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24 julho 2024

Antifrágil

Menos é mais e, geralmente, mais eficaz

Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos, de Nassim Nicholas Taleb, com tradução de Eduardo Rieche, foi editado pela Best Business em 2015. O livro foi escrito segundo os seus interesses intelectuais e filosóficos em aleatoriedade e incerteza como também em função de sua profissão de “especialista em volatilidade”. Eis como se expressa no prólogo: “ao escrever, sinto-me corrupto e antiético se tiver de procurar um assunto em uma biblioteca como parte do próprio ato de escrever. Isso age como um filtro — e é meu o único filtro”. 

Da mesma forma que o vento apaga uma vela e energiza o fogo, a aleatoriedade, a incerteza e caos devem fornecer elementos para domesticar, dominar e conquistar o invisível, o inexplicável. Muitas coisas se beneficiam do acaso, do inesperado. Nesse sentido, a antifragilidade não se resume à resiliência, ou à robustez, mas significa apreciar erros, capacitando-nos para lidar com o desconhecido. Acha que aqueles que se colocam como superprotetores tentando nos ajudar são, na realidade, os que mais nos prejudicam.

Comparando esta obra com A lógica do Cisne Negro e Iludido pelo acaso, de sua autoria, acredita que Antifrágil seria o volume principal, e os outros dois uma espécie de apêndice, ou seja, de menor importância. A lógica do Cisne Negro e Iludido pelo acaso foram escritos para nos convencer de uma situação terrível. O “presente livro parte do pressuposto de que não é preciso convencer ninguém de que (a) os Cisnes Negros dominam a sociedade e a história (e as pessoas, por causa da racionalização ex post, se julgam capazes de compreendê-los); (b) como consequência, não sabemos bem o que está acontecendo, principalmente sob não linearidades graves; de modo que podemos chegar aos assuntos práticos imediatamente”.

Critica o fragilista médico, que nega exageradamente a capacidade natural do corpo para se curar; o fragilista político, que confunde a economia com uma máquina de lavar roupa que precisa de reparos constantes (feitos por ele) e a faz pifar; o fragilista psiquiátrico, que medica crianças para “melhorar” sua vida intelectual e emocional; a fragilista mãe-coruja; o fraglista financeiro; o fraglista militar; o fragilista prognosticador; e muitos outros.

Como um insight, percebeu que a fragilidade — ainda sem uma definição técnica — podia ser expressa como aquilo que não aprecia a volatilidade. E aquilo que não aprecia a volatilidade não aprecia a aleatoriedade, a incerteza, a desordem, os erros, os agentes estressores etc. Pensa que os sistemas antifrágeis (até certo ponto) se beneficiam, enquanto os sistemas frágeis são penalizados por quase todos eles. Procura demonstrar que há um roubo de antifragilidade por pessoas que estão “arbitrando” o sistema. 

21 julho 2024

Lógica do Cisne Negro, A

A lógica do Cisne Negro: o Impacto do Altamente Improvável é um livro escrito por Nassim Nicholas Taleb, com tradução de Marcelo Schild e revisão técnica Mário Pina. Editado pela Best Seller, em 2015, copyright de 2007.

Os cisnes brancos faziam parte de uma crença inquestionável por ser absolutamente confirmada por evidências empíricas. Com a descoberta da Austrália, observou-se o aparecimento dos cisnes negros. Percebe-se, assim, que o Cisne Negro é um Outlier [de valor atípico, discrepante], pois está fora do âmbito das expectativas comuns. Nesse sentido, manias passageiras, epidemias, moda, ideias, a emergência de gêneros e de escolas artísticas seguem essa dinâmica do Cisne Negro. 

A ideia central deste livro é realçar a cegueira da humanidade em relação à aleatoriedade, particularmente os grandes desvios. Citemos, como exemplo, a derrubada das Torres Gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, em que cerca de 2.500 pessoas foram mortas diretamente pelo grupo de Bin Laden. Outro exemplo: a tsunami no oceano Pacífico em dezembro de 2004. Caso fosse esperado, não teria causado os estragos que causou.

A lógica do Cisne Negro torna o que você não sabe mais relevante do que aquilo que você sabe. Assim, muitos Cisnes Negros podem ser causados ou exacerbados por serem inesperados. Para o autor, um evento raro equivale a incerteza, por isso este é um livro sobre incerteza.

Taleb acha que há duas maneiras de abordarmos o conhecimento. A primeira é excluir o extraordinário e concentrar-se no “normal”. O examinador deixa de lado as “peculiaridades” e estuda casos comuns. A segunda abordagem é considerar que para que se possa compreender um fenômeno é necessário levar em conta primeiro os extremos — especialmente se, como o Cisne Negro, eles carregarem um efeito cumulativo extraordinário.

Resumindo: "neste ensaio (pessoal), corro riscos e declaro, contra muitos de nossos hábitos de pensamento, que o mundo é dominado pelo extremo, pelo desconhecido e pelo muito improvável (improvável segundo nosso conhecimento corrente) — e que passamos o tempo todo envolvidos em minúcias, concentrados no conhecido e no que se repete".

Jean-Olivier Tedesco, futuro novelista e amigo do autor, advertiu-o: “Não corro para pegar trens.” O que isso significa? Ao nos recusarmos a correr para pegar trens, sentimo-nos donos do nosso tempo, da nossa agenda e da nossa vida. "Perder um trem só é doloroso se você correr para pegá-lo!  Da mesma forma, não estar de acordo com a ideia de sucesso que as pessoas esperam de você só é doloroso se for isso que estiver procurando".