30 junho 2008

Textos de Economia e Política













1.º de Abril: Dia Internacional de Lula e Dilma
7 Bilhões de Pessoas

ABIMAQ e a Desindustrialização do Brasil
ACM Neto nas "Páginas Amarelas" de Veja de 26/10/2016
Aliança Política de Angela Merkel
Alunos Respondem a Professores Grevistas
Anistia das Empreiteiras - Operação Lava Jato
Aposentadoria: Pesquisa com Milionários Norte-Americanos
Aquecimento Global - Sabotagem?
Ascensão dos Dispositivos Móveis
Ações Favoritas para 2011
Antonio Anastasia no Roda Viva de 15/08/2016
Aristocracia
Armínio Fraga no Roda Viva de 02/05/2016
Autonomia do Banco Central e Propaganda do PT 

Bem Comum
Benesses do Governo Lula
Blogs e Sites do Autor
Bolha Financeira, A
Bolívar Lamounier: Notas de Entrevista
Boris Fausto no Roda Viva de 24/08/2015
Brasil Versus Coreia do Sul

Cada Dia é um Dia a Menos
Cadáver Adiado que Procria, por José Serra
Caiado Fala sobre Nova Denúncia do "Mais Médicos"
Capital no Século XXI, O
Capitalismo: Modo de Usar - Livro de Fábio Cambiagi
Capitalismo Consciente
Capitalismo Transforma o Surf
Carlos Sampaio Discursa a Favor do Impeachment
Carly Fiorina Anuncia sua Candidatura ao Governo dos Estados Unidos
Caso Celso Daniel: Montagem de Vídeo
Chegou a Hora, por Fernando Henrique Cardoso
Cidade de Deus
Cidade Grega: Quem Manda e Quem Obedece
Ciência e Ciências
Ciência Econômica e Economia
Combatendo os Sofismas Políticos
Comissão de Impeachment: Alguns Discursos (11/04/2016)
Como Diminuir o Custo da Eleição
Comparando o Antes e o Agora de Dilma
Conservadorismo
Considerações sobre a Defesa da AGU na Comissão de Impeachment 
Constituição Planetária
Constituinte Petista é Golpe
Consultor Esclarece PEC do Teto
Consumo Consciente
Contradições do PT, As
Convencer Quem não Quer ser Convencido
Coréia do Norte
Corrupção e Política Brasileira
Corrupção e Princípio da Ação
Corrução: Resumo de um Cordelista
Crescimento do PIB em 2009
Crise de 1929
Crise Financeira
Crise Financeira e o Brasil, A
Crise Hídrica em São Paulo
Culpa ou Dolo?
"Cura Gay": Mentiras e Verdades
Curso de Educação Ambiental (Módulo I)
Curso de Presidência: Prova da Eleição
Custo da Energia no Brasil
Custo Privado e Custo Social

Da Escolha dos Ministros ao Impeachment
Debate Eleitoral e Votos
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Déficit Tecnológico Brasileiro
Delcídio do Amaral no Roda Viva de 16/05/2016
Deltan Dallagnol, Procurador da República, Denuncia Lula
Democracia
Deputado Marcelo Aro (PHS-MG) Detona o Balcão de Negócios
Desabafo de Caminhoneiro
Desafios do Governo Temer no Roda Viva de 23/05/2016
Desigualdade da Renda é Boa ou Má?, A
Desigualdades Econômicas, por Marcos Mendes
Desistir não é Tão Ruim
Desvalorização e Especulação
Dicas para as Manifestações do dia 15/03/2015
Dificuldade para se Eleger Bons Governantes
Dinheiro é Riqueza?
Dinheiro e Troca
Discurso de Aécio Neves no Senado, após perder as Eleições
Discurso de Aécio Neves no Congresso em 03/12/2014
Discurso de Aloysio Nunes no Congresso em 31/08/2015
Discurso de Magno Malta após a Fala de Aécio (05/11/2014)
Discurso (1.º) de Serra no Senado (04/03/2015)
Discussão do Pedido de Impeachment - Hélio Bicudo, Adilson Dallari e Carla Zambelli na Tveja
Distribuições Inigualitárias
Dívida Pública: Sempre Subindo
Doutrinação Ideológica nas Escolas
Duas Perguntas sobre Impeachment: Resposta de FHC

