Mostrando postagens com marcador Poder Político. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poder Político. Mostrar todas as postagens

01 setembro 2022

Breviário dos Políticos

O Cardeal Mazarin escreveu, há 300 anos, o Breviário dos Políticos e, conforme sua contracapa, ele não perdeu sua atualidade. “Dos tempos em que reis disputavam territórios em sua carruagens a este mundo globalizado, a luta pelo poder se dá sob as mesmas regras, em que a lógica é a dissimulação, do cinismo e da hipocrisia”.

Há apresentação de Bolívar Lamounier e prefácio de Umberto Eco. Lamounier salienta que Mazarin trata tão-somente da eficácia, deixando de lado os fins últimos, da ação política. A eficácia que interessa a Mazarin é a eficácia na busca e no exercício do poder. Para Umberto Eco, livros desse gênero devem ser lidos, mas dificilmente eles servem aos homens de poder, não porque essas máximas não estejam corretas, mas porque o homem de poder já sabe, talvez por instinto.

Na primeira parte do livro, trata do conhece-te a ti mesmo e do conhece aos outros. Nas mãos de Mazarin, o conhece-te a ti mesmo perde a conceituação socrática e se torna bastante estreita, designando apenas aquele conhecimento prático de sua própria “imagem” que todo político precisa ter, se quiser ter êxito na busca de apoio de outras pessoas. No conhece aos outros, o político precisa prever as ações dos adversários, para melhor se defender.

Na Segunda Parte, "Os Homens em Sociedade", há 62 seções que tratam sobre a boa reputação, os afazeres, os benefícios, aconselhar, os segredos, agir com prudência, as honrarias, as solicitações, sair de apuros, inovações etc.

Seus axiomas são:

1. Age em relação a teus amigos como se eles devessem tornar-se um dia teus inimigos.

2. Numa comunidade de interesses, há perigo logo que um membro torna-se demasiado poderoso.

3. Quando te empenhas em obter algo, que ninguém o descubra antes que o tenhas efetivamente obtido.

4. É preciso conhecer o mal para poder combatê-lo.

5. Tudo o que podes resolver pacificamente, não tentes resolvê-lo por uma guerra ou um processo judicial.

6. Mais vale aceitar um pequeno prejuízo do que fazer avançar as negociações de outrem, que delas esperas grandes benefícios.

7. Mostrar-se demasiado duro em negociações é expor-se a grandes perigos.

8. O centro sempre vale mais que os extremos.

9. Deves saber tudo sem jamais dizer nada, mostrar-te amável com todos e não dar tua confiança a ninguém.

10. O homem feliz é o que permanece a igual distância de todos os partidos.

11. Conserva sempre alguma desconfiança em relação a cada um, e convence-te de que as pessoas não fazem melhor opinião de ti que dos outros.

12. Quando um partido é numeroso e forte, mesmo se não o apoias, jamais fales mal dele.

13. Desconfia de tudo aquilo a que te arrastam teus sentimentos.

14. Para oferecer um presente ou dar uma festa, medita tua estratégia como se partisses em guerra.

15. Não deixes um segredo se aproximar de ti, não mais que um prisioneiro evadido que teria jurado degolar-te.

Em resumo, mantém sempre presentes no espírito estes cinco preceitos:

1. Simula.

2. Dissimula.

3. Não confies em ninguém.

4. Fala bem de todo o mundo.

5. Reflete antes de agir.

MAZARIN, Cardeal. Breviário dos Políticos. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 1997.


 

19 janeiro 2015

Opinião Pública

A opinião pública é a manifestação das opiniões e da vontade da população. Quando a manifestação é livre e sincera, ela contribui enormemente para o governo tomar suas decisões políticas e econômicas. Isolando-se da opinião pública, os governantes podem caminhar em sentido oposto às necessidades dos cidadãos. Os Estados totalitários reprimem total ou parcialmente a opinião pública e, com isso, impedem a livre expressão da vontade popular. 

Nos povos antigos, a opinião pública era imposta por ideologias tradicionais. Os gregos foram os primeiros a regular a opinião pública, a qual devia ser consultada e seguida em todas as questões decisivas. A Bíblia não leva em conta a noção de opinião pública. Na época do cristianismo primitivo, valorizou-se muito a opinião pública das Igrejas e comunidades locais. Na Idade Média, com a autoridade reforçada, reconhece-se o princípio Vox populi, vox Dei ("a voz do povo é a voz de Deus").

