ariadne — A Profecia de Belchior, na Voz de Elis — O Combate Inconsequente — Corrupção em Pílulas — O Desprezo aos Fundamentos e a Permeabilidade Seletiva — Os Números da Lava Jato — Corrupção Legal — Honestidade para Todo — J’Accuse — Por uma Política Nacional de Combate à Corrupção — Circus.

Sobre o autor: Walfrido Jorge Warde Júnior é advogado especializado em direito empresarial, com atuação forte nas intersecções entre Estado, empresas e regulação. O livro aparece em meio ao auge da discussão pública sobre Lava Jato, combate à corrupção, debates sobre impunidade, moralismo etc.

Principais teses:

1. Corrupção como sistema enraizado. Warde argumenta que a corrupção no Brasil não é algo pontual ou de indivíduos maus, mas sim um sistema estruturado — com atores, incentivos, instituições e práticas recorrentes — que se reproduz.

2. Problemas no modo de combate atual. Ele critica a forma como o combate à corrupção tem sido conduzido, dizendo que, embora necessário, esse combate tem causado danos colaterais severos: destruição de empresas, desestímulo à iniciativa privada, desemprego etc.

3. Espetacularização versus banalização. Uma ideia-chave é como a corrupção virou espetáculo público — cada escândalo vira show de mídia, há uma espécie de moralismo público — ao mesmo tempo em que a corrupção é banalizada no sentido de que muitas práticas corruptas vão sendo aceitas, justificadas ou ignoradas.

4. Danos à economia, às empresas, à política. Empresas foram arruinadas ou fragilizadas em processos anticorrupção; mercados importantes sofreram. Isso causa efeitos sociais negativos: desemprego, queda de investimento, prejuízo para desenvolvimento. Políticos passíveis de punição, mas também há risco de judicialização/politização excessiva do processo, com efeitos sobre instituições, liberdades, etc.

5. Necessidade de um “combate equilibrado”. Warde propõe que não se precisa “destruir” o capitalismo, nem rédeas de empresas ou da política; é possível combater a corrupção de forma que preserve instituições, empresas saudáveis, economia, empregos. 

6. Propostas de reforma. Criação de uma política de combate à corrupção que seja coordenada entre poderes, com planejamento. Estruturas de compliance mais robustas nas empresas — detecção, prevenção. Priorizar o ressarcimento ao erário (“cofres públicos”) em vez de vingança política. Evitar excessos que possam violar direitos fundamentais no processo de combate. 

Críticas. Warde reconhece que a Lava Jato desempenhou papel importante, acusando e punindo corruptos, mas ele aponta que houve consequências negativas (empresas destruídas, destruição de valor econômico, efeitos colaterais não intencionados). Também alerta para o risco de moralismo barato — ou seja, discursos que pedem punição pela pena, mas sem cuidado com processos justos, com impactos, com a proporcionalidade.

Importância do livro. O livro oferece uma crítica ao modelo dominante de combate à corrupção, argumentando que, se não for bem calibrado, pode agravar problemas ao invés de solucioná-los. Traz reflexões que combinam direito, economia e política, úteis para quem quer entender o tema de forma mais complexa, não só no aspecto penal ou midiático. É patriótico no sentido de querer preservar estruturas democráticas, de justiça, e não ceder ao autoritarismo ou à destruição institucional em nome de combater a corrupção. 

 

 

O Antipetismo e os Aproveitadores Baratos

 "O antipetismo é o primeiro e mais fácil refúgio dos incapazes." — Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho (n.1947), entre 2014 e sua morte em 2022, publicou na rede X, antigo twitter, diversas postagens, referindo-se ao modo fácil de obter o apoio público, bastando se arvorar como sendo antipetista. Eis algumas postagens: 

"O antipetismo foi o mais aproximado simulacro de honestidade que centenas de aproveitadores baratos conseguiram conceber como meio de subir na vida com ares de virtude”. 

"Com afetações histriônicas de antipetismo, Reinaldo Azevedo ganhou a confiança do público indignado, para no fim dizer a quê veio: vender o peixe podre da tucanidade".