É o Fim do Brasil?
É Preciso Começar Já
Economia Cognitiva
Economia e Política Econômica
Economia Evolucionista
Economia Humana
Economia na Era do Ciberespaço
Economista e as Finanças Públicas
Economistas Filósofos
Editorial do Estadão de 04/05/2017
Eduardo Amorim (PSC-SE), Parlamentar Nota 10
Eduardo Cunha, Presidente da Câmara dos Deputados, no Roda Viva (16/03/2015)
Educação e o Educacionista, A
Educação e Gastos com Violência
Educação e Ideologia
Educação, Pobreza, Fome e o Freak
Eleição e Realidade Econômica
Eleição, Petrobrás e Corrupção
Eleições 2014
Eleições 2014: Cinco Motivos para não Votar em Dilma
Eleições 2014: DataMaricy, Data Carlinhos Sensitivo e DataNunes
Eleições 2014: Dívida Interna e Externa
Eleições 2014: Explicações Econômicas e Políticas
Eleições 2014: Influência dos Espíritos
Eleições 2014: Mercado e Estado
Eleições 2014: Não Votar é Escolher o Pior
Eleições 2014: Paródia da Turma do Chapéu
Eleições 2014: Quadro dos Institutos de Pesquisa
Eleições 2014: Reflexão sobre o Nazismo
Eleições 2014: Vitória com Cara de Derrota
Eleições 2014: Voto Consciente
Eleições 2018: A Oposição Deve Começar Já
Eleições, 39 Ministérios e Custo de Vida
Eleitor: Aliado do Bom e Cúmplice do Mau Político
Em Defesa do Parlamentarismo
Emprego do Futuro
Encapuzados da USP, Os
Endireita Rio - Mezzomo
Ênfase no Consumo: Estagnação
Ensino de História - Marco Antonio Villa
Entrevista de Michel Temer ao Fantático em 15/05/2016
Eric Cantor e a Política nos Estados Unidos
Escola sem Partido
Especialização e Troca
Ética de Alguns Frequentadores das Bibliotecas Públicaa, A
Eu Deixei de Ser PT
Evolução do Conceito de Estado: de Maquiavel a Marx
Explanação Técnica sobre as Pedaladas Fiscais

Fábio Garcia (PSB) Fala sobre Votação do Impeachment
Fatos e Teorias
Fernando Holiday, do MBL, Discursa na Câmara
Folha de São Paulo Faz um Resumo da Eleição 2016
Foro de São Paulo: o Maior Inimigo do Brasil
Fortaleza Lança "Fora Dilma"
Fórum Liberdade e Democracia
Frases: Processo de Impeachment
Fraude na Eleição
Freak e "Eu Não Sei"
Frevo Carnavalesco da Petrobrás

Ganha-Ganha e Soma-Zero
Ganhos da Produtividade da Matemática Avançada, Os
Genealogia do Pensamento Econômico
Gestão de Clubes, Preferência Temporal e Anistia Tributária
Gestão Moderna de Estado
Gestão Pública
"Gilmar e Guiomar", por José Roberto Guzzo
Gilmar Mendes no Roda Viva em 18/04/2016
Globalização
Gloria Alvarez Combate o Populismo
Google: Um Mal Necessário?
Gramsci e a Hegemonia Orgânica
Gratuidade dos Negócios
Greve de Estudantes da USP: Reclamando a Parte do meu Imposto
Gustavo Franco no Roda Viva de 23/11/2015

Hélio Bicudo sobre o Bolsa Família
Hélio Bicudo e Janaína Paschoal (advogada) no Roda Viva de 28/09/2015
Hermes Freitas Magnus e Lava Jato

Ibn Khaldun
Ideologia e Economia
Imposto e Gestão Pública
Inovação: Aprendendo com o Fracasso
Impessoalidade do Presidente, A
Incentivos e o Freak, Os
Inflação e Crescimento Econômico: Dados Comparativos
Instituto Liberal
Instituto Millenium - O Que É

Jair Bolsonaro e a Escola Pública Japão e Brasil: Doações de Campanha
Janaína Paschoal Explica, no Congresso, as Razões do Pedido de Impeachment em 30/03/2016
Janaína Paschal Reafirma Pedaladas Fiscais em 30/08/2016 
Jarbas Vasconcelos no "Roda Viva"
Jean Jacques Rousseau
João Amoedo, do Partido Novo, na TVeja
João Dória: Discurso em Nova Iorque (maio de 2017)
João Dória, Prefeito de São Paulo, no Roda Viva de 07/11/2016
João Otávio Noronha, Ministro do TSE, e o "Sumiço da Ética"
Jonh Stuart Mill
Jornal da Besta Fubana
José Carlos Aleluia (DEM-BA) Critica o Controle da Mídia
José Serra no Roda Viva de 17/08/2015
José Serra no Roda Viva de 06/06/2016
Juca Chaves em Ritmo de Lava Jato
Júlio Marcelo de Oliveira, Procurador do TCU, na Comissão do Impeachment (02/05/2016)
Júlio Marcelo de Oliveira, Procurador do TCU, no Roda Viva de 09/05/2016
Júlio Marcelo de Oliveira, Procurador do TCU, e José Eduardo Cardozo em 25/08/2016
Juristas no Largo São Francisco (04/04/2016)
Justiça e Distribuição de Renda

Kim Kataguiri Chama Jean Wyllys para o Debate

Laptop e Aprendizagem
LDO e o Superávit Primário
Le Monde e a Manifestação de 06/12/2014
Liberalismo
Livro Digital: Economia e Política
Livro Impresso Versus E-readers
Lixo e Riqueza
Lobão e sua Participação nas Manifestações
Locke e o Governo Civil
Luta pelos Bons Costumes