Na Idade Moderna, desenvolveu-se o conceito de opinião pública como um instrumento entre o poder político e a vontade popular. À medida que o conceito avançava, os desvios da opinião pública foram se intensificando, pois o meio de comunicação, reforçado pelo poder político e econômico, adquiriu excessiva força de influência sobre a população, manipulando-a de certa forma. Estudando o comportamento humano, elaboram-se meios de persuasão, cujo objetivo não é ouvir a opinião pública, mas moldá-la aos interesses do governo.  

Os meios de comunicação criam o hábito da atitude passiva e, consequentemente, inibe a capacidade crítica dos receptores. Com isso, os formadores de opiniões impõem ideias concretas, traços ideológicos, ideias comunistas, tendências políticas e opiniões econômicas. O confronto e o pluralismo permanecem, mas sem a atuante análise crítica. 

Liberdade de opinião não é confronto direto e rejeição mútua. Lembremo-nos de que todos os seres humanos merecem respeito.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983. 

&&&

Alguns Lembretes

A opinião pública é a manifestação das opiniões e da vontade da população, que contribui eficazmente para o seu próprio governo.

Há Estados totalitários que reprimem em maior ou menor grau a opinião pública, impedindo a verdadeira expressão da vontade popular.

Historicamente, os gregos regularam a opinião pública, que devia ser consultada e seguida em todas as questões decisivas para o bom funcionamento da democracia.

O povo, na Bíblia, preferia a escravidão do Egito ao risco da liberdade, manifestando uma oposição a Moisés.

No Novo Testamento, a opinião das massas tenta levar Jesus a ser seu rei e combater os romanos.

No cristianismo primitivo, valorizou-se a opinião pública da Igrejas e das comunidades locais.

Na Idade Média, quando o conceito de autoridade se reforça, reconhecia-se em geral o princípio Vox populi, vox dei (“A voz do povo é a voz de Deus”).

Na Idade Moderna, desenvolveu-se o conceito de opinião pública no qual se via um instrumento de mediação entre o poder político e a vontade popular.

Conforme as sociedades iam se desenvolvendo, surgiam os abusos da opinião pública, principalmente com a persuasão e a manipulação da mídia. 

 

 

02 julho 2008

Poder e Poder Político

O poder é essencialmente potência. Pode ser visto sob três ângulos: a) como capacidade ou faculdade natural de agir; b) como faculdade moral ou legal de agir, ou ainda, o direito de fazer determinada coisa; c) como autoridade, ou seja, os órgãos que exercem o poder, o governo.

O poder político, do grego kratos, significa força de coesão social. Institui-se em diferentes graus: monarquia, oligarquia e democracia. Na monarquia, o poder é exercido por um único homem, denominado rei, soberano ou déspota; na oligarquia, o governo é de poucos; na democracia, o povo é quem governa através de seus representantes. Em certo sentido, todos os governos são oligárquicos, porque são poucos os que governam. O mal, no entanto, não está na oligarquia propriamente dita, mas nos grupos de pressão oligárquicos.

Dizemos que A exerce poder sobre B, quando A afeta os interesses contrários de B. embora todos nos afetamos uns aos outros, convém verificar o quão significativamente A influencia B. Alguns cientistas políticos anotaram as ideias divulgadas nos grupos sociais. Depois, relacionaram seus autores ao número de vezes que as suas ideias foram veiculadas. Puderam, assim, objetivar quem governa quem numa comunidade.

Na sociedade moderna, o poder econômico tem dificultado o exercício do poder político. São grupos de pressão, geralmente monopolistas, que falseiam a atividade econômica, submetendo-a aos seus interesses privados. Ao mesmo tempo, induzem os parlamentares a tomarem decisões a seu favor, originando as falcatruas e corrupções de toda sorte. Nesse sentido, a política, cujo objetivo é a obtenção do bem comum, fica conspurcada.

O verdadeiro estadista fica estupefato ante a normalidade dos meios ilícitos. Sabe que é preciso mudar, porém como os automatismos negativos foram sedimentados ao longo do tempo, nem sempre consegue tal intento. Por isso, um projeto radical de educação se faz necessário, caso queiramos mudar a sociedade e acabar de vez os abusos do poder, tanto ao nível privado como ao nível público.

O exercício de cidadania é apanágio do cidadão. Omitindo-nos, deixamos que os outros decidam por nós. Procuremos, assim, apontar os caminhos corretos, a fim de construirmos a verdadeira democracia.