"O antipetismo, em si, é um fenômeno local, provinciano e passageiro. Pode garantir alguma popularidade temporária, mas para ser um analista político é preciso MUITO mais que isso".

"Dos palpiteiros que entraram no cenário fazendo carreira de antipetismo, NENHUM leu sequer a produção cultural dos autores esquerdistas brasileiros. Todos limitaram-se a criticar políticos ladrões, o que é a coisa mais fácil do mundo, é roçar a superfície da História e está ao alcance de qualquer repórter. No ambiente de miséria cultural em que a "direita" viveu mergulhada ao longo de meio século, porém, esses catadores de piolhos adquiriram rapidamente o estatuto de "intelectuais" e passaram a opinar sobre assuntos que estão INFINITAMENTE acima da sua capacidade".

"Tipos como Marco Antonio Vil SABEM que são charlatães, que só podem se fazer de "intelectuais" graças à interproteção mafiosa e ao rateio de cargos na mídia e na academia. Mas acho ótimo que esses tipos comecem a proliferar na ala direita do espectro político, para tirar dos liberais e conservadores a ilusão de que o mero antipetismo ou anticomunismo os torna especiais, enobrecendo a sua indolência intelectual, mil vezes mais criminosa que a da esquerda".

"Lição óbvia que frequentemente negligenciamos: duas pessoas falarem mal da mesma não faz delas amigas entre si. Só o maquiavelismo de botequim — a filosofia política mais popular entre as classes falantes do Brasil — acredita naquela patacoada de "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". A vastidão do exército de traidores do bolosonarismo ilustra o que estou dizendo. Não se pode dar valor a um "formador de opinião" só pelas opiniões negativas que ele expressa contra pessoas detestáveis. É preciso medi-lo pelo valor positivo de seus atos e criações anteriores e concomitantes. Que livros de valor, que grandes realizações intelectuais tinham produzido o Arruinaldo Azevedo, o Marco Antonio Vil, o Rodrigo Coco, o próprio João Dória e o Mebelê inteiro antes de fazerem fama com um antipetismo barato?"

Robinson Crusoé

Robinson Crusoé é o título de um romance escrito por Daniel Defoe e publicado em 1719. Robinson Crusoé é um jovem inglês que decide se aventurar pelo mar contra a vontade de seus pais. Após várias viagens e infortúnios, ele acaba naufragando e ficando preso em uma ilha deserta por 28 anos. O romance mistura aventura, religiosidade e reflexão moral.

Durante esse tempo, ele: 1) aprende a sobreviver, cultivando plantas, caçando e criando animais; 2) constrói uma cabana e fabrica ferramentas rudimentares; 3) desenvolve uma vida de isolamento, onde a religião e a reflexão têm grande importância; 4) encontra um nativo, a quem chama de Sexta-Feira, com quem estabelece amizade e companheirismo.

Os principais temas deste livro são: individualismo e autossuficiência, religião e Providência Divina, colonialismo e eurocentrismo, natureza e cultura e economia e trabalho. O dinheiro e a riqueza, neste romance, têm um papel simbólico muito forte. Daniel Defoe usa esses elementos para refletir sobre o valor real do trabalho e da propriedade. Vejamos.

O dinheiro na obra. Antes do naufrágio, Crusoé busca aventuras e comércio marítimo como forma de enriquecer. Na ilha, percebe que o dinheiro é inútil em sua situação: não serve para caçar, comer ou se proteger. Descobre que o trabalho produtivo é o que realmente importa: plantar, construir, caçar e preservar alimentos.

A riqueza. A verdadeira riqueza de Crusoé é sua capacidade de transformar a natureza e de se adaptar. Crusoé trata a ilha como sua propriedade privada, quase como um senhor feudal. Ele organiza terras, animais, plantações, e quando Sexta-Feira aparece, assume um papel de senhor/proprietário. Sugere que a riqueza verdadeira está na redenção religiosa.

Em síntese, na obra há uma crítica implícita, ou seja, a obsessão pelo ouro é um valor artificial, que só existe dentro da sociedade. Por outro lado, Crusoé lê a Bíblia, arrepende-se e vê sua sobrevivência como obra da providência divina.