Magno Malta na Comissão do Impechment no Senado Mahatma Gandhi
Manifestação (07/12/2014) contra o governo Dilma: Fato e Interpretação
Manifestação em São Paulo_01/11/2014
Manifestação em São Paulo_15/11/2014
Manifestação de 15/03/2014
Manifesto de Professores Universitários de Economia
Manifesto em Defesa da Democracia
Mansueto Almeida no Programa "Aqui Entre Nós", da TV Veja, em 04/09/2015
Mara Gabrilli Questiona Bumlai na CPI do BNDES
Marcha contra a Corrupção
Marcha da Maconha
Marco Antonio Villa no Jornal da Cultura (agosto de 2015)
Marco Antonio Villa no Roda Viva de 16/01/2017
Marco Aurélio Mello, Ministro do STF, no Roda Viva de 19/10/2015
Marco Feliciano, Deputado Federal, Comenta Vitória de Trump
Marcos Lisboa, economista, no Roda Viva de 28/03/2016
Marcos Troyjo, economista, no Roda Viva
Marketing Eleitoral e Privatização
Marqueteiros, Política e Educação
Marxismo: A Rota para o Comunismo
Massacre de Columbine
Max Weber
Melhores Momentos de Julho de 2016 no Senado
Mendonça Filho, Ministro da Educação, no Roda Viva de 10/10/2016
Mentalidade Anticapitalista, A (Ludwig von Mises)
Michel Temer no Roda Viva de 14/11/2016
Mídia e Impunidade
Modesto Carvalhosa Fala sobre Corrupção no Roda Viva
Modesto Carvalhosa Fala sobre Corrupção na TV Veja
Montagem de Vídeo sobre a Votação de Impeachment
Movimento Brasil Eficiente
Museu Memória do Jaçanã
Música para Descontrair

Não se Mude do Brasil, Mude o Brasil
Necessidade da Reforma Política
Nossa língua “Inculta”
Norberto Bobbio e a Democracia
Nota Fiscal Paulista
Notícias sobre Desconfiança: Carta de Temer para Dilma

Opinião Pública
Opinião Pública: Alguns Lembretes
Orçamento Público
Origem do Termo "Maquiavélico"

Papa e Discurso Anticapitalista Papel Político de Jan Hus
Paradigma
Parlamentarismo Versus Presidencialismo
Parte e o Todo
Partido Novo
Partidos Políticos no Brasil, Os
Paulo Rabello de Castro no Roda Viva
Pechincha e Barganha
Pense como um Freak: Notas sobre Alguns Capítulos
Perfil dos Investidores
Personalidade Ponerogênica no Poder
Petrolão - Responsabilidade
PIB por Habitante no Brasil
Planeta Terra
Poder e Poder Político
Polícia Federal: Página Oficial sobre a Operação Lava Jato
Política
Política e Revolução da Informação
Política na Suécia: Modus Operandi
Política Nacional de Resíduos Sólidos
Política: Platão versus Aristóteles
Políticos e Artistas: Vídeos de Convocação
População Idosa e Gasto Previdenciário
Por uma Sociedade Sustentável
Povo e Congresso Nacional
Preço do Petróleo está Aquecido
Preços: Antes e Depois da Eleição
Prêmio Jovens Inspiradores
Presidência e Responsabilidade
Previdência Social: O Grande Problema dos Gastos Públicos
Problema da Escolha no Mundo Infinito de Opções, O
Produto Nacional
Professor, Herói Nacional
Programa Escola sem Partido
Programa Partidário do PMDB de 24/09/2015
Programa Partidário do PSDB de 28/09/2015
Programa Partidário do PT de 29/09/2015 Editado pelo Movimento Brasil Livre
Programas Sociais: Altruísmo Eficiente
Progresso Econômico
Propagação das Notícias, A
Próximo Presidente: Dificuldades Econômicas
PT Quer Entender o Antipetismo

Quanto Maior o Governo, Menor o Cidadão Que é o Liberalismo? Ton Martins Entrevista Fabio Ostermann
Queda da Bastilha

Racionalidade e Irracionalidade Econômicas
Raul Jungmann na TV Veja
Raul Jungmann no Roda Viva de 25/07/2016
Razões do Impeachment, por Ives Granda Martins
Real e a Desigualdade Social
Recado de Chicago para Joaquim Levy
Referendo sobre as Armas de Fogo
Reforma do Ensino Médio
Reforma Política: Obstáculos
Reforma Tributária
Relatório Doing Business 2012
Rent Seeking
República de Hobbes
Revolução Econômica
Roberto Jefferson no Roda Viva de 11/04/2016
Rogério Chequer, do Vem pra Rua, no Roda Viva (23/03/2015)
Romero Jucá no Roda Viva de 25/04/2016
Ronaldo Caiado Discursando no Senado (03/2015)
Ronaldo Caiado no Roda Viva (03/08/2015)
Ronaldo Laranjeira, Psiquiatra, na TVeja (19/10/2015)
Ronnie Von e a Insegurança no Brasil
"Roteiro para a Destruição", por Miguel Reale Jr.

Sagrado ante as Ciências Sociais
Saiba o que é a Gripe, por Dr. Mauro Gomes
Schumpeter e sua Obra
Sérgio Moro: Debate no Exame Fórum 2015
Sérgio Moro: Palestra no Exame Fórum 2015
Serra na Manifestação de 06/12/2014 - São Paulo
Silas Malafaia na TV Veja em 22/06/2015
Silas Malafaia Rechaça Discurso do presidente da CUT
Silas Malafaia Responde a Lula sobre o Diabo
Sistema Internacional: Folk ou Científico
Smartphone na Pele
Social-Democracia
Socialismo e Capitalismo
Sofismas Políticos
Sugestão e Comunicação Persuasiva
Sustentabilidade

Taxa de Juro Real
Teoria dos Sentimentos Morais
Terceirização de Serviços por Empresas Públicas e Privadas
Trabalho em Tempo Parcial
Três Anos da Lava Jato: Balanço
Três Pilares do Liberalismo e o Brasil (vídeo da palestra de Rodrigo Constantino)
Tributação e Distribuição de Renda
Troca
TV Veja Relembra os 30 Anos do Roda Viva

Um Pouco de Riso Urna Eletrônica: Constitucionalidade
Utopia: Notas de Livro

Vai Ser Comido de Bicho Vanessa Nogueira Convoca o Povo para o Dia 12/04/2015 Vereadores de São Paulo e o IPTU
Vida de Adam Smith, A
Vídeo da Passeata de 1º/11/2014, em São Paulo
Vigília no Congresso
Von Mises e sua Crítica Econômica
Voto Consciente
Voto Distrital
Voto Distrital Diminui Custo da Eleição
Voto Distrital nas Cidades com mais de 200.000 Eleitores?

William Waack em Fortaleza: Trecho de Palestra

Livros publicados na Internet pelo Clube de Autores 

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27 junho 2008

A Gratuidade dos Negócios

O "subsídio cruzado", isto é, o consumidor "ganha" um produto se comprar outro ou é contemplado com um produto se pagar por um serviço, é muito utilizado nos negócios empresariais. King Gillette, disposto a mudar o hábito de as pessoas cortarem a barba com a navalha, programou diversas propostas de marketing. Dentre as oferecidas, o aparelho de barbear vinha como um brinde dos produtos mais variados, como chiclete, café, chá, tempero etc. A oferta de brindes ajudava a vender o produto, mas quem mais ganhava era o próprio Gillette, pois a distribuição dos aparelhos de barbear, inúteis sem a lâmina, criava demanda para o seu produto – ganhava com a compra de lâminas.

A gratuidade está associada à Lei de Moore. Segundo esta lei, "os custos da capacidade de processamento dos computadores diminuem pela metade a cada 18 meses". Hoje, percebe-se que o preço da largura da banda e do armazenamento cai a um ritmo ainda mais veloz. A diminuição de custos tende para um valor próximo de zero. Em se tratando da Internet, o caro conjunto de hardware (custo fixo) é capaz de suprir dezenas de milhares de usuários (custo marginal). Na internet, procura-se atrair a maior quantidade de usuários para um único provedor, para que haja uma diluição de custos.

A Internet é o melhor lugar para entendermos a "gratuidade". As experiências on-line têm demonstrado essa tendência. Observe que, em 2007, o jornal The New York Times liberou o seu conteúdo. O mesmo está ocorrendo com o The Wall Street Journal. Daí, a frase dita por Stewart Brand: "A informação quer ser gratuita mas também quer ser cara... Esse conflito não tem fim". No Brasil, o jornal O Estado de São Paulo, também fez o mesmo com algumas de suas matérias. Exemplo: os textos da coluna "Espaço Aberto" eram vedados aos não assinantes; hoje, podemos lê-los na íntegra.

O conceito de "grátis" é novo. Ele baseia-se no custo marginal decrescente, tendendo a zero. O Google, por exemplo, faz bom uso desse conceito. Presentemente, ele domina 80% das buscas feitas na Internet. Para conseguir atrair tantos usuários, está oferecendo uma grande quantidade de serviços, como é caso do analytics, que registra a entrada, o fluxo e o tempo que cada usuário permaneceu navegando num determinado website. A gratuidade não quer dizer que não há custos. É que um "terceiro" paga pela oferta e demanda desses serviços.

Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, divide a economia do grátis (freeconomics) em seis grandes categorias: 1) freemium; 2) publicidade; 3) subsídios cruzados; 4) custo marginal zero; 5) trocas; 6) doações. O freemium refere-se aos programas e serviços da web; a publicidade, ao conteúdo, serviços e software; os subsídios cruzados, a qualquer produto que induza a pagar por outro; o custo marginal zero, a tudo o que pode ser distribuído sem custo; as trocas, aos sites de serviços; as doações, a tudo, do software livre a conteúdos produzidos pelos usuários.

A economia é definida como a escolha entre bens escassos. Aqui, há uma inversão dessa definição, pois o armazenamento das informações está ficando cada vez mais barato, inclusive com a possibilidade de chegar perto de zero.

Fonte de Consulta

ANDERSON, Chris. Por que o Futuro dos Negócios é Grátis. In: HSM Management, maio-junho de 2008.

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24 junho 2008

Economia na Era do Ciberespaço

Estima-se que, nos próximos decênios do século XXI, mais de 80% da população mundial estará conectada à rede mundial de computadores (Internet). Será uma verdadeira cidade planetária, ou seja, todos poderão se comunicar com todos em tempo real. Essa nova economia, também chamada de economia virtual, irá incrementar cada vez mais as ações dos indivíduos em todos os tipos de mercado. A informática veio para ficar. O capitalismo, também, não será suplantado tão cedo. O que nos cabe fazer? Entender a dinâmica da "globalização".

A economia sempre foi virtual. Pressupõe sempre uma perspectiva futura. A especulação, tão abominada por muitos pensadores, é um dos seus princípios. Observe que, embora possamos dizer que os especuladores ganham muito, esse ganho não é real, pois mais cedo ou mais tarde, o preço tende para um equilíbrio de mercado. Por isso, investir na bolsa não pode ser somente para ganhar dinheiro, mas para auxiliar as empresas a crescerem e gerarem lucro, para ser dividido futuramente com os seus acionistas.

Os websites nada mais são do que a oferta de idéias e conhecimentos, idéias e conhecimentos de todos os tipos possíveis, gerando muitas controvérsias, extremamente úteis para o processo de aprendizagem do ser humano. Embora gratuitos, eles podem gerar receitas. Observe a potência que está se tornando o Google, que domina 80% das buscas em toda a Internet. Recentemente, foi publicado um artigo de Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired e autor do best-seller A Cauda Longa, sobre a gratuidade nos negócios, a chamada “freeconomics”, na revista HSM Management, edição maio-junho de 2008.

Podemos combater o capitalismo e a globalização, mas não há lógica. Cabe-nos, sim, envidar muitos esforços para compreender essa dinâmica atual. A compreensão gera nova fase de conhecimentos, porque o esforço de compreensão é a aplicação de nossos recursos pessoais na criatividade, o que não acontece quando só queremos combater o que existe. As novas idéias poderão ser aceitas pelos outros e, inclusive, gerarem recompensa financeira para o autor da idéia. Basta colocar, por exemplo, o adsense – ganhe dinheiro com a exibição de anúncios no seu site, oferecido pelo Google.

Neste mundo da interconexão, os websites, os blogs, as formas de debate, as teleconferências, os grupos de discussão assemelham-se a uma cidade. Numa cidade física temos os consumidores, os produtores, o mercado, o sistema financeiro etc. Do mesmo modo é a cidade virtual, onde há mercado, com sua oferta e procura. É possível que uma idéia lançada no ciberespaço não tenha utilidade. Mas ela está lá esperando para atender a uma necessidade. Quando elas forem capazes de atender a muitas necessidades, poderão gerar divisas para o seu criador.

Por fim, a abertura do pensamento ao novo é o único capital que gerará muita divisa num futuro próximo.

Para mais informações sobre este tema, consulte o livro de Pierre Lévy, A Conexão Planetária, editado pela Editora 34.
São Paulo, 27/6/2008
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O Preço do Petróleo está Aquecido

De acordo com o banco Goldman Sachs, o petróleo dificilmente cairá abaixo de 65 dólares o barril. Especula-se que pode chegar a 200 dólares.

Em 1974, devido ao embargo árabe, ocorrido em 1973, o barril atingiu o pico de 50 dólares. Em 1980, devido à revolução iraniana (1979) e à guerra Irã-Iraque (1980), chegou a 92 dólares. Desta data em diante, manteve uma média de 30 dólares o barril. Presentemente, os estoques baixos e a demanda aquecida elevaram-no para 138 dólares. Tudo isso, porque o consumo mundial de petróleo aumentou em 1,2 milhões de barris/dia em 2007, quando comparado com o ano de 2006.

O aumento de 1,2 milhões de barris/dia está assim distribuído: 0,42 (China); 0,32 (América Latina); 0,29 (Oriente Médio); 0,12 (América do Norte); África (0,08).

Fonte: Revista Exame, ed. 11, 18/06/2008, p.24


São Paulo, 20/06/2008
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11 junho 2008

Política


1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a polis, as pessoas e o governo. Para isso, verificaremos o significado, a necessidade e a natureza da política, a evolução do termo através dos tempos e as relações entre teoria e praxis.

2. CONCEITO DE POLÍTICA


2.1. SIGNIFICADO DE POLÍTICA

Derivativo do grego politikós (polis), que significa tudo o que se refere à cidade, portanto, citadino, público, social.
Na Idade Moderna o termo perdeu o seu significado original tendo sido substituído por expressões tais como "ciência do Estado", ciência política", "doutrina do Estado" e "Filosofia Política".
"O conceito de Política, entendido como forma de atividade ou de praxe humana, está intimamente ligado com o de poder. O poder foi definido tradicionalmente como algo que se "se baseia nos meios para obter uma vantagem" (Hobbes) ou analogamente como "o conjunto de meios que permitem obter efeitos desejados" (Russel). Um destes meios é o domínio sobre os outros homens". (Bobbio, 1988, p. 21-36)

2.2. NATUREZA DA POLÍTICA

A Política é, em certo sentido, a tomada de decisões através de meios públicos, em contraste com a tomada de decisões pessoais, adotadas particularmente pelo indivíduo, e com as decisões econômicas, geradas como resposta a influências impessoais, tais como o dinheiro, condições do mercado e escassez de recursos. Platão e Aristóteles fazem uma analogia com o "navio" para explicar a ação política. O timoneiro deveria cuidar do leme, do peso, da rota e dos tripulantes para que o mesmo não encalhe, não afunde e chegue ao seu destino. O mesmo se dá com o governante à frente de um Estado, isto é, deve conduzir homens aos ideais propostos.
Observe que o Third New International Dictionary, de Webster, menciona que a palavra "govern" vem do frances antigo governer, derivada do latim gubernare (guiar, pilotar, governar) que por sua vez vem do grego kybernan. (Deutsch, 1988, p. 15-20)

2.3. NECESSIDADE DA POLÍTICA

A política não é apenas uma atividade das instituições sociais, senão que se origina na própria essência da sociedade, independentemente de sua institucionalização. O bem comum, por sua vez, é a concepção milenar da função da Política dentro da sociedade, e a expressão clássica desta concepção está em Santo Tomás de Aquino, que, na sua Suma Teológica, escreve "Finis politica est urbanum bonum" — "A finalidade da política é o bem comum". Não é religioso ou filosófico, mas social. (Franco, 1988, p. 9-14)
Mas que é esse bem comum?
Quem melhor o definiu foi o Papa João XXIII, nos seguintes dizeres: "O Bem comum consiste no conjunto de todas as condições da vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana".

3. RESUMO HISTÓRICO


3.1. ANTIGUIDADE

Nas Antigas civilizações orientais não houve verdadeira doutrina política; os grandes impérios asiáticos e o Egito não admitiam que aí pudesse haver forma de governo diferente da monarquia absoluta, exercida em nome do deus protetor da Nação. O que existia era a arte de governar, transmitida pelos reis aos seus escolhidos. Os escritos do Taoísmo, na China, servem como exemplo, quando diziam que governar é como fritar peixes pequeninos. (Mosca, 1987, cap. IV)
A origem da Política como doutrina e forma de governo está relacionada com as idéias desenvolvidas por Platão (427-344 a. C.) e Aristóteles (384-322 a. C.). Platão descreve no livro República o estado ideal e indica as causas da decadência que fazem com que da cidade ideal, possa-se gradualmente chagar à tirania, isto é, à pior das formas de governo. Aristóteles começa por afirmar que o homem é um animal naturalmente social. Segundo ele, os dons que a natureza deus aos indivíduos só podem desabrochar através do contato social. (Mosca, 1987, cap. VII)

3.2. IDADE MÉDIA

Período que vai de 476 (queda do Império Romano) até 1453 (tomada de Constantinopla pelos turcos). "A principal característica da Idade Média, do ponto de vista político, é a confusão do direito privado e do direito público, do que resulta a que o proprietário ou o possuidor de um trato de terra acreditava-se investido de direitos soberanos sobre os habitantes dessa região". (Mosca, 1987, p. 74)
No campo intelectual havia ausência de espírito crítico e de senso histórico, inexistência do espírito de observação e respeito excessivo ao princípio de autoridade (Bíblia e Aristóteles). A ruptura desse modelo de pensamento político se dá com o aparecimento da obra de Maquiavel, o Príncipe, onde diz o que é a realidade (mostrando as falcatruas dos dirigentes) e não como ela deveria ser. (Mosca, cap. XI)

3.3. IDADE MODERNA E CONTEMPOÂNEA

Período que se estende de 1453 aos nossos dias. A Idade Moderna representa a transição do Feudalismo ao Capitalismo Industrial. A instituição do Parlamentarismo na Inglaterra, a Revolução Francesa, o aparecimento do nacionalismo e do imperialismo são alguns dentre os muitos aspectos que caracterizam essa fase.
Atualmente nota-se uma tendência à democracia na maioria dos países liberais. "Na pesquisa sobre liberdade no mundo de 1992, a organização Freedom House, de Nova Iorque, verificou que, pela primeira vez na História, a maioria dos países da Terra são democráticos. Das 171 nações pesquisadas, 89 eram democracias declaradas e 32 se encontravam em transição para a democracia". (Jornal do Brasil, 1992)

4. AÇÃO POLÍTICA
4.1. TEORIA E PRÁXIS

A questão da relação entre a Teoria e a Práxis, que por assim dizer foi fundada por Platão; foi ele talvez quem primeiro teve a consciência do problema. A questão aparece em Platão no livro A República, e justamente no famoso Livro VII da República, que é o livro em que existe uma famosa alegoria, o chamado "Mito da Caverna". Ele propõe a seguinte questão: como podemos fundar a relação entre governantes e governados? Existe uma relação de obediência. Como justificar essa obediência? Onde encontrar elementos teóricos para legitimar uma relação de obediência?
Na alegoria do "Mito da Caverna", Platão coloca alguns homens numa caverna, de costas para a entrada, de modo que só conseguem ver as próprias sombras projetadas no fundo da mesma. Dentre esses homens, um deles (o filósofo) se vira e sai à procura da luz (conhecimento). Inteira-se dele e por, dever de consciência, obriga-se a passá-lo aos demais que lá ficaram. Acontece que se ele disser a verdade, será ridicularizado. Portanto, para evitar esse contratempo, cria o "mito", a fim de que seja ouvido e obedecido. O filósofo, que é amante da verdade, tem de mentir e transforma-se mais em rei do que filósofo. A relação entre o real e o ideal é um problema por resolver e Platão joga-o para os séculos seguintes. (Ferraz, 1988, p. 39-48)

4.2. FILOSOFIA E POLÍTICA MARXISTA

Tanto os pensadores da Antigüidade quanto do da Idade Média davam ênfase ao Estado ideal e não ao Estado real. Karl Marx (1818-1883), filósofo materialista e criador do materialismo histórico diz que até aquela época os filósofos idealizaram o mundo, mas que chegara o momento de transformá-lo através da ação.
Como procedeu Marx? Estudou a dialética idealista de Hegel (1770-1831) e a dialética materialista de Feuerbach (1775-1833). Observou a luta de classes na Inglaterra e o processo da Revolução Francesa. As conclusões levaram-no a criar o termo materialismo histórico, ou seja, a matéria é origem de tudo e o modo de produção é que determina a religião, a arte, a forma familiar etc.
O materialismo histórico ou dialético pode ser resumido da seguinte forma: a luta de classes — escravos lutando contra os senhores numa sociedade escravagista levaria esta à sociedade feudalista; a luta dos vassalos contra os senhores feudais, levaria esta sociedade ao capitalismo; o proletariado, nesta sociedade, lutando contra os capitalistas levaria ao comunismo. O comunismo seria uma sociedade igualitária, onde não haveria a exploração do homem pelo homem. Em termos práticos, vimos a instituição do comunismo na Rússia e na China, países pré-capitalistas.

5. TESE MARXISTA
5.1. LUTA DE CLASSES

Para Marx, há sempre um inconformismo da classe proletária, pois na sua teoria da mais valia, os empresários ficam com a parcela da renda que pertence ao trabalhador. Nesse sentido, o enfoque marxista da ação humana "induziria" o povo a pegar nas armas para conseguir uma situação mais igualitária da renda.

5.2. A FELICIDADE

Como o marxismo é uma filosofia materialista, a felicidade do homem encontra-se nos proventos materiais que o trabalho proporciona. Por isso, cada pessoa deveria entregar-se totalmente à produção dos referidos bens, pois quanto mais produzisse mais aumentaria o seu bem-estar e, portanto, a sua felicidade.

6. CONCLUSÃO

Como vimos, a política é o meio pelo qual os homens, que detém o poder, interferem na ação humana e no ecosistema. Seu principal objetivo é conciliar os interesses particulares com os interesses públicos, a fim de atingir o bem comum. Nesse sentido, o povo deveria votar cautelosamente nos candidatos que iriam representá-lo, porque estes, honestos ou desonestos, nada mais são do que o espelho de nossas escolhas.

7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


BOBBIO, N. O Significado da Política. In O Que é Política. Curso: A Necessidade da Política I. Brasília, Instituto Tancredo Neves, 1988.
DEUTSCH, K. A Natureza da Política. In O Que é Política. Curso: A Necessidade da Política I. Brasília, Instituto Tancredo Neves, 1988.
FERRAZ JR. T. S. Política e Ciência Política. In O Que é Política. Curso: A Necessidade da Política I. Brasília, Instituto Tancredo Neves, 1988.
FRANCO, A. A. de M. A Necessidade da Política. In O Que é Política. Curso: A Necessidade da Política I. Brasília, Instituto Tancredo Neves, 1988.
Jornal do Brasil, 27/02/92
MOSCA, G. História das Doutrinas Políticas - Desde a Antigüidade, completada Gaston Bouthoul...; trad. de Marco Aurélio de Moura Bastos. 6. ed., Rio de Janeiro, Guanabara, 1987.
São Paulo, dezembro de 1989
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Globalização

A globalização é um processo de produção, caracterizado pelas rápidas transformações tecnológicas, sobretudo nas áreas da informática e das telecomunicações, em que se produziu um longo período de crescimento econômico baseado no aumento da produtividade. Os Estados Unidos são o carro chefe desse processo, seguido por outros países da Europa. Da observância desse fato, levanta-se a seguinte tese: a globalização é um instrumento capaz de aprofundar as desigualdades entre nações ricas e pobres e aumentar a dependência destas últimas.

O progresso é uma lei natural. Quer queiramos ou não, ele se dará em mais ou menos tempo. Observe que a revista Fortune, abrangendo as cem maiores empresas do mundo, anota que a maior parte dos investimentos destas não foi dirigida para a produção, mas para as atividades virtuais: software, reengenharia, inovação etc. Nessa mesma linha de pensamento, o The Economist informa-nos que a inovação gera mais lucro do que as meras modernizações de linhas tradicionais. Lembra ainda que a taxa média de retorno das 17 inovações de maior sucesso nos Estados Unidos, em uma década, foi de 56%, enquanto a dos demais investimentos foi de 16% nos últimos 30 anos.

Essa nova fase do capitalismo, embora revolucionária, encaixa-se nas teses de Ludvic Von Mises e de Hayek. Von Mises, por exemplo, define o capitalismo como a personificação da ação criativa, que exige inteligência gerencial, desenvolvimento do trabalho e, acima de tudo busca do conhecimento. Hayek, por outro lado, fala que de uma ordem espontânea sempre emergirá dessa instabilidade. Significa dizer que o mercado pode ser hostil, violento e sem idealismo, contudo produz eficiência e é essa eficiência que torna o capitalismo capaz de criar riquezas.

O Brasil ainda se encontra bem atrasado em relação às altas tecnologias. Apesar disso, temos alguns centros que se destacam: o IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP, realiza, em seus 72 laboratórios, mais de 3.000 ensaios, testes e análises voltados para as mudanças de rumo tanto no setor público quanto no setor privado; a EMBRAER, Empresa Brasileira de Aeronáutica, que, depois de privatizada, foi considerada a maior exportadora brasileira, em 1999. Na Pesquisa das 500 Maiores Empresas Brasileiras, publicada pela Conjuntura Econômica, ela contabiliza encomendas no valor de 21 bilhões de dólares, passando do 44.º lugar para 17.º de 1999.

O problema que nos preocupa não é tanto a disputa pelas altas tecnologias, mas o protecionismo, explícito ou implícito, praticado por esses países que se dizem liberais. Os Estados Unidos, por exemplo, colocam barreiras não-tarifárias, disfarçadas em defesa do trabalho infantil, preservação do meio ambiente, acusações de dumping, principalmente naqueles produtos que podemos competir em preço e qualidade: aço, suco de laranja calçados, têxteis etc. A Europa, por seu turno, pratica a política de subsídios às atividades agro-industriais.

É preciso que os países mais ricos dividam os ganhos da globalização com os países pobres. Caso contrário, a desigualdade aumentará indefinidamente.

Fonte de Consulta

RIBEIRO, A. V. Contradições Face à Globalização. Publicado em A Economia Brasileira e suas Perspectivas. Rio de Janeiro, 39.ª Apec, 2000.

São Paulo, 01/09/2000
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Marxismo: A Rota para o Comunismo

O comunismo tem várias acepções. Em seu sentido amplo, o termo designa toda a doutrina que concede à comunidade direitos e prerrogativas que, em força da lei natural ou de leis positivas comumente aceitas, se atribuem ao indivíduo. Historicamente, podemos percebê-lo no livro A República, de Platão, quando trata da educação dos guardiões. Tipos de comunismo encontramos, também, na primitiva comunidade cristã de Jerusalém e nas comunidades monásticas e religiosas da Idade Média.

O comunismo pode e deve ser visto de forma ampla. Contudo, quando falamos de comunismo, quase sempre queremos nos reportar à definição empregada por Karl Marx e Friedrich Engels. Para Marx e Engels, o comunismo é o estádio da sociedade humana onde não mais existiriam exploradores e explorados, onde a exploração do homem pelo homem tivesse chegado ao seu fim. O homem, a sociedade e a natureza formariam um todo harmônico; o sonho do Homem Integral estaria realizado.

Para que a humanidade atinja esse estádio, há necessidade de uma fase intermediária, denominada de socialismo científico, em que a ditadura do proletariado se incumbiria de realizar a transformação – do capitalismo para o comunismo. Tirou essas conclusões observando a luta de classes no processo histórico e, mais especificamente, aquela travada na Revolução Francesa, em que os ideais de liberdade ecoavam por toda a parte.

A mais-valia é a sua tese central. Nela está implícita a distinção entre valor de uso e valor de troca. O valor de uso de uma mercadoria é o grau de satisfação de uma necessidade. Exemplo: um par de sapatos atende à necessidade dos pés. Valor de troca é a avaliação monetária da referida mercadoria. Marx achava que o trabalhador recebia menos do que o seu valor de uso. Havia um excedente que ficava nas mãos dos proprietários, que por direito pertencia ao trabalhador. A isso deu o nome de mais-valia. Aí residiria a luta de classes, o germe que acabaria com o próprio capitalismo.

O comunismo, sendo a última etapa do desenvolvimento de uma sociedade, não comportaria mais luta de classes, pois o sistema de produção tornou-se coletivo, onde todos os bens eram divididos igualmente. Nesse ponto, surge uma questão: como conviver com esse estado de coisas, se o ser humano não se preparou interiormente para tal aquisição? É por isso que o comunismo não prosperou no mundo todo. Faltou-lhe uma maior compreensão do psiquismo humano. Lênin, por exemplo, tentou aplicar a teoria marxista na Rússia, mas ateve-se somente à ditadura do proletariado, o qual ficou sujeito a um partido político.

Antes de implantarmos ideias novas, devemos preparar o ânimo daqueles que serão por elas influenciados. Sem isso, a derrocada é quase certa.